30 de novembro de 2023
Impactos Futuros • atualizado em 26/08/2023 às 19:29

“Só na aplicabilidade vamos entender o tamanho do problema”, afirma Baiocchi sobre mudanças do BC no parcelamento com cartão

O Banco Central está estudando a mudança do sistema do parcelamento de compras no cartão de crédito para baixar taxa de juros
Foto: Silvio Simões
Foto: Silvio Simões

O presidente da Fecomércio e vice-presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Marcelo Baiocchi, afirma que a mudança no sistema de parcelamento no cartão de crédito, atualmente em discussão no Banco Central (BC) não é a solução para o problema dos juros altos, hoje. Para Baiochi, a intenção é boa, mas com pouco potencial resolutivo. 

Em entrevista ao editor do Diário de Goiás, Altair Tavares, o presidente da Fecomércio afirmou que, apesar das perspectivas, “Só na aplicabilidade é que a gente vai entender o tamanho do problema que vai ser”. Baiocchi destacou, ainda, que a intenção de baixar a taxa de juros no sistema de cartões trará mudanças apenas no poder de compra do consumidor, e não diretamente no sistema financeiro.

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“A taxa de juros não se baixa na canetada. A taxa de juros se baixa no mercado. O que nós entendemos é que a circunstância é mais complexa. Também precisamos ter na mesma mesa o setor financeiro, para que juntos possamos buscar melhores soluções dessa questão”

presidente da Fecomércio, Marcelo Baiocchi

Perspectivas da mudança

Baiocchi destaca que a intenção do BC é limitar o parcelamento do cartão de crédito, para, justamente, interferir nesse sistema de juros embutidos. “O que o Banco Central está tentando é impedir ou forçar que a instituição financeira ofereça para o detentor do cartão de crédito uma linha para ele poder parcelar a dívida do cartão mais acessível, com a taxa de juros menor. Mas o que tem que se avaliar é se aquela pessoa tem condição de estar em crédito”, acrescenta.

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Para o representante da Fecomércio, a mudança não é algo simples e não se trata de uma alteração fácil. “O que pode ocorrer é que, na proibição de parcelamento da dívida, o consumidor vai ficar sem o cartão, porque não pode parcelar, e a instituição financeira não consegue dar pra ele outra opção porque ele não tem condições de tomar um crédito”, elucida Baiocchi. 

Ele afirma que, no final das contas, somente com a operação rodando é que o setor vai conseguir aprofundar e conhecer o tamanho dos problemas que podem surgir em função dessa nova determinação. “Quer colocar dificuldade em um cartão de crédito? Nós vamos colocar a dificuldade não é com o comerciante, é com o consumidor, é para quem detém um cartão de crédito que vai ficar sem cartão. Ou ele vai buscar outros cartões. Ele vai ficar trocando de cartão porque aqui ele não pode parcelar mais”, pontua. 

Por fim, Baiocchi acrescenta que a mudança pode fazer com que a situação se torne insustentável, com aumento de inadimplentes. Além do consumidor final, a mudança pode impactar também o comércio. “De um lado está o sistema financeiro, do outro lado está o consumidor. E é através do comércio que isso acontece”, destaca o presidente da Fecomércio.


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Luana Cardoso

Luana

Estagiária de Jornalismo do convênio entre a UFG e o Diário de Goiás.