O piloto que comandava um voo da companhia aérea Azul que seguia de Curitiba para Viracopos, em Campinas (SP), precisou de atendimento médico ao apresentar sinais de convulsão. O copiloto assumiu o controle. O incidente ocorreu na noite da última quarta-feira (3) no voo AD2966, forçando um pouso de emergência às 21h. O avião é um Embraer 195-E2, com capacidade para mais de 130 passageiros.
Um médico que estava a bordo do voo no momento da ocorrência prestou socorro ao piloto, segundo informou o site especializado Aerolin na sexta-feira (5). Segundo a publicação, uma gravação publicada pelo Aeroradar, informou que o copiloto chegou a reportar a chamada de emergência “mayday” para o controle de tráfego aéreo antes do pouso.
Em nota, segundo também a CNN Brasil, a Azul informou que enquanto o médico socorria o tripulante a bordo, o voo prosseguiu normalmente e pousou no aeroporto de Viracopos em segurança. Entretanto, o canal informou que quem passou mal foi o copiloto. “O Aeroporto Internacional de Viracopos informou à CNN Brasil que a pista de pouso foi reservada às 21h27 para atendimento das equipes do aeroporto para a ocorrência e a aeronave pousou às 21h38 sem maiores intercorrências”, divulgou o canal de notícias.
Ainda segundo a CNN, após a equipe médica entrar no avião, concluiu que o tripulante encontrava-se estável. Mesmo assim, ele foi encaminhado para o ambulatório do aeroporto para avaliações médicas. “O tripulante foi liberado na mesma noite após os atendimentos médicos.”
Reportagem destaca “saúde mental dos pilotos brasileiros”
Embora o caso ainda esteja sendo analisado, a CNN Brasil pontuou que o cansaço dos tripulantes acarreta problemas na saúde mental, segundo pesquisa interna do sindicato da categoria, realizada em 2024. Cerca de 95% dos entrevistados já se sentiram cansados e não notificaram as companhias aéreas; pelo menos 73% não se sentem confortáveis em fazer o reporte e mais da metade (57,63%) relatou ter dormido em serviço por alguns segundos. O levantamento ouviu 4.359 profissionais, entre pilotos e comissários.
O cansaço dos pilotos acontece em meio ao crescimento da aviação nacional. O país bateu o recorde de transporte aéreo com 130 milhões de passageiros, em 2025, pela primeira vez superando números pré-pandemia.
Somente no carnaval de 2026, foram mais de 2,1 milhões de passageiros, um crescimento de 10% em relação ao mesmo período do ano passado. É o melhor desempenho do setor para o feriado nos últimos 25 anos.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o burnout é concebido como um resultante do estresse crônico no ambiente de trabalho e que não foi gerenciado com sucesso. A síndrome é caracterizada por três dimensões, sendo elas: sensação de esgotamento ou exaustão, aumento do distanciamento mental em relação ao trabalho e redução da eficácia profissional para dar respostas certas e rápidas.
MPT dá prazo à Anac para norma sobre fadiga
O Ministério Público do Trabalho (MPT) despachou em maio deste ano um procedimento que dá um prazo de 30 dias para que a Agência Nacional da Aviação (Anac) revise a norma sobre o controle de fadiga dos pilotos da aviação brasileira.
O pedido também provoca os sindicatos patronais do setor a apresentarem um posicionamento sobre o uso de substâncias psicoativas pelos tripulantes.
A questão da fadiga desses profissionais foi mostrada em reportagens do Diário de Goiás em 2023 e 2024 a partir de uma ação do MPT com atuação em Goiás movida contra sete empresas de táxi aéreo que operam no estado. Na época, em 2023, o Sindicato Nacional da categoria confirmava que a situação irregular de muitos pilotos, expunha os profissionais a fadiga, e que isso era uma realidade nacional.
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