10 de agosto de 2024
Política

“O PPI era uma mentira, um crime contra o povo brasileiro”, critica ministro de Minas e Energia

O ministro de de Minas e Energia, Alexandre Silveira e o presidente da Petrobrás, Jean Paul Prates, durante anúncio da nova política de preços dos combustíveis. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)
O ministro de de Minas e Energia, Alexandre Silveira e o presidente da Petrobrás, Jean Paul Prates, durante anúncio da nova política de preços dos combustíveis. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

Ao destacar que vai “abrasileirar” o preço do combustível, o ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD) e colocar um ponto final ao Preço de Paridade Internacional (PPI), o chefe da pasta não poupou críticas à medida, que desde 2016, durante a gestão do ex-presidente Michel Temer.

O PPI atrelava os preços médios dos combustíveis que a Petrobrás vende às distribuidoras às variações dos produtos no mercado internacional, entre outros fatores, para proteger a empresa dos riscos operacionais do setor.

Silveira, no entanto, é crítico à medida e reforçou que a nova política de preços da Petrobras permitirá à empresa cumprir sua função social, induzindo a competitividade entre as companhias petroleiras, sem deixar de ser “lucrativa e atrativa para os investidores”. A fala foi feita à imprensa após reunião com o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates.

“O PPI era uma abstração, uma mentira e um crime contra o povo brasileiro, porque impunha uma algema, uma mordaça, a uma política de competitividade interna dos preços dos combustíveis no Brasil, fazendo com que, muitas vezes, as oscilações [dos preços nacionais] fossem muito acima do que seria possível para contribuir com o crescimento nacional”, criticou o ministro.

Ele acrescentou que o governo não interferiu na decisão administrativa da empresa, embora viesse trabalhando para que as empresas petroleiras adotassem uma referência de preços nacionais. “Esta é uma decisão interna da Petrobras e um gesto para o Brasil”, disse.

Já Prates disse que com o “ajuste da estratégia comercial”, a Petrobras recupera sua liberdade de estabelecer preços conforme o contexto doméstico. “Nos alforriamos de um único e exclusivo fator, que era a paridade com o mercado internacional.”

“Vamos usar as vantagens que a Petrobras tem a nosso favor e a favor do país, sem nos afastarmos absolutamente da referência internacional dos preços. Quando eu digo referência não é paridade de importação, mas sim referência internacional. O que significa dizer que quando o mercado lá fora estiver aquecido, com os preços do petróleo e de seus derivados consolidadamente mais altos, isto irá se refletir no Brasil. Porque abrasileirar os preços significa levar em conta nossas vantagens [usando a competitividade interna da empresa] sem tirar o Brasil do contexto internacional”, completou. 

“É um equívoco gigantesco… É uma estupidez abrasileirar o preço da Petrobras”, dispara ex-ministro de Sarney

Em Goiânia, durante uma palestra feita na 1ª Expo Fecomércio, o economista e ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega classifica como um “equívoco gigantesco” e uma “estupidez” a nova política de preços da Petrobras adotada pelo Governo Federal que a partir desta terça-feira (16/05) deixa de ser baseada pelo cenário internacional. 

“É um equivoco gigantesco. É uma pena que os dirigentes da Petrobras caiam nessa cilada de achar que se pode ‘abrasileirar’ o preço de uma commodity”, disparou ao Diário de Goiás.


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