25 de junho de 2022
Justificativa

‘Soldado é simplesmente soldado’, diz Bolsonaro após visitar túmulo de comunista

Ele fez entrega de flores no monumento conhecido como "túmulo do soldado desconhecido", construído em memória de combatentes mortos sem identificação durante o confronto com os nazistas.
Bolsonaro ao lado de Putin (Foto: Presidência da Rússia)
Bolsonaro ao lado de Putin (Foto: Presidência da Rússia)

Após a repercussão de sua visita a um túmulo de combatentes comunistas, o presidente Jair Bolsonaro tentou justificar, ainda que nas entrelinhas, a homenagem prestada aos militares soviéticos mortos durante a viagem oficial a Moscou. “Soldado é simplesmente soldado”, escreveu o presidente no Facebook, junto a um vídeo do evento.

Nesta quarta-feira, 16, no seu primeiro compromisso oficial da viagem à Rússia, Bolsonaro participou de cerimônia em homenagem a soldados do Exército Vermelho, da União Soviética, mortos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Ele fez entrega de flores no monumento conhecido como “túmulo do soldado desconhecido”, construído em memória de combatentes mortos sem identificação durante o confronto com os nazistas.

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Junto aos Estados Unidos, os soldados da União Soviética tiveram papel decisivo para a derrota das tropas alemãs de Adolf Hitler na guerra.

Na postagem desta quinta-feira, 17, Bolsonaro reconheceu que o monumento foi erguido em nome dos soldados soviéticos – mas não citou que à época o regime político da atual Rússia era o comunismo. “O marco é para lembrar as perdas humanas da URSS durante a Segunda Guerra Mundial”, limitou-se a escrever o presidente.

A homenagem com referências ao passado comunista da Rússia acontece no momento em que Bolsonaro tenta reciclar o discurso de combate à esquerda e ao comunismo, de olho nas eleições de 2022.

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A visita de Bolsonaro ao monumento gerou reação nas redes sociais. Enquanto muitos viram contradição na agenda, após as reiteradas críticas do presidente à esquerda, aliados e simpatizantes do governo defenderam o compromisso oficial, com a alegação de que soldados apenas servem a governos de plantão. (Por Eduardo Gayer, enviado especial/Estadão Conteúdo)