12 de julho de 2026
PENDURICALHOS NA PAUTA

STF julga fim de supersalários sob pressão de Hugo Motta por prazo maior

Cúpula do Congresso alega falta de 'ambiente político' em ano eleitoral para votar regras sobre penduricalhos e pede 120 dias de transição
Plenário do STF começa a analisar o tema - Foto: Rosineu Coutinho / STF
Plenário do STF começa a analisar o tema - Foto: Rosineu Coutinho / STF

O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) analisa nesta quarta-feira (25) as liminares dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes que suspenderam o pagamento de verbas indenizatórias — os conhecidos “penduricalhos” — não previstas em lei. O julgamento ocorre em meio a uma forte ofensiva dos chefes do Legislativo para adiar uma solução definitiva sobre os vencimentos que ultrapassam o teto constitucional de R$ 46,3 mil.

O impasse do cronograma

De acordo com informações do jornal O Globo desta quarta, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, reuniu-se com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para alinhar a criação de um grupo de trabalho. A proposta inicial da Corte é que uma regra de transição seja formulada em 60 dias.

No entanto, o prazo encontrou resistência imediata. Hugo Motta lidera a pressão por uma dilação desse período para 120 dias.

Fontes informaram ao jornal que Motta argumentou que dois meses seriam insuficientes para construir uma saída legislativa consistente, dada a complexidade técnica e o “alto custo político” de enfrentar privilégios do funcionalismo em pleno ano eleitoral.

Pressão política e o “fator eleição”

Nos bastidores, o tom é de cautela. Representantes do Congresso sinalizaram ao STF que não haveria “ambiente político” para votar medidas que afetem categorias organizadas antes do pleito. Motta, embora tenha elogiado publicamente as decisões de Dino e Gilmar, reforçou que a solução precisa ser abrangente e discutida no âmbito da Reforma Administrativa, evitando “soluções fragmentadas”.

A urgência do tema é corroborada por dados alarmantes. Reportagens do Globo e do Estadão revelaram que os gastos com indenizações e direitos eventuais para magistrados acima do teto devem saltar de R$ 7,2 bilhões em 2024 para R$ 10,3 bilhões em 2025 — um aumento real de 43%.

A proposta da Fazenda

Enquanto o Congresso pede tempo, o Ministério da Fazenda tenta fechar o cerco. A equipe econômica sugeriu ao ministro Fachin a criação de uma “lista restrita” de verbas que podem ser pagas fora do teto, visando padronizar o sistema nacionalmente e conter a “corrida por benefícios” que hoje desequilibra as contas públicas.

A expectativa para o julgamento desta quarta-feira é que o Plenário do STF valide as suspensões de Dino e Gilmar, mantendo a pressão sobre o Legislativo para que a regra de transição não se torne uma forma de perpetuar os supersalários.


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