A Polícia Federal (PF) confirmou que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” (assassino de aluguel) em grupo do banqueiro Daniel Vorcaro, atentou contra a própria vida enquanto se encontrava sob custódia da instituição na Superintendência Regional da Polícia Federal em Minas Gerais. A informação é de que foi aberto protocolo de morte cerebral para Mourão no CTI do Hospital João XXIII, em Belo Horizonte.
Ele foi preso na quarta-feira (4), mesmo dia em que Vorcaro também voltou à prisão por determinação do ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF), que substituiu Dias Toffoli na relatoria do processo.
Mourão foi levado na manhã de ontem para a carceragem da corporação após o cumprimento do mandado de prisão emitido por Mendonça. “A Polícia Federal lamenta informar que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, um dos presos na Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (4/3), atentou contra a própria vida”, divulgou a corporação à noite.
No celular de Daniel Vorcaro foram encontrados, durante a investigação da PF, diálogos entre os dois, planejando um “assalto falso” para espancar violentamente o jornalista do Globo, Lauro Jardim.
A gravidade dos diálogos gerou uma bronca do ministro sobre a demora da Procuradoria-Geral da República em relação ao assunto, fazendo com que Mendonça agisse impulsionado pela PF. Várias organizações de imprensa se manifestaram contra as ameaças que visavam silenciar o profissional e outros alvos.
Cela filmada
Segundo a PF, Mourão atentou contra a própria vida e foi reanimado pelos policiais responsáveis pela custódia. Em seguida, ele recebeu atendimento médico do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e foi encaminhado para um hospital da capital mineira.
As Corporação garantiu que as cenas da tentativa e do socorro foram captadas pelo circuito interno de segurança da PF mineira.
Papel do “Sicário”
Luiz Phillipi Mourão atuava como ajudante do banqueiro Daniel Vorcaro. “Sicário”, como era chamado pelo empresário, seria responsável pelo monitoramento e obtenção de informações sigilosas de pessoas consideradas adversárias dos interesses do banqueiro.
Eles trocavam mensagens combinando descobrir endereços e dados pessoais com o intuito de perseguir e se vingar. Entre os alvos, além do jornalista, estão um chef de cozinha e uma assistente administrativa, funcionários do próprio banqueiro.
Em novembro de 2025, Vorcaro e outros acusados passaram a ser investigados pela Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF para investigar a concessão de créditos falsos pelo Banco Master, incluindo a tentativa de compra da instituição financeira pelo Banco Regional de Brasília (BRB), banco público ligado ao governo do Distrito Federal.
Expectativa de delação
Em Brasília, e em outras cidades impactadas pela atuação do Banco Master, a expectativa é por uma possibilidade de delação premiada de Vorcaro.
Em Aparecida de Goiânia, por exemplo, ainda não se sabe quem conhecia o banqueiro e por que o Master foi indicado para investimentos do Instituto dos Servidores (AparecidaPrev), mesmo sendo uma instituição de alto risco. O AparecidaPrev investiu R$ 40 milhões em letras financeiras do banco de Vorcaro em junho de 2024. A operação é alvo da Polícia Federal e teria ocorrido sem o aval do Conselho Municipal de Previdência, gerando movimentação para a criação de uma CEI na Câmara Municipal.
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