A Prefeitura de Aparecida de Goiânia recebeu, nesta quinta-feira (19), a licença de operação do aterro sanitário municipal, após um ano de intervenções para corrigir irregularidades ambientais e estruturais. A unidade havia sido embargada anteriormente pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), que também aplicou multa ao município devido às condições de funcionamento.
A regularização permite que o aterro volte a operar dentro das normas ambientais, garantindo a destinação adequada dos resíduos sólidos de uma cidade com cerca de 600 mil habitantes.
Situação encontrada
Segundo o prefeito Leandro Vilela, a atual gestão assumiu o aterro em cenário crítico. “Nós encontramos o aterro assim como encontramos a cidade: totalmente abandonado, com muitas irregularidades e problemas que traziam consequências à população”, afirmou.
O prefeito destacou que a situação exigiu uma força-tarefa técnica ao longo de um ano. “Foi um ano de muito trabalho, de dedicação, para que a gente pudesse chegar a esse momento e ter o maior aterro público do Estado de Goiás licenciado e operando dentro da legalidade”, disse.
A secretária estadual Andrea Vulcanis confirmou que o local estava irregular. “O aterro chegou a ser embargado pela Secretaria e o município levou multa em razão das condições que tinha”, afirmou.
Irregularidades e correções
Entre os principais problemas identificados estavam falhas no tratamento do chorume, líquido gerado pela decomposição do lixo, risco de contaminação do solo e do lençol freático, além de ausência de controle adequado dos resíduos.
Vilela detalhou que o tratamento inadequado poderia gerar impactos ambientais graves. “Se o chorume não for tratado com produtos químicos, essa água pode chegar aos mananciais com alto nível de contaminação. O mesmo ocorre com o lençol freático, se o aterro não for bem executado”, explicou.
De acordo com a gestão municipal, cerca de 80 pontos de irregularidade foram corrigidos. “Foram dezenas de condicionantes vencidas e regularizadas para que pudéssemos chegar a esse momento”, afirmou o prefeito.
Ele também ressaltou as mudanças operacionais já perceptíveis. “Hoje você está em um aterro sanitário e não vê mosca, não vê mosquito. Isso porque o lixo é colocado, compactado e coberto, há controle de gases e tratamento adequado”, disse.
Impacto na saúde pública
O prefeito destacou que a regularização vai além da questão ambiental e tem impacto direto na saúde da população. “Isso é respeito com a cidade. Aqui não é só meio ambiente, é saúde pública. Precisamos tratar isso com responsabilidade”, afirmou.
Impacto financeiro e risco evitado
A manutenção do aterro regularizado também evita custos adicionais ao município. Segundo Vilela, a alternativa de destinar resíduos a aterros privados poderia gerar forte impacto financeiro.
“O custo operacional hoje é de cerca de R$ 2,5 milhões por mês. Se tivéssemos que manter esse custo e ainda pagar por um aterro privado, isso traria um impacto muito grande para a cidade”, explicou.
Ele também lembrou o cenário financeiro encontrado pela gestão. “Assumimos a cidade com cerca de R$ 500 milhões em dívidas e diversos serviços comprometidos, inclusive a coleta de lixo, que chegou a ficar semanas sem ser realizada”, disse.
Próximos passos e desafios
Apesar da regularização, a licença ambiental prevê novas exigências que deverão ser cumpridas. “A licença tem condicionantes que precisamos continuar atendendo. Não podemos retroceder, precisamos avançar e melhorar cada vez mais”, afirmou o prefeito.
Entre os desafios está a ampliação da capacidade do aterro, que já se aproxima do limite de vida útil. “Será necessário abrir novas células para garantir a continuidade da operação e evitar prejuízos à coleta de lixo”, explicou.
A gestão municipal afirma que seguirá monitorando o funcionamento da unidade e investindo em melhorias para manter a conformidade ambiental.
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