17 de agosto de 2022
Entrevista • atualizado em 26/06/2022 às 14:48

É tarefa de Caiado conduzir o “desfecho” para escolher candidato ao Senado, avalia Vilmar Rocha

Presidente do PSD avalia que Caiado deverá tentar aparar arestas para que o grupo saia fortalecido com a candidatura ao Senado
Vilmar Rocha junto com seu pré-candidato ao Senado, Lissauer Vieira (Foto: Divulgação)
Vilmar Rocha junto com seu pré-candidato ao Senado, Lissauer Vieira (Foto: Divulgação)

Presidente do PSD em Goiás, professor Vilmar Rocha avalia que o calendário eleitoral está chegando no momento de desfecho para as candidaturas majoritárias e que a pré-candidatura do presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), Lissauer Vieira tende a ser fortalecida a partir de agora. O advogado vê sua legenda caminhando com o União Brasil, do governador Ronaldo Caiado e o MDB, de Daniel Vilela, pré-candidato a vice-governador,  além de “outros partidos dessa aliança”.

Se Caiado ainda não bateu o martelo com relação ao candidato que o acompanhará na corrida pelo Senado, Vilmar Rocha avalia que a melhor coisa que o governador pode fazer, é buscar consensos para um único caminho, sem que haja fragmentações dentro da base. 

“Em Goiás, eu defendo a tese que o melhor seria fazer a coligação formal. Seria um acordo entre os partidos que estão ensaiando uma coligação como é o caso do União Brasil, do MDB, do PSD, do PP e outros. Fazer um acordo e lançar uma chapa única com governador e senador. Porque isso seria o conveniente? Se houver quatro candidaturas na chapa de governador, quem tem muitas não tem nenhuma”, pondera.

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Para Vilmar, múltiplas candidaturas da base ao Senado pode significar crise ao governador Ronaldo Caiado. “Além do mais, fica muito dificil a gestão da campanha. Fica litigiosa entre os quatro candidatos a Senador. De forma administrativa, jurídica, política. Isso vai trazer consequências negativas para a candidatura do governador. Não interessa a candidatura a governador em uma chapa pulverizada. Agora até o dia cinco de agosto, nos próximos cem dias, vai ser possível ou não fazer essa articulação? Essa união? Eu não sei, o tempo dirá. Mas não é legal.”

Caiado deve tentar unificar as candidaturas ao Senado, avalia Vilmar ROcha

Além da pré-candidatura de Lissauer Vieira (PSD), os nomes de Alexandre Baldy, do PP, dos deputados federais Zacharias Kalil e delegado Waldir, do União Brasil e o senador Luiz do Carmo, que busca a reeleição tentam caminhar com o governador Ronaldo Caiado na corrida para o Senado Federal. Para Vilmar Rocha, em algum momento o democrata deverá tomar para si o protagonismo na escolha e nas conciliações para unificação da candidatura.

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“Eu acho que em um determinado momento isso tem de acontecer. Pelo menos uma tentativa de fazer uma unificação. Se não der, tudo bem, aí cada um toma sua posição, mas tem de ser feito essa alternativa. Por enquanto, os candidatos ainda estão muito determinados a ser candidatos”, explicou. Para ele, alguns nomes já irão fazer suas próprias avaliações e abrir mão de suas candidaturas ao longo da campanha. Temos de esperar um tempo para ver se a ficha cai e se cada um faz uma avaliação das suas possibilidades e das alternativas que eles terão. Eu acredito que isso, de agora para frente, vamos entrar num momento de desfecho. Eu tenho a  impressão que muita gente vai pensar assim”

O caminho do PSD já está traçado: o fortalecimento de Vieira. “Nós temos uma diretriz e estamos executando essa diretriz que é trabalhar para fortalecer a candidatura do Lissauer, tanto no mundo político e partidário como na sociedade. Temos uma agenda de eventos que estão sendo cumprindo. O Lissauer tem cumprido uma agenda forte nesse sentido. Eu como presidente de partido também tô cumprindo essa agenda para fortalecer a pré-candidatura do Lissauer”, pondera.

