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Centro Cultural Oscar Niemeyer completa dez anos

Inaugurado em 31 de março de 2006, o Centro Cultural Oscar Niemeyer transformou a forma como os goianos vivenciam manifestações de cultura, esporte e lazer no Estado de Goiás. Imponente, amplo e acessível, o CCON representa o que há de mais democrático e moderno no cenário cultural goiano.

Projetado para abrigar exposições de arte, shows, acervos bibliotecários e até sala de cinema, o CCON acabou exercendo um papel que vai além de sua função cultural. Em pouco tempo de atividade, o complexo se tornou um enorme espaço de convivência não só entre os amantes das artes, mas também entre atletas (amadores e profissionais), especialmente os ligados aos esportes radicais.

Se durante o dia é possível visitar o CCON para conferir exposições de grandes artísticas nacionais e internacionais, ao entardecer quem toma conta do local são as bikes, os patins e os skates dos goianos que ocupam da melhor maneira possível o espaço público. Às noites e aos fins de semana, apresentações musicais dos mais diversos estilos garantem a diversão do público e consolidam o Oscar Niemeyer como uma unidade 100% voltada a pessoas – já que é essa a razão fundamental de sua criação.

Situado na região sudoeste de Goiânia, o Centro Cultural Oscar Niemeyer possui 19.645 metros quadrados, sendo 17 mil deles de área construída. O espaço leva o nome do arquiteto, que nunca havia projetado uma obra na cidade. O desenho é simples: quatro volumes com formas e usos distintos sobre uma esplanada retangular.

Por lá, já passaram centenas de projetos de cultura e lazer, como o Música no AR; Balada Literária; Festival Bananada; Tatoo Rock Fest; Goyaz Festival; Festival Internacional de Música em Goiás (Figo); apresentações da Orquestra Filarmônica de Goiás; Cerrado Fashion Week; Visita Global Peace; exposições internacionais, como a da artista plástica Ana Maria Pacheco e de Paulo Leminski; assim como o tão disputado Café de Ideias, que de forma inovadora trazia a Goiânia nomes de peso para palestras gratuitas e sessões bate-papo (Contardo Calligaris, Luiz Felipe Pondé, Eliane Brum, José Miguel Wisnik etc); entre tantos outros eventos sediados ali. Para 2016, está prevista a inauguração do já licitado cinema no interior do CCON.

Como surgiu

Em 1999, Oscar Niemeyer foi convidado pelo governador Marconi Perillo a criar o Monumento aos Direitos Humanos. Segundo relatou o arquiteto Marcílio Lemos, Marconi foi ao escritório de arquitetura de Niemeyer, no Rio de Janeiro, e disse de forma enfática: “Vim cobrar o aluguel das terras em que o senhor construiu Brasília!”.

Niemeyer se divertiu com a brincadeira de Marconi e aceitou a encomenda de projetar, para Goiás, um centro cultural. Criou, então, para cá um complexo com quatro edifícios esteticamente diversificados: uma cambota, um triângulo, um cilindro suspenso e um pavilhão (teatro, memorial, museu e biblioteca, respectivamente).

Os quatro volumes estão implantados em uma grande esplanada retangular, de 26 mil metros quadrados. É ela que suporta e delimita a relação entre os volumes. Na frente estão o teatro (à esquerda) e o memorial (à direita). À primeira vista, o teatro, com 6.403,14 metros quadrados, lembra a Oca (sem escotilhas) e o Senado, conhecidos trabalhos do autor. No entanto, a entrada principal encontra-se no fundo, o que dá pureza à forma na porção frontal, que é parcialmente circundada por espelho d´água. O espaço tem capacidade para até três mil espectadores.

O Monumento aos Direitos Humanos é um prédio curioso: único elemento vermelho da composição (os outros são pintados de branco). Trata-se de uma pirâmide de concreto, com 75 metros de altura, oca por dentro. O memorial em si, um pequeno espaço com auditório de 166 lugares, está abaixo da esplanada e possui 700 metros quadrados. O volume rubro é a entrada, ao mesmo tempo em que cobre o foyer.

