Não bastasse o Rio Araguaia viver períodos difíceis frente à forte seca, o Pantanal deverá viver um período de vazante recorde na região. A vazante é um fenômeno típico de períodos de seca, quando o nível das águas baixa, expondo mais áreas de campos e morros. Nesse período, o céu fica mais estrelado e os animais que haviam se dispersado com a cheia, ocorrida entre outubro e março, voltam às planícies.

Este ano a vazante iniciou antecipadamente no Pantanal e a tendência é de declínio do nível da água apenas no final de outubro, quando historicamente o processo de vazante já terminou. Por isso, a previsão do Serviço Geológico do Brasil (CRPM) é que essa seja a vazante mais longa em 121 anos.

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Além disso, a seca em 2021 tem apresentado menores níveis no Rio Paraguai, que podem chegar ao nível mínimo histórico. “Neste momento, essa é a quinta pior seca da história da região. Pela tendência atual, é possível que o rio alcance níveis históricos como aqueles de 1964, quando o rio atingiu a cota de -61 cm”, disse o hidrólogo e pesquisador em Geociências do CRPM, Marcus Suassuna Santos.

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O pesquisador meteorologista do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), Giovanni Dolif destacou a situação meteorológica na região do Pantanal, em comparação com o ano passado. Este mês registrou o menor déficit de chuva do que no mesmo período de 2020, de acordo com o Índice Integrado de Seca (IIS). Ele alertou, ainda, para uma expectativa de chuvas acima do esperado na região, com transição para estação chuvosa dentro da normalidade.

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A meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE),  Caroline Vidal, afirmou que as chuvas estão abaixo da média e que o período é um dos mais secos desde 2010. “Onde há chuvas abaixo da média, há temperaturas acima do padrão. A tendência é que as chuvas concentradas no Norte do país migrem para o Centro-Oeste e Sudeste”.

Seca do Rio Araguaia

O extremo atingido pela seca no Rio Araguaia neste ano é o retrato da combinação fatal entre desmatamento, assoreamento, degradação de nascentes, uso irregular da água e o consequente desequilíbrio ambiental. Essas causas são velhas conhecidas de moradores da região, empresários do agronegócio e do poder público. Revertê-las, no entanto, é o que já parece impossível.

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Para o delegado de Meio Ambiente da Polícia Civil de Goiás (PCGO), Luziano de Carvalho, que já desenvolveu projetos de recuperação de nascentes e contenção de voçorocas ao longo do rio. O Rio Araguaia atingiu um ponto de desequilíbrio, entre o que existe de demanda e ação depredatória e o que o rio Araguaia tem para oferecer.

Córregos e rios menores, afluentes ou que desaguam no Rio Araguaia, estão secando. Geralmente, nesta época, eles sucumbem à estiagem e ao forte calor, e tendem a reduzir a quantidade de água. Moradores locais, no entanto, relatam uma severidade maior do problema em 2021. O nível da água reduziu tanto que os bancos de areia bloqueiam o curso d’água.

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