19 de junho de 2024
Cidades • atualizado em 05/09/2020 às 10:15

“Total desrespeito às regras e protocolos”, diz Caiado sobre a região da 44

Caiado não gostou nada do que viu em sua rápida visita à 44
Caiado não gostou nada do que viu em sua rápida visita à 44

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM-GO) esteve na manhã da última sexta-feira (04/09) na região da Rua 44, em Goiânia e não ficou contente com o que viu. Ele tornou público o sentimento na live que concedeu em suas redes sociais ao final do dia. “Hoje pela manhã, eu passei lá na 44. Eu fico muito alegre não. Eu quero pedir à vocês. Fizemos um acordo e vocês assinaram um termo de acordo”, ressaltou alegando que os comerciantes não estão cumprindo aquilo que foi estabelecido nos decretos de reabertura do comércio.

O descontentamento é geral. Os lojistas, segundo o governador, não estão cumprindo as regras de distanciamento social limitando a quantidade de clientes atingidos e os visitantes, sequer utilizando máscaras. “As pessoas abrindo a porta pela metade, entrando muita gente dentro daquele ambiente restrito. Estamos assistindo as pessoas pela rua toda, muitas sem usar a máscara. Algumas usando a máscara no queixo. Para que serve uma máscara no queixo?”, enfatizou.

Chegou a dizer que a região da 44 é uma das disseminadoras do novo coronavírus na capital. Mais ainda: existem excursões vindas de outras cidades que tentam esconder os ônibus em cidades vizinhas. “Quando você dissemina o vírus, passa na 44, e o pior, não dá mais para ficar com esse jogozinho de esconder o ônibus em Senador Canedo, em Aparecida e vir para cá, sem que as pessoas tenham uma condição de apresentar pelo menos um laudo negativado do vírus. Eu peço à vocês: não façam isso. Vamos ter a responsabilidade que sempre tivemos”, solicitou.

Por fim, disse que irá aumentar o rigor na fiscalização da região e ressaltou que os empresários ali agem com desrespeito. “Vamos fiscalizar e intensificar mais. Hoje ao passar pela 44 eu não gostei. As coisas ali tomaram um rumo de total desrespeito às regras e portarias que estão colocadas e nós precisamos de contribuir também com a população”, pontuou.

Isolamento foi importante para minimizar resultados

Caiado também respondeu às críticas que recebeu por ter decretado o isolamento social em março. “Fomos o primeiro estado do Brasil a fazer. Conseguimos o isolamento social de quase 70% da população e muita gente contestou aquilo”, pontuou. Destacou no entanto, que não tomou nenhuma decisão sem ter “conhecimento profundo da matéria”. “Além de médico que sou, eu busquei as melhores cabeças e as melhores experiências no mundo todo. E o que a gente precisa numa pandemia? Precisamos sempre de alongar o tempo para que a gente possa ter as condições de atender a população”, explicou.

E quando se provoca o isolamento social, a possibilidade em estruturar e melhorar as condições de atendimento à população também são maiores. “Quando estendemos o tempo, passamos a ter a chance real, de fazer com que as pessoas pudessem ter os hospitais estruturados em vários pontos e ao mesmo tempo fizemos com que as pessoas pudessem ser atendidas dignamente.”

“Eu fico realizado porque nós não vimos nenhum paciente que precisasse da UTI que não tivesse uma UTI.”

O isolamento permitiu que a Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO) tivesse experiência para lidar com o vírus e adotasse os melhores protocolos. “Hoje nós já temos uma experiência, sabemos qual o melhor protocolo e os medicamentos que estão dando certo. […] É uma virose que nós nunca vimos nada igual, ninguém sabia como manipular, qual era o melhor protocolo, o que se fazer naquela hora. É importante que vocês entendam, que o tempo para nós, foi primordial. Foi fundamental”, enfatizou.

Educação

No atual cenário, porém, mesmo ansioso para que os estudantes retornem às escolas e vejam os investimentos feitos pelo Estado na melhoria das unidades, com reformas e ampliações, o governador anunciou que pretende aguardar a disponibilização da vacina contra a Covid-19 para a retomada das aulas. “Será um debate nacional, mas a minha posição é de que as aulas devem só ser anunciadas no momento em que tivermos a vacinação. É indiscutível que vai ter aglomeração”, apontou. 

Enquanto isso, os alunos da rede estadual recebem todo o suporte necessário para continuar os estudos mesmo de forma remota, com aulas transmitidas pela TV Brasil Central (TBC), Rádio Brasil Central (TBC) e pela plataforma on-line GoiásNet. 

“Quando começar um novo ano letivo, vamos ver as crianças todas uniformizadas, com mochila, tênis, todo mundo igual, para mostrar que a diferença tem que ser no aprendizado. Então, o Estado precisa dar essa igualdade de oportunidade,” destacou sobre investimentos no setor. 

Associação garante cumprimento

Em nota enviada ao Diário de Goiás, a Associação Empresarial da Região da 44 (AER44) afirmou que tem compromisso e respeito com as normas de segurança sanitárias.

Conforme a representação dos lojistas, as aglomerações citadas pelo governador estão em vias públicas e não dentro dos empreendimentos. A AER44 cita ainda que a conduta individual, relativa ao uso de máscaras nas vias, deve ser fiscalizada pela prefeitura.

Veja a nota na íntegra

A Associação Empresarial da Região da 44 (AER44), antes mesmo da retoma das atividades no polo comercial, criou uma comissão de saúde que tem orientado e acompanhado continuamente sobre a necessidade do cumprimento dos protocolos de saúde exigidos pela autoridades. As poucas aglomerações que são registradas na região ocorrem em vias públicas e não dentro dos empreendimentos e lojas. A fiscalização nas vias públicas e da conduta individual de cada pessoa, em especial em relação ao uso de máscaras, é uma prerrogativa dos órgãos fiscalizadores da prefeitura de Goiânia.

A AER44 reafirma seu compromisso de respeito a normas de segurança contra a pandemia da Covid-19 e espera que a autoridades públicas, entre elas o governador do Estado, não puna micro e pequenos empresários que estão fazendo a sua parte.


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Domingos Ketelbey

Jornalista e editor do Diário de Goiás. Escreve sobre tudo e também sobre mobilidade urbana, cultura e política. Apaixonado por jornalismo literário, cafés e conversas de botequim.