Ao lado do Monumento, está o Museu de Arte Contemporânea, um volume circular suspenso de 4 mil metros quadrados, apoiado em pilar central. O acesso é feito por uma rampa, que esconde parcialmente o grande esforço estrutural do edifício. No primeiro piso, fica o espaço de exposição permanente, e o mezanino é dedicado a mostras temporárias. Parte do programa está sob a esplanada, onde ficam a administração, a reserva técnica e duas galerias.

Fazendo às vezes de pano de fundo da composição (ideia reforçada pelo vidro preto), a biblioteca, com 4.020 m2 mil metros quadrados, é um pavilhão em pilotis, com três pisos, subsolo e cobertura destinada a um restaurante panorâmico.

O acesso principal do conjunto, pela Avenida Jamel Cecílio, é feito através de uma escadaria larga. No dia-a-dia, os visitantes chegam pelos fundos, onde fica o estacionamento com 470 vagas. Observada dali, a plataforma da esplanada transforma-se em laje, e percebe-se que parte dela é ocupada: são dois cinemas com 209 lugares cada, cinco lojas e um bar, além de áreas técnicas. Tal como na cidade de Brasília dos primeiros anos, a composição funciona à vista do visitante: a planície verde junto ao horizonte dá ênfase aos volumes puros e força a sua composição geométrica.

Unidades internas do CCON

Biblioteca

O prédio é um grande retângulo, onde estão as bibliotecas cultural, infantil e virtual, além da administração, cinemas, praça de alimentação, bar, cafeteria e lojas. Os homenageados, que denominam os pavimentos, são os escritores Bernardo Élis e José J. Veiga; e o historiador Paulo Bertran. O auditório recebeu o nome do arquiteto Tadeu Baptista e as salas de cinema receberam os nomens dos cineastas Glauber Rocha e João Bênnio. Homenagedos: Bernardo Élis, José J. Veiga, Paulo Bertran, Tadeu Baptista, João Bênnio e Glauber Rocha.

Palácio da Música

O Palácio da Música Belkiss Spenzièri é uma grande cúpula, que tem um teatro, com fosso para orquestra, tratamento acústico e espaço confortável para os artistas e para o público. A musicista Belkiss Spenzièri Carneiro de Mendonça, que dá nome ao Palácio da Música, foi a grande dama da música erudita em Goiás e brilhou também nos palcos do Brasil e de vários outros países. Homenageada: Belkiss Spenzièri.

Monumento aos Direitos Humanos

O Monumento aos Direitos Humanos é uma obra dedicada a todos aqueles que lutaram e lutam pelo bem-estar da humanidade e presta homenagem a pessoas importantes para cultura de Goiás. O auditório recebeu o nome da musicista e escritora Lygia Rassi e o espaço denominado Sala Célia Câmara, lembra uma das mais aguerridas produtoras culturais do estado de Goiás. Homenageadas: Lygia Rassi, e Célia Câmara.

MAC

O Museu de Arte Contemporânea – MAC – é um espaço adequado para exposições e eventos sociais e presta homenagens a dois dos maiores ícones das artes visuais, que contribuíram para que Goiás conquistasse notoriedade nacional, são eles que emprestam seus nomes às galerias de arte: D. J. Oliveira e Cléber Gouvêa. Homenageados: Cléber Gouvêa e D. J. Oliveira.

Esplanada Juscelino Kubitschek

A Esplanada JK é uma grande área, por onde as pessoas transitam na visita ao CCON, mas, também serve para a promoção de eventos ao ar livre. O homenageado é o ex-presidente Juscelino Kubistchek, um homem à frente do seu tempo e que legou desenvolvimento para Goiás e para o Brasil e, merecidamente, recebeu o título de “Brasileiro do Século”. Homenageado: Juscelino Kubitschek.

Marcley Matos

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