Vilmar Rocha junto com seu pré-candidato ao Senado, Lissauer Vieira (Foto: Divulgação)

População irá avaliar as candidaturas ao Senado em um segundo momento, avalia Vilmar Rocha

Se na corrida eleitoral, Lissauer ainda está atrás de outros pré-candidatos da base, de acordo com pesquisas de intenção de voto, Vilmar minimiza o fato e justifica: para ele, Vieira tem apoio político e social. Também, o momento da população bater o martelo e escolher o nome para o Senado Federal ainda chegará. “As pesquisas devem ser levadas em conta. É um dado, mas não pode ser apenas esse dado como apoio político e social a candidatura. Nesse caso específico, eu acho que o Lissauer leva vantagem”, avalia Vilmar Rocha. 

“Outra coisa: o perfil do candidato que na hora H, a população, primeiro eles não dão muita bola para candidatura a Senador. As candidaturas que mais chamam atenção são as candidaturas de governador e presidente. Mas lá na frente, a hora que o grosso da sociedade dizer ‘tem candidatura a Senador, quem são os nomes?’. Ela vai avaliar o perfil do candidato e ai acho que o Lissauer leva a vantagem. Ele é o melhor”, postula.

Vilmar lembra da campanha que disputou ao Senado Federal, em 2014. “Às vezes você já tem centenas de exemplos disso: você está hoje bem nas pesquisas e amanhã não está. As pesquisas me davam em 2014, 19% e 20% das intenções de voto. Terminada a eleição tive 39%, quase 40%. As pesquisas devem ser consideradas, mas não podem ser isoladamente um fator determinante. Como todos nós sabemos, a pesquisa é uma fotografia do momento”, destaca. Naquele pleito, o professor teve 1 milhão de votos o equivalente a 37,52% dos votos. Caiado levou a cadeira.

Para Vilmar, a população está mais interessada agora em já fazer suas escolhas para os candidatos a presidente. “A sociedade só vai começar a definir para valer mesmo, no caso de senador ou governador, no fim de agosto para o inicio de setembro. É quando as pessoas começam a prestar atenção principalmente na candidatura de Senador. A candidatura de presidente é um pouco diferente. Como ela é muito polarizada, o número de eleitor que já definiu é maior”, destacou.

Visita de Kassab e a consolidação do apoio a Lissauer

Fundador e presidente da legenda, Gilberto Kassab esteve na última segunda-feira (20/06) em Goiânia. A agenda foi norteada em compromissos na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, casa presidida por Lissauer Vieira, mas também com uma esticadinha ao Palácio das Esmeraldas à convite do governador Ronaldo Caiado. No entanto, nenhum acordo foi firmado a partir dos encontros, assegura Vilmar.

“Kassab chegou cedinho e foi tomar café lá em casa. Tomamos um café, batemos um papo. O objetivo da visita do Kassab foi prestigiar, fortalecer e respaldar a pré-candidatura do Lissauer ao Senado. Foi por isso que nós marcamos todo o evento na Assembleia e fortalecer nossa chapa a deputados estaduais e federais. Foi um sucesso a vinda dele aqui”, explicou. 

“Eu liguei para o governador e falei que o Kassab estava querendo falar com ele. Ele convidou o Kassab para ir lá e acabamos indo lá, batemos um papo, sem nenhuma definição, até porque as decisões são daqui de Goiás, são nossas aqui. O que o Kassab fez foi respaldar isso. Dizer que o caminho que estavamos trilhando estava certo e que ele respalda. Foi muito positiva a vinda dele aqui, mas sem maiores decisões, apenas encaminhamentos”, 

Vilmar Rocha, ao lado do presidente e fundador do PSD, Gilberto Kassab: visita foi para fortalecer pré-candidatura de Lissauer Vieira (Foto: Divulgação)

“Ao delegado Waldir, com carinho…”

Sem o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) que ainda não cravou sua candidatura ao Senado ou ao Governo, o deputado federal delegado Waldir aparece na primeira posição. Rocha, frisa respeitar muito o parlamentar, mas também avalia: não há em Sores, perfil para o Senado Federal, ao contrário, ele poderá continuar fazendo um bom trabalho na Câmara dos Deputados.

“Eu acho que o delegado Waldir, respeito a pré-candidatura dele, ele é deputado federal, foi duas vezes muito bem votado. Eu o respeito. Eu gosto dele. Na eleição de 2014 ele me ajudou na minha candidatura ao Senado. Não é nada pessoal. Eu acho que o perfil do delegado Waldir é mais para ser deputado federal e não para ser senador. Eu faria isso, com carinho. Ao delegado Waldir, com carinho. Não é partidarismo, é com carinho. Ele tem o perfil melhor para ser deputado federal.”