07 de agosto de 2022
Política

Sintsep-GO diz que reforma administrativa é “pá de cal” no funcionalismo público e prepara atos

Sintsep-GO convoca atos para março contra a reforma administrativa. (Foto: Divulgação)
Sintsep-GO convoca atos para março contra a reforma administrativa. (Foto: Divulgação)

O Sindicato dos Servidores Públicos Federais do Estado de Goiás (Sintsep-GO) preparam atos para combater a reforma administrativa que deve ser enviada ao Congresso pelo presidente Jair Bolsonaro na próxima semana.

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Segundo o presidente Ademar Rodrigues, há um fórum parlamentar misto em Brasília, composto por deputados e senadores, que estão auxiliando nas movimentações. Os sindicatos decidiram fazer duas manifestações em março, uma no dia 9 e outra, a maior delas, no dia 18. “Será um grande ato. Estão sendo chamadas paralisações e marchas”, explicou.

Em Goiás, o Sintsep já realizou uma plenária na Alego, na última sexta-feira (14) e definiu a estratégia. “Vamos realizar assembleias para definir paralisações, colocar vinhetas na mídia e dar publicidade ao tema. A ideia é parar o maior número de pessoas para chamar atenção”, pontuou. Rodrigues destacou ainda que os sindicatos seguem tentando angariar apoio de mais parlamentares no Congresso Nacional.

“Pá de cal”

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Na avaliação do presidente do Sintsep-GO, a reforma administrativa seria uma pá de cal no funcionalismo público brasileiro. De acordo com Ademar Rodrigues, já há anos, desde o início das reformas, o Governo Federal vem tentando enxugar o Estado numa lógica privatista.

“Essa reforma administrativa avança numa conclusão de uma lógica de privatizar o máximo possível para pagar a dívida pública. É priorizar o capital em detrimento do povo brasileiro. A reforma administrativa é a pá de cal”, opinou.

Segundo Rodrigues, a garantia que o governo dá de não mexer nos direitos dos funcionários da ativa funciona como uma falácia, já que a maioria está aposentada ou próxima de parar.

“Temos hoje um quadro onde mais de 70% dos servidores já estão aposentados. O próprio governo admite que isso nos próximos cinco anos chega a 85%”, disse. Para você fazer uma gestão sem estabilidade dos trabalhadores, vai ser o que acontece nos municípios, quando 30% a 40% são mandados embora quando muda o prefeito. Há também a possibilidade de redução de salários”, acrescentou.

O presidente do Sintsep-GO admite a necessidade de alterações em algumas regras. Ele lembra, porém, que os privilégios pertencem à alta classe do funcionalismo público.

“Se você for olhar os salários do Poder Executivo, dá uma média bem menor do que falam aí. Eu queria discutir o salário, por exemplo, de senadores e deputados e as regalias que eles têm. Para quê um juiz ter um auxílio moradia? Esse dinheiro daria para a maioria dos brasileiros viverem. Antes de chegar na classe menor, tem que se passar pela elite. Mas quem vai ser afetado é a classe que recebe menos. Em alguns cargos, a gente deveria rediscutir”, ponderou.