27 de maio de 2022
Destaque • atualizado em 27/01/2022 às 12:47

‘Surpresa’ e ‘força política’: veja a opinião de analistas políticos sobre a pesquisa Serpes/Acieg

Mendanha, Marconi e Caiado são os destaques da pesquisa. (Foto: Reprodução)
Mendanha, Marconi e Caiado são os destaques da pesquisa. (Foto: Reprodução)

Analistas políticos divergem sobre o cenário relatado na pesquisa Serpes/Acieg, divulgada na noite desta quarta-feira (26). O levantamento, realizado em janeiro, aponta o governador Ronaldo Caiado (DEM) liderando a estimulada, com 37% das intenções de voto, seguido por Marconi Perillo (PSDB), com 14,1%, e Gustavo Mendanha (sem partido), com 13%.

Para o cientista político Guilherme Carvalho, o Palácio das Esmeraldas deve ficar em alerta com a soma de quase 30% em candidatos oposicionistas. “Acho que a estimulada traz um retrato de uma força da oposição que não sei nem se o próprio governador tinha ciência. Me parece uma grande vitória de Marconi Perillo e Gustavo Mendanha, que têm, juntos, quase 30%”, destaca.

Por outro lado, Cristian Júnior vê Marconi Perillo como o grande vencedor dessa primeira rodada. “Mostrou que o Marconi tem grande capacidade de reafirmar sua imagem. Isso o traz de volta para o jogo político. É um resultado surpreendente. Quem imaginava que ele fosse empatar com Gustavo Mendanha? Ele estava fora do jogo político por conta do desgaste nos últimos anos como governador, as investigações e sua derrota acachapante para o Senado. Isso mostra uma capacidade de se ressignificar. Ele soube capilarizar os votos dos insatisfeitos com Caiado. Parte dos votos podem ser de bolsonaristas desiludidos com a postura de Caiado em relação a Bolsonaro”, argumentou.

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Sob outro prisma, José Elias Domingos vê Caiado folgado na liderança e a consolidação de uma chapa que promete ser forte. “Essa pesquisa não me traz tantas surpresas. Ronaldo Caiado, aparecendo com 37%, se credencia para ser o candidato mais forte e vem numa toada de fazer que alguns antigos adversários entrem na sua campanha, agregando capital político e eleitoral. Um exemplo é o próprio Daniel Vilela. Espera-se muito que essa dobradinha venha forte. É um indicativo dessa força política que eles possuem em Goiás”, analisa.

Muitas variáveis

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As eleições são só em outubro e isso, dizem os analistas, ainda impactará muito no cenário. Cristian, por exemplo, vê um campo para Marconi crescer. “Ele tem uma margem que pode trabalhar, que é da insatisfação com atual gestão e do tradicionalismo. Tenho plena convicção que parte da insatisfação é da postura de Caiado frente a Bolsonaro. Para o público bolsonarista, queimou o filme do Caiado. Isso atrai votos para a velha política. Ele tem chances de vencer, e isso é surpreendente”, avalia. Por outro lado, ele diz que Mendanha ainda não trouxe “para si a representação de alguma parcela dos eleitores bolsonaristas” e diz que o prefeito tem de “vocalizar uma oposição ao governo Caiado, que ainda não ficou muito clara”.

Domingos, em contrapartida, ressalta que a participação de Perillo na corrida pelo Palácio das Esmeraldas sequer é certa. Ademais, ele vê o tucano com poucas chances. “Ele teria que lutar contra a rejeição, que é de um quarto do eleitorado, e essa distância grande para Caiado”. O analista pondera ainda que Mendanha “precisa acordar e fortalecer ferramentas de divulgação de suas obras, como Caiado tem feito”. O cientista político reforça ainda que, mesmo distante do presidente, o governador “ainda nutre de simpatia de parte do bolsonarismo”.

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Por sua vez, Guilherme Carvalho considera os índices de rejeição baixos, principalmente em comparação com o cenário nacional. Porém, o analista vê em Gustavo Mendanha o maior potencial de crescimento.

“Ele está com rejeição de 3,5%. O espaço amostral para crescimento dele é muito grande. Não sei se vai haver uma articulação da oposição em torno dele. Acho que seria uma estratégia muito errada. A ideia é fragmentar os votos e levá-los para o segundo turno. Se num eventual segundo turno, a oposição se concentre em um candidato, há possibilidade de transferência de votos. Se há uma somatória entre os mais bem colocados, somada à rejeição de Caiado, parece um cenário promissor para Mendanha”, avalia.