A Universidade Federal de Goiás (UFG) realiza, nos dias 5 e 6 de fevereiro, o 1º Seminário Internacional Universidades e Agricultura Familiar, evento que reúne pesquisadores, gestores públicos e representantes institucionais para discutir o papel das universidades na construção de políticas públicas voltadas à soberania e à segurança alimentar. A abertura institucional acontece na quinta-feira (5), às 11 horas, no Salão Nobre da Faculdade de Direito da UFG, com a presença do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias.
A iniciativa integra as ações da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, criada pelo governo brasileiro em 2024, no âmbito do G20, da qual a UFG foi uma das primeiras universidades federais a aderir.
Universidade e agricultura familiar: vínculo histórico
Em entrevista concedida nesta quinta-feira ao editor-chefe do Diário de Goiás, Altair Tavares, a coordenadora-geral do seminário, professora Rejane Ribeiro Rotta, destacou que a relação entre universidades e agricultura familiar é histórica e está diretamente ligada à produção de conhecimento para a solução de problemas sociais. Segundo ela, é nas universidades que se desenvolvem pesquisas capazes de responder a desafios concretos, como a insegurança alimentar.
De acordo com a professora, esse vínculo ganhou ainda mais força com políticas públicas recentes, especialmente após o lançamento da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. “A universidade sempre produziu conhecimento para enfrentar problemas reais. No caso da agricultura familiar, esse trabalho se intensificou com as ações governamentais e com a criação da Aliança Global, da qual a UFG foi uma das três primeiras universidades brasileiras a participar”, afirmou.
Mapeamento de políticas públicas
Rejane explicou que, dentro da Aliança Global, foi criado um comitê de cooperação acadêmica estruturado em três pilares, no qual as universidades têm a missão de mapear e analisar políticas públicas e experiências exitosas baseadas em evidências. Cada instituição ficou responsável por uma região ou país, com o objetivo de identificar iniciativas que possam ser replicadas em contextos onde a fome e a pobreza ainda são desafios estruturais.
Nesse contexto, a UFG coordena o levantamento de políticas públicas voltadas à agricultura familiar na América Latina, com ênfase nos países do Mercosul. “Existe uma metodologia para filtrar essas experiências e identificar quais políticas podem compor a cesta de ações da Aliança Global e serem implementadas em outros países”, explicou.
Segurança alimentar e dignidade
Para a coordenadora, a segurança alimentar vai além do acesso aos alimentos e está diretamente relacionada à qualidade da alimentação e às condições de vida da população. “Não se trata apenas de ter o que comer, mas de garantir uma alimentação que sustente o indivíduo, que assegure dignidade para o trabalho e para o exercício pleno da cidadania”, destacou.
A programação do seminário inclui plenárias, conferências e grupos de trabalho organizados em quatro eixos temáticos, que vão desde soberania e segurança alimentar até assistência técnica e extensão rural participativa. Segundo Rejane Ribeiro-Rotta, os grupos de trabalho serão espaços estratégicos de diálogo e troca de experiências, com foco na construção coletiva de propostas que fortaleçam a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.
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