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Cidades
| Em 3 semanas atrás

Imagens do acervo histórico do IGPA/PUCGO integram cenas de Ainda Estou Aqui, indicado ao Oscar

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Imagens que fazem parte do acervo do Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia (IGPA) contribuíram para a produção do filme já consagrado Ainda Estou Aqui, de Walter Salles. As imagens foram cedidas para compor a narrativa da obra, que recebeu três indicações ao Oscar 2025, incluindo a inédita nomeação de melhor filme para uma produção brasileira.

As imagens utilizadas fazem parte do valioso acervo do IGPA, mantido pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás), e que abriga as coleções Jesco von Puttkamer e Adrian Cowell. No filme biográfico, o material aparece na cena em que a protagonista, Eunice Paiva, viúva e advogada, se dedica à defesa das causas indígenas após o desaparecimento do marido, o deputado Rubens Paiva, levado pelas forças da ditadura militar.

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O termo de cessão foi firmado entre a PUC Goiás e a Conspiração Filmes, garantindo o crédito da universidade na obra.

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A assessoria de Imprensa da PUC não soube informar a catalogação de onde foram feitas as filmagens, mas Puttkamer, por exemplo, integrou frentes de atração de povos indígenas como os Txukahamãe, Txicão, Suruí, Cinta-Larga, Marúbu, Kámpa, Kaxináwa, Waimiri-Atroarí, Yanomami, Hixkaryana, Uru-eu-wau-wau e Suruí Paiter.

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Em diversas oportunidades ele fez registros históricos até hoje de alto valor antropológico sobre essas populações, a maioria amazônica. O acervo dele ficava no Centro Cultural Jesco Puttkamer, doado para o IGPA há décadas. Pesquisadores da obra, avaliam que Puttkamer deixou em torno de 130 mil imagens de 40 anos de pesquisas.

O acervo do IGPA é reconhecido internacionalmente por sua relevância na documentação dos povos originários da Amazônia, da colonização do Centro-Norte do Brasil e dos conflitos sociais decorrentes desse processo. Sua importância é atestada por títulos como “Registro Memorial do Mundo, América Latina e Caribe”, concedido pela ONU, e “Memória do Mundo”, pela UNESCO.

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Para o coordenador do IGPA, professor Antônio Caldas, a participação da PUC Goiás no filme reforça a relevância do acervo e a missão da universidade na preservação da história e da cultura brasileira. “Talvez a proximidade com o acervo e o trabalho cotidiano com essa documentação não nos tenha deixado perceber a preciosidade que a PUC Goiás possui. A busca desse material pela produção de Ainda Estou Aqui, agora internacionalmente premiado, demonstra ainda mais o valor desse acervo e corrobora a acertada ação da PUC Goiás na salvaguarda do patrimônio histórico, artístico e cultural brasileiro”, afirmou.

Estrelado por Fernanda Torres e Fernanda Montenegro no papel de Eunice Paiva em diferentes fases da vida, Ainda Estou Aqui já conquistou prêmios como o de melhor roteiro no Festival de Veneza e o Globo de Ouro de melhor atriz para Fernanda Torres.

Além disso, o filme já levou o Prêmio do Público no Vancouver International Film Festival, Prêmio Danielle Le Roy e Prêmio do Público no Festival de Pessac. Também Menção honrosa no National Board of Review Awards; seleção entre os melhores filmes de 2024 pela BBC; indicação ao Oscar 2025 de Melhor Filme Internacional, Melhor Atriz e Melhor Filme, e na China ganhou o prêmio Crouching Tiger Hidden Dragon East-West Award no Pingyao International Film Festival.

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Marília Assunção

Jornalista formada pela Universidade Federal de Goiás. Também formada em História pela Universidade Católica de Goiás e pós-graduada em Regulação Econômica de Mercados pela Universidade de Brasília. Repórter de diferentes áreas para os jornais O Popular e Estadão (correspondente). Prêmios de jornalismo: duas edições do Crea/GO, Embratel e Esso em categoria nacional.

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