16 de julho de 2026
REAÇÕES FORTES • atualizado em 03/06/2026 às 10:56

“Traição ao Brasil” explode nas redes; vídeo mostra Cristo Redentor brigando pelo Pix

Levantamento registra 15 milhões de interações nas redes e aponta forte mobilização em defesa da soberania brasileira; vídeo exibe Estátua da Liberdade tomando surra do Cristo Redentor em defesa do Pix
Imagem da reunião publicada por Trump na terça selou ainda mais ligação entre punições ao Brasil e família Bolsonaro - Foto: divulgação Casa Branca
Imagem da reunião publicada por Trump na terça selou ainda mais ligação entre punições ao Brasil e família Bolsonaro - Foto: divulgação Casa Branca

Um levantamento feito pela AtivaWeb Datalab divulgado pela coluna de Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo, mostra que a rejeição aos embates entre o governo de Donald Trump contra o governo Lula, estimulados pela família de Jair Bolsonaro (PL), explodiu nas redes sociais com 15 milhões de interações até a tarde de terça (2). Do total, 78% foram de “sentimento negativo” contra Trump e a família Bolsonaro. Outras 11,7% expressavam sentimentos positivos, e 10,3%, neutros.

Soberania brasileira extrapola partidos

De acordo com a análise da AtivaWeb DataLab, a defesa da soberania nacional foi o principal estímulo à rápida mobilização nas plataformas digitais. “A defesa da soberania nacional tornou-se o principal vetor de mobilização emocional”, afirma o relatório.

O estudo também concluiu que esse tema foi capaz de ultrapassar divisões partidárias e reunir manifestações de diferentes grupos políticos.

“Com 74,2% de sentimento positivo, foi o único bloco narrativo a gerar consenso amplo. O tema transcendeu o debate partidário e conectou eleitores de diferentes espectros políticos em torno de um ideal comum”, registra o documento.

Rejeição aos Bolsonaro

O levantamento identificou crescimento expressivo das menções que relacionavam a família Bolsonaro aos interesses nacionais. Segundo a AtivaWeb, esse foi um dos movimentos mais relevantes observados durante o monitoramento.

Entre as publicações que citavam os irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro – respectivamente senador e pré-candidato a presidente do Brasil, e ex-deputado federal do PL que vive nos EUA – 69% apresentaram sentimento negativo. As manifestações positivas representaram 18%, enquanto 14% foram classificadas como neutras.

O relatório atribui esse resultado à percepção de que disputas políticas internacionais poderiam provocar impactos econômicos para o Brasil.

Trump é alvo

Donald Trump também figurou entre os personagens mais criticados nas discussões monitoradas. Segundo a análise, a rejeição observada não estava relacionada ao debate internacional de forma geral, mas às atitudes atribuídas ao presidente e à percepção de interferência nos interesses brasileiros.

“O presidente americano apareceu como um dos principais personagens do debate. Aqui, o sentimento negativo não se dirige ao tema internacional em si, mas às ações de Trump, à sua pressão sobre o Brasil e à interferência percebida nos interesses brasileiros”, diz o relatório.

A AtivaWeb conclui que a desaprovação cresce quando o debate aborda possíveis efeitos econômicos e políticos para o país.

“Por isso, a rejeição cresce de forma significativa, chegando a 62,9%, especialmente quando o debate destaca impactos econômicos e políticos para o país”, afirma o documento.

Memes de “Tariflávio”

O levantamento não aborda, mas as manifestações de indignação geraram inúmeros memes ligando o senador às medidas punitivas, ligação reforçada pelo próprio presidente dos EUA. Trump publicou na terça uma foto do encontro que manteve com Flávio e Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal e irmão do senador, na semana anterior.

Depois desse encontro, em tom festivo, Eduardo sinalizou que além do assunto “facções criminosas” outras medidas recairiam contra o Brasil. Dois dias depois, veio o novo tarifaço, fazendo com que o pré-candidato do PL passasse a ser chamado de “Tariflávio” nas redes sociais, com direito a hashtag para gerar engajamento contra suas atitudes.

Nesta quarta-feira, um vídeo feito com inteligência artificial (ao final) – similar a outro que é atribuído ao governo iraniano -, passou a circular no Instagram mostrando a Estátua da Liberdade agredindo a estátua do Cristo Redentor e esta revidando até a vitória. No vídeo, cartões de crédito com a bandeira de uma operadora dos EUA são lançados contra a estátua brasileira que surge como defensora do Pix, outro alvo das taxações de Trump.

Carta não convence

Diante da bola de neve que aumentou os atropelos de sua pré-candidatura – iniciados após as revelações de que recebeu dinheiro do banqueiro investigado Daniel Vorcaro -, na noite de terça, Flávio Bolsonaro tentou mais uma vez se desvencilhar da taxação. Ele anunciou que enviou uma carta aos EUA pedindo para que as empresas brasileiras fossem poupadas pelo governo norte-americano. Mas sua imagem fica cada vez mais ligada ao assunto e o próprio teor da missiva não foi levado a sério por muitos analistas políticos.

O jornalista Octávio Guedes, comentarista da GloboNews, por exemplo, disse durante um programa que o mais importante da carta de Flávio é quando ele exalta primeiro Deus, depois os Estados Unidos (“América”) e só depois o Brasil. “Então o Flávio Bolsonaro é candidato a preposto do Trump, porque primeiro fala da América e depois, se tiver tempo, fala do Brasil. É uma carta de submissão, uma carta em que ele diz ‘respeito mútuo e mercado livre’. Tem que avisar o Flávio Bolsonaro que quem não gosta de mercado livre e quem não tem nenhum respeito a outros países, é o Trump que diz que o Canadá tem que ser anexado. Que respeito mútuo é esse?”, comentou.

O vídeo circula especialmente em perfis de esquerda como o @euinelegivel.


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