10 de agosto de 2026
ELEIÇÕES 2026

Zema volta a atacar STF e sobe o tom contra Gilmar Mendes em entrevista em Goiânia

Ex-governador critica ministro, ironiza decisões da Corte e propõe mudanças no Supremo em fala à Rádio Bandeirantes de Goiânia
Declarações de Romeu Zema foram durante entrevista em Goiânia - Foto reprodução de vídeo
Declarações de Romeu Zema foram durante entrevista em Goiânia - Foto reprodução de vídeo

Em entrevista à Rádio Bandeirantes de Goiânia nesta sexta-feira (24) o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), voltou a criticar o Supremo Tribunal Federal (STF), e especialmente o ministro Gilmar Mendes, decano da Corte. Nos últimos dias, ambos trocaram farpas públicas que envolvem até o sotaque mineiro de Zema que cumpre agenda essa semana em Goiás.

Na entrevista ele disse que não sabe a origem dos desentendimentos e críticas de Mendes a ele. “Tive pouquíssimo contato com o ministro, umas duas ou três vezes se não me engano, no máximo. Fui até o supremo tratar questões de Minas Gerais”, citou. Depois disse: “Me parece que, por ter dado decisão favorável a Minas, ele se julga no direito de ser credor de alguma coisa”. E seguiu, reclamando disso e ironizando: “Imaginava que a Justiça decidisse de acordo com a lei, com a Constituição”.

Entretanto, o motivo da altercação é público. Tudo começou quando o ex-governador postou um vídeo apresentando fantoches de Gilmar Mendes e do ministro Dias Toffoli discutindo sobre o escândalo do Banco Master, gerando um pedido de Mendes para que ele fosse investigado no inquérito das Fake News, conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, outro muito criticado pelo pré-candidato.

Na quarta-feira, em entrevista ao Jornal da Globo, o ministro disse que Zema fala uma “língua próxima do português”, o que foi interpretado como crítica ao sotaque mineiro.

Na entrevista em Goiânia, o ex-governador disse que o pensamento de Mendes “é bem equivocado” e acusou o ministro de “posicionamento ditatorial”. Disse que já foi alvo de muitas críticas, caricaturas, etc, para afirmar que são situações normais de quem está no setor público. “Já fui chamado de tudo quanto é nome. A gente está sujeito. Agora parece que a carapuça serviu pra ele”, alfinetou.  

Zema foi ainda mais incisivo e aprofundou críticas e provocações: “Não fui eu quem voei em jatinho do maior criminoso do Brasil. Ele e os colegas voaram. Não fui eu quem fiz negócio com o Banco Master. Ele e colegas parece que fizeram. Então ele está se preocupando com a pessoa errada”.

“Não tenho rabo preso”

Romeu Zema citou que sua vida privada já foi esmiuçada em campanhas eleitorais e, segundo ele, nada de errado foi encontrado. “Não tenho rabo preso”, afirmou na entrevista à Bandeirantes de Goiânia. “Sempre cumpri a lei. Quem não cumpre parece que está lá no Supremo. Sem querer ser investigado”, atacou.

O ex-governador disse que as críticas feitas ao sotaque dele são extensivas aos mineiros e goianos, que têm semelhanças no falar. Depois disse que o ministro deveria se ocupar de outras prioridades, como a desigualdade econômica, e ironizou o alto custo da própria Corte. “Ele está na ‘ilha da fantasia’, Brasília”.

Zema disse que não teme ser considerado inelegível se for investigado pelo STF. “Se ele fizer isso [deixa-lo inelegível], o povo vai ficar ainda mais indignado”, afirmou, relacionando às pesquisas que indicam insatisfação popular com o STF.

O pré-candidato falou ainda de sua proposta de alterar o Supremo. “Só vai para o STF quem tem 60 anos ou mais, e idade máxima de 75, que é a mesma atual. Isso significa que o limite máximo de alguém lá seria 15 anos”, pretende, caso eleito.

Sem detalhar a que se referia, ele disse que há casos em que “a pessoa está interessada em contratos de milhões para resolver a sua vida, como tem acontecido lá, no Supremo Tribunal Federal, vamos deixar bem claro”.

Zema ainda disse que, se eleito, pretende acabar com decisões monocráticas no Supremo e rever a forma de nomeação de ministros para a Corte, defendendo lista tríplice com a participação de nomes indicados por órgãos como Congresso, Ordem dos Advogados e Ministério Público.

A reportagem busca ouvir o ministro Gilmar Mendes.


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