O pragmatismo vai ser mais importante do que a ideologia na eleição, especialmente diante do extremismo político atual. Quem afirma é o senador Vanderlan Cardoso, pré-candidato à reeleição pelo PSD na chapa governista.
Em entrevista nesta segunda-feira (25) ao programa Microfone Aberto, da Rádio Difusora, ele questionou o extremismo ideológico. “A população está vendo que isso não leva a lugar nenhum. Eu ouvi uma frase esses dias, e é minha essa frase: ‘o extremismo é o primeiro passo para o precipício’”, afirmou.
O senador reclamou da ausência de discussões sobre os problemas e projetos que importam para o país. “Não estou vendo quase ninguém discutindo o país. Projeto de país, quem está discutindo? Eu não vejo”, afirmou Vanderlan.
Ele exemplificou com a novidade do momento, envolvendo a exploração de terras raras. “A gente deveria estar tirando proveito, [mas] virou motivo de embate, de briga, de confusão. (…) Nós estamos vendo aí bilhões de investimentos estrangeiros querendo vir para o país, a gente precisa dar segurança jurídica para os data centers, inteligência artificial e tudo mais. Ninguém está discutindo isso não”, apontou.
O senador foi incisivo em questionar certas defesas por motivação ideológica que têm sido feitas. “Há discussão muito agora, do ‘meu bandido é melhor do que o seu’, ‘o meu presidiário é melhor do que o seu’. Tem umas discussões nesse sentido. Mas quando você fala assim, o que você tem de projeto para o país?”, reforça.
Ao falar em pragmatismo Vanderlan Cardoso exemplificou com o trabalho para direcionamento de emendas parlamentares para unidades de saúde, mantendo a fiscalização depois, para que não haja desvios. “Tem parlamentar aí que é oba-oba, mas eu tenho certeza que nunca entrou no Araújo Jorge, no Hospital do Câncer, para ver aquelas alas super lotadas ali. Ou no Hospital do Câncer de Rio Verde, ou de Jataí ou no Hospital das Clínicas, ou tem ido lá nas nossas universidades para ver o que eles estão precisando” citou.
Ele insistiu na crítica: “Parlamentares, [têm condições de colocar recursos de suas emendas, não é só ficar falando de emendas, mas o dinheiro que chega numa universidade para pesquisa, como esta aqui de doenças raras, na nossa universidade, ou até mesmo para ajudar a comprar computadores para os nossos estudantes e pesquisadores terem mais condição de acelerar as pesquisas. Então tem muita frente de trabalho, tem muito o que mostrar através do seu mandato, não é ficar em discussões que às vezes não levam a nada”, continuou.
Efeito Vorcaro
Perguntado sobre o efeito das revelações envolvendo o pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) e o agora ex-banqueiro Daniel Vorcaro Vanderlan Cardoso comentou que as consequências já são percebidas. “As pesquisas já mostraram, a última acho que foi Datafolha, já mostrou que houve um baque, porque o cidadão mesmo, aquele que está pensando, que está observando todos aqueles que estão pleiteando cargo, ainda mais um cargo como esse, de Presidente da República [se pergunta] qual que é a conduta do cidadão? O que ele está fazendo?”.
Ele continuou frisando as explicações sem consistência já prestadas. “A partir do momento que foi divulgado que um candidato como o Flávio, vai lá, no dono do Banco Master, pedir um dinheiro daquele para patrocinar um filme e estava em sigilo, sigilo por quê? Você já pensou um cidadão sendo eleito, Flávio sendo eleito, depois essa conta, que tamanho que ela vai ser para nós, os brasileiros? Por esse favor de alguns milhões de reais, é o que apareceu até agora, pode ser que tenha vindo, vai vir mais coisas aí, entendeu?”, alertou.
Nesse ponto, Vanderlan lamentou que esses fatos reforçam o senso cada dia mais comum de que “todo político rouba, todo político desvia”. “Eu não desvio, pode pegar aí 22 anos [como político], pode ir a qualquer lugar onde eu coloquei emenda, em municípios, em qualquer lugar, ver se há alguma entidade que nós ajudamos, filantrópica, hospitais e tudo mais, se tem algum desvio, porque além de destinar, eu fiscalizo, nossa equipe fiscaliza, eu quero saber se o dinheiro foi aplicado, entendeu?”, sinalizou.
Sobre o processo eleitoral, ele lembrou que concorre não apenas com nomes de outros partidos, mas também três nomes da base governista – Gracinha Caiado (UB), Zacharias Calil (MDB) e Alexandre Baldy (PP). Mas Vanderlan disse que está tranquilo e confiante. “Eu acho que quem tem serviço prestado não tem que sse preocupar com isso e ficar escolhendo adversários. Na verdade, [os três] estão na base, mas são adversários, né? Porque eles estão de olho aí no meu mandato”, analisou.
Vanderlan Cardoso disse que está confiante no resultado de sete anos como senador. “Tenho procurado corresponder a confiança que o eleitor depositou em mim, em 2018 ainda, quando eu fui eleito. Então, eu tenho serviço prestado nos 246 municípios, nas nossas entidades filantrópicas, no terceiro setor, no nosso estado de Goiás e no Brasil, com projetos e matérias importantes, em relatorias e comissões importantes para o nosso país, né? Em especial nosso estado. Então, não me preocupo com isso, não. Pode ter cinco, seis, sete, oito [candidatos a senador]. Em 2018 foi assim também”.
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