16 de julho de 2026
SAÚDE

O que é o hantavírus: entenda o surto que causou mortes em cruzeiro

Organização Mundial da Saúde investiga mortes ligadas a navio e a voo recente. Entenda a dinâmica de transmissão, sintomas e os riscos da doença
A inalação de partículas de roedores em locais fechados é a principal via de contágio do hantavírus, que causou mortes em cruzeiro. Foto: Freepik
A inalação de partículas de roedores em locais fechados é a principal via de contágio do hantavírus, que causou mortes em cruzeiro. Foto: Freepik

Um episódio envolvendo um cruzeiro que partiu da Argentina com destino a Cabo Verde trouxe um alerta sobre a disseminação de doenças infecciosas em viagens marítimas. Ao menos três pessoas morreram a bordo do navio MV Hondius, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) conduz investigações sobre a possibilidade de um surto de hantavírus.

Apesar do temor inicial, o órgão internacional de saúde ressaltou que não há motivos para pânico, afirmando que o risco para o público geral é considerado baixo. Mas o episódio levantou dúvidas médicas importantes: afinal, como a infecção ocorre, quais são os sintomas e qual é a gravidade da doença? O Diário de Goiás reuniu as principais informações sobre o vírus. Confira:

O que é o hantavírus e como ocorre a transmissão?

O hantavírus não é um agente infeccioso novo. Trata-se de uma família de vírus transmitida principalmente por roedores silvestres.

O contágio humano ocorre de forma acidental, sobretudo pela inalação de aerossóis contendo partículas de saliva, fezes ou urina de animais infectados.

Ambientes fechados e com alta circulação de poeira ou resíduos de roedores – como cabines, galpões e porões de embarcações – são locais de maior vulnerabilidade.

Imagens da Associated Press mostraram profissionais de saúde com equipamentos de proteção individual realizando a evacuação de três pacientes do navio para a Holanda.

Segundo a OMS, a transmissão de pessoa para pessoa, embora possível, é classificada como rara. Investigadores argentinos apontam a região de Ushuaia, na América do Sul, como possível foco inicial para o casal holandês.

Doenças causadas e evolução dos sintomas

A infecção pelo hantavírus pode desencadear dois quadros clínicos distintos no organismo humano:

  • Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (FHSR): Mais prevalente no continente europeu e na Ásia.
  • Síndrome Pulmonar por Hantavírus (SPH): Predominante nas Américas e foco da investigação atual.

Estágios da Infecção

A síndrome pulmonar é uma condição grave que ataca diretamente a capacidade respiratória do paciente. Os sintomas se manifestam entre uma a oito semanas após o contágio inicial.

  1. Fase Inicial: Apresenta-se com sintomas semelhantes aos da gripe ou dengue, incluindo fadiga, febre, dores musculares (mialgia), dores de cabeça intensas, tontura e problemas gastrointestinais.
  2. Fase Avançada: Evolui rapidamente para insuficiência respiratória severa, com falta de ar e, em casos extremos, insuficiência cardíaca.

Não existe um antiviral específico para o combate do hantavírus. O protocolo médico consiste em suporte intensivo, repouso, hidratação e controle dos sintomas. A taxa de letalidade da forma pulmonar é alta, girando em torno de 38%.

Panorama da doença no Brasil

No Brasil, os casos estão historicamente associados a áreas rurais ou de manejo florestal e agrícola. Dados do Ministério da Saúde apontam que, entre 2007 e 2024, foram confirmados 1.386 casos da doença, resultando em 540 óbitos.

A OMS orienta que, mesmo com a gravidade do quadro, a circulação habitual de viajantes não deve sofrer restrições, uma vez que as medidas de biossegurança nos portos e navios são suficientes para evitar o alastramento.


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