O senador e candidato ao governo Wilder Morais (PL) foi o primeiro entrevistado do programa Microfone Aberto, da Rádio Difusora, para a série sobre as eleições em Goiás, após o registro das chapas. Nesta terça-feira (18), o candidato focou em desqualificar as pesquisas, citar o exemplo das gestões de Iris Rezende (MDB) e dizer que pretende dar continuidade aos bons resultados do atual governo, defendendo a eleição de Flávio Bolsonaro a presidente, e evitando apresentar números e propostas fechadas caso seja eleito.
O programa foi transmitido ao vivo pela Rede Vale FM, em São Luís de Montes Belos, Rubiataba e Ipameri, além do canal no YouTub.
“Pesquisas têm para todo gosto e para todo bolso”, diz candidato
O candidato descredibilizou as pesquisas eleitorais que o colocam em terceiro lugar, bem distante principalmente do governador Daniel Vilela, candidato à reeleição pelo MDB. “Pesquisas têm para todo gosto e para todo bolso”, afirmou Wilder.
Depois, ele explicou sua descrença nas pesquisas citando que levantamentos de eleições anteriores também mostravam baixo desempenho de suas campanhas e ele terminou bem colocado nas urnas. “Em 2022, [as pesquisas] me colocavam em último (…), em quinto lugar. Então elas não têm acertado aqui em Goiás não, infelizmente. Quando chegou a eleição, nós chegamos em primeiro lugar (…) com quase 200 mil votos de diferença”, ilustrou.
Wilder se disse animado com o início da campanha e com a propaganda de rádio e televisão que inicia no próximo mês, embora reconheça que o PL não terá um espaço tão propício como o da chapa governista, “nem os compromissos que ele tem com 12 partidos”, ironizou. Até lá, destacou, vai continuar no corpo a corpo e aproveitando espaços de entrevista, como o desta terça. “Isso começa a dar visibilidade para o candidato”.
Wilder cita experiência em governos anteriores
Além das missões do mandato de senador, o candidato falou de suas experiências no Executivo. “Eu tive a oportunidade de ser secretário de Estado por duas vezes, uma secretária de infraestrutura de um governo (Marconi Perillo, em 2011), eu trabalhei muito pra poder se ajudar nessa área, e depois tive a oportunidade de ser secretário do Comércio (primeiro governo Ronaldo Caiado)”.
Sobre esse legado e sobre avaliações dos gestores que passaram pelo Palácio das Esmeraldas, Wilder evitou ataques. “Sou o único candidato que não critica nenhum governo. Eu participei deles. Agora, o que deu certo, nós temos que ter espaço para melhorar”, declarou.
Candidato destaca segurança, mas não apresenta números
Na mesma linha, Wilder Morais destacou os resultados na segurança pública. “Como que eu vou chegar aqui hoje e falar que a segurança pública não melhorou? Melhorou, agora tem muito espaço para melhorar mais ainda. Como que eu vou dizer que lá atrás, no governo de infraestrutura, as malhas viárias estavam todas danificadas e nós não construímos elas? Eu estava lá, não posso mentir para a população”, justificou.
Perguntado como ele fará para melhorar e o que o diferencia dos outros dois principais candidatos, Wilder primeiro citou as transformações realizadas nas gestões do ex-governador Iris Rezende, especialmente em relação à malha rodoviária estadual e habitação. Depois apontou a falta de policiais em vários municípios como um problema, mas não indicou como pretende resolvê-lo, dizendo que não possui os números oficiais do quadro.
“Hoje (…) alguns candidatos falam que é 100 cidades, outros falam que é 80 cidades, que não tem uma viatura e que não tem um policial. Isso está certo ou nós podemos melhorar? Nós vamos melhorar. Hoje, nós temos os índices de feminicídio que são dos mais altos”, afirmou o candidato. Segundo ele, não há como fazer uma proposta agora. “Eu não sei como que eu vou receber o governo, qual a situação financeira”.
Na saúde, Wilder promete criar o “SUS Goiano”
Em relação à saúde, Wilder disse que a demora para cirurgias é o grande problema. “Nas filas que nós temos são mais de 26 mil pessoas esperando cirurgias eletivas. Algumas cirurgias, [esperando] 2 anos, 2 anos e meio”, citou.
Perguntado como pretende resolver o gargalo, se for eleito, o candidato afirmou que pretende copiar um modelo adotado em São Paulo, apelidado de SUS Paulista. “Vamos criar o SUS Goiano. Nós vamos criar uma tabela de serviço para a gente entrar também com a iniciativa privada”, prometeu. Segundo ele, o sistema funciona com uma tabela local para a complementação de dinheiro estadual para ampliar a rede de atendimento que seria coberta exclusivamente com verba federal visando reduzir as filas por cirurgias.
Compromisso de “muitas” moradias e retomada de mutirões
Sobre moradia, Wilder destacou apenas que pretende fazer “muitas”. Questionado se isso não estava mais para uma carta de intenções do que uma proposta concreta, ele respondeu: “Como é que você sai fazendo conta sem saber se tem dinheiro?”. Ele seguiu, citando novamente Iris Rezende, pai da sua candidata a vice, Ana Paula Rezende, dizendo que o governo vai “voltar aos mutirões” – ação que notabilizou Iris nacionalmente. “Nós vamos construir cidades inteiras”, disse o candidato.
Candidato defende exploração de terras raras com preservação ambiental
Sobre meio ambiente e a exploração das jazidas goianas de terras raras, Wilder Morais foi taxativo: “Nós temos que fazer o nosso meio ambiente conviver com desenvolvimento. E esse é o nosso desafio aqui no Estado de Goiás. Porque essa riqueza precisa ser transformada em emprego”, destacou, frisando que essa transformação tem de ser com “todo respeito ao meio ambiente”.
Perguntado qual projeto pretende implementar para esse incremento na exploração dos minerais críticos se for eleito, o candidato disse que a intenção é “apoiar as pessoas que puderem vir aqui no Estado de Goiás. Hoje, se nós não apoiarmos, o Estado não for através disso, vai criando incentivo? Incentivo daqui a pouco acaba”.
Wilder cobra mais apoio ao agronegócio
Em relação ao agronegócio, novamente sem ser específico, o candidato reclamou mais apoio ao setor. “Nós temos que apoiar o agro. O agro hoje também se encontra endividado. Nós temos que fazer uma parceria com o agro”, afirmou. Depois, disse que, além de endividamento, o setor enfrenta um problema gravíssimo, que é a falta de energia.
Candidato defende Flávio Bolsonaro para presidente
Sobre o contexto político nacional das eleições, Wilder fez duras críticas ao governo do presidente Lula, atacando o Partido dos Trabalhadores e defendendo a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como a melhor opção em 2026. “Eu tenho certeza que quem ganha a eleição é o Flávio Bolsonaro (…) Se nós não retomar e tirar toda essa reforma tributária, nós vamos quebrar o Brasil, nós vamos ser Venezuela muito rápido”, afirmou Wilder Morais.
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