A safra goiana de soja 2025/2026 ficou abaixo da anterior devido ao comportamento irregular das chuvas que atrasaram em relação ao período típico para o início do plantio. Os dados constam no relatório da Expedição Safra 2025/26, apresentado pela Federação da Agricultura de Goiás (Faeg), nesta sexta-feira (23).
O documento traça um panorama técnico e econômico da atual safra de soja no Estado, com base em visitas a municípios das regiões oeste e leste de Goiás, incluindo polos produtivos como Iporá, Rio Verde, Jataí, Cristalina, Mineiros e Catalão.
De forma geral, o relatório aponta que, embora a agricultura goiana mantenha altos níveis de produtividade e produção, a combinação entre clima instável, atraso no calendário agrícola e custos elevados representa um desafio importante para a sustentabilidade econômica do produtor rural na safra 2025/26.
O presidente da Faeg, José Mário Schreiner, fez uma previsão de safra de 66,5 sacas a 68,5 sacas por hectare. “O que significa uma pequena queda em relação ao ano passado, porque nós tivemos aí quase 70 sacas de média por hectare, em função de alguns fatores. O primeiro deles foi o atraso das chuvas”, afirmou ao apresentar o relatório.

Esse atraso das chuvas levou a uma semeadura duas semanas depois do início tradicional, explicou ele. “Em algumas regiões, também a precipitação não foi uniforme. Chovia num ponto, não chovia no outro. Então, isso prejudicou um pouco as lavouras, principalmente as que foram semeadas primeiramente, aquelas primeiras semeadas”, acrescentou.
Segundo o levantamento, as precipitações só permitiram o início do plantio da safra de soja em Goiás no fim de outubro e início de novembro, com volumes mais expressivos concentrados na região centro-norte do Estado. Essa irregularidade climática marcou toda a fase inicial da safra, aponta o relatório.
O atraso no plantio da soja foi estimado em uma semana em relação à safra passada e duas semanas frente à média histórica. O plantio só ganhou ritmo em novembro e se estabilizou no final do mês, o que gera reflexos diretos no calendário agrícola, especialmente com atraso da segunda safra (safrinha) e redução do potencial produtivo das lavouras.
A consequência, aponta Schreiner, redunda também em uma queda de produtividade, pequena segundo ele, mas real.
Desafios e evolução histórica
Apesar dos desafios, o relatório ressalta a evolução histórica da produtividade da soja em Goiás. O Estado saiu de uma média de 29 sacas por hectare na safra 1978/79 para patamares próximos de 70 sacas por hectare nas últimas temporadas. Para a safra 2025/26, como citou o presidente da Faeg, a produtividade estimada é de 68,5 sacas por hectare, mantendo Goiás entre os estados mais eficientes do país, mesmo com adversidades climáticas.
Em termos de produção total, a projeção para a safra 2025/26 é de 20,5 milhões de toneladas de soja, número elevado, mas levemente abaixo do recorde recente, refletindo os impactos do atraso no plantio e das condições climáticas irregulares.
O documento também chama atenção para o cenário econômico desafiador enfrentado pelos produtores. Os dados mostram aumento contínuo dos custos de produção, enquanto os preços da soja registram queda, resultando em baixa rentabilidade. A margem, que já foi superior a 100% em safras anteriores, aparece bastante reduzida na projeção para 2025/26, pressionando o equilíbrio financeiro das propriedades rurais.
Schreiner reclama dessa situação. “Vimo um custo de produção de 55 sacos por hectare sem arrendamento. Se o produtor for arrendar a área e pagar 15 sacos por hectare, ele já está levando um saco em meio de prejuízo. Então, essa é a grande preocupação do produtor, adequar a sua capacidade de pagamento ao seu custo de produção, para que ele não feche no vermelho”, pontuou.
Esse cenário, analisa ele, leva o produtor a arriscar menos deixando opções tecnológicas mais rentáveis, mas também mais onerosas, tais como sementes de menor potencial e menor produtividade. “Infelizmente, no Brasil, nós não temos um seguro rural eficiente para dar segurança a esses produtores rurais. Para vocês terem uma ideia, hoje, para você fazer o seguro da safrinha, você gasta dez sacas de milho. E não há subvenção do governo federal. O governo federal não tem dado importância para o seguro rural, não tem dado importância ao crédito rural”, reclamou.
“Se nós tivéssemos uma política agrícola adequada, uma política de seguro, uma política de crédito mais ampla, sem dúvida nenhuma, nós teremos aí um outro patamar com uma segurança muito maior para o produtor rural”, reforçou.
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