20 de janeiro de 2026
RISCO DE PARALISAÇÃO

Sindicato dos Médicos denuncia atraso de salários em hospital de Anápolis

Há cinco folhas em atraso, conforme a entidade, mas metade de uma delas foi paga nesta quinta-feira. OS gestora nega
Fachada do Hospital Municipal Alfredo Abrahão. (Foto: Bruno Velasco)
Fachada do Hospital Municipal Alfredo Abrahão. (Foto: Bruno Velasco)

O Sindicato dos Médicos de Anápolis (Simea) denunciou nesta semana que o corpo de profissionais que atua no Hospital Municipal Alfredo Abrahão – cerca de 30 – estão sem receber. Os atrasos chegaram a cinco meses na quarta-feira (7), mas a Fundação Educativa Evangélica (Funev), Organização Social (OS) que administra a unidade quitou metade da folha de dezembro e promete pagar a outra metade até o dia 16.

De acordo com o advogado do Simea, André Chavante, parte da equipe de cirurgia geral chegou a iniciar uma paralisação. Ele ainda diz que há risco de que outros setores parem de atender. A Funev, por sua vez, nega que houve qualquer tipo de prejuízo aos serviços (leia nota na íntegra abaixo).

As folhas em atraso são relativas ao trabalho prestado nos meses de agosto, setembro, outubro, novembro e metade de dezembro. Todos os médicos do Alfredo Abrahão atuam como pessoas jurídicas, ou seja, sem vínculo seletivo com a OS.

O Simea ouviu da Funev que os atrasos de salários se deram pela falta de repasses da prefeitura para a a gestão do hospital. A administração municipal, por sua vez, alega que herdou dívidas da gestão anterior, o que causou desordem na organização financeira. Em dezembro, o prefeito Márcio Corrêa (PL) gravou um vídeo e afirmou que não há atrasos na saúde, embora nas redes sociais diversos profissionais fizessem cobranças nos comentários.

A Funev pagou 50% dos salários de dezembro na noite desta quinta-feira (8). Contudo, o cálculo é que o prejuízo acumulado pelos profissionais esteja na casa de R$ 1 milhão.

Em nota, a Funev negou prejuízos às cirurgias, especialidades do Hospital Municipal Alfredo Abrahão. A OS informou que, na última quarta-feira (7), houve oito procedimentos, além de 13 na quinta-feira, em especialidades como ortopedia, cirurgia geral e coloproctologia. A administradora da unidade disse que, nos primeiros dias de janeiro, já fez 60 cirurgias e executa nesta sexta-feira mais 23 intervenções cirúrgicas.

Sobre os pagamentos, a fundação afirmou que o contrato prevê prestação do serviço em um mês, emissão de nota fiscal no mês seguinte e quitação em até 30 dias após a apresentação da documentação. “Assim, não procede a informação de inadimplência superior a seis meses”. A reportagem questionou se a entidade confirmava que eram cinco filhos em atraso, mas não houve resposta.

Veja a nota da Funev na íntegra:

“O Hospital Municipal Alfredo Abrahão esclarece que não houve paralisação das atividades cirúrgicas na unidade, tampouco interrupção dos atendimentos prestados à população.

No dia 07 de janeiro, foram realizados 08 procedimentos cirúrgicos, abrangendo as especialidades de Ortopedia, Cirurgia Geral e Coloproctologia. Já no dia 08 de janeiro, foram realizados 13 procedimentos cirúrgicos, evidenciando a plena continuidade da rotina assistencial do hospital.

Dessa forma, não houve cirurgias prejudicadas ou canceladas em decorrência de qualquer paralisação. No mês de janeiro já foram 60 cirurgias realizadas. Na data de amanhã, 09 de janeiro, já são 23 procedimentos cirúrgicos agendados.

Quanto aos pagamentos das empresas prestadoras de serviços médicos, informa-se que o fluxo contratual estabelece que os serviços sejam prestados em um mês, com emissão de nota fiscal no mês subsequente, e pagamento em até 30 dias após a apresentação da documentação, conforme previsto em contrato. Assim, não procede a informação de inadimplência superior a seis meses, conforme divulgado.

Ressalta-se o diálogo contínuo e permanente com os representantes das empresas prestadoras de serviços médicos, prezando pela transparência, pela responsabilidade na gestão e pela manutenção integral da assistência à população.

A instituição reafirma seu compromisso com a regularidade dos serviços, a segurança dos pacientes e a continuidade do atendimento em saúde.”


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