27 de maio de 2022
Cidades

Sete unidades já iniciaram a transição para Colégios Militares

Em entrevista à Rádio Vinha, na manhã desta quarta-feira (5), o coronel Mota, diretor de ensino da Polícia Militar do Estado de Goiás (PM-GO) e coordenador dos Colégios Militares de Goiás, informou que sete dos 24 colégios selecionados para aderir a gestão da PM já estão em fase de transição.

“Nós começamos o processo de transição na última sexta-feira (31). Nós estamos chegando com o espírito de somar, de agregar esforços, de ajudar na escola. Desde segunda-feira (3) sete unidades, incluindo Colina Azul, Mansões Paraiso e Pontal Sul, já estão sob a direção da PM”, disse o coronel.

De acordo com Mota, apesar de não ser aceito por uma parcela da população, os Colégios Militares possuem resultados satisfatórios. “Proporcionalmente temos a segunda maior aprovação em Medicina na UFG [Universidade Federal de Goiás] no Enem [Exame Nacional do Ensino Médio]. Temos um aluno, que é padrão, só tira nota dez. Ele fez um processo seletivo na USP [Universidade de São Paulo] e passou. Está entre os seis alunos do Brasil classificados. Então, nós temos bons resultados”, explicou.

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No entanto, o coronel também ressalta apesar de as demais unidades da rede estadual de ensino também possuírem resultados satisfatórios e alunos que alcançam boas notas, a gestão da PM em escolas é um perfil. “Temos escolas com perfil espírita, evangélico, católico, não definido. O Colégio Militar é apenas um perfil a mais que a rede oferece. Cabe aos pais e alunos escolher qual é aquele que se adequa ao próprio perfil”.

Efetivo

De acordo com o coordenador, nenhum policial militar será retirado das ruas para trabalhar nos colégios. Serão destinados os militares que estão em reserva para compor o efetivo da educação. “Vamos pegar o policial militar que já está na reserva, convocá-lo e colocá-lo para trabalhar na escola. É um policial já maduro, com muita experiência. Será feito um processo de seleção e treinamento de nivelamento de conhecimento com esse policial para que ele venha trabalhar. Esse processo é gradual”, disse.

Segundo o coronel Mota, os professores e servidores das escolas continuarão os mesmos, a única coisa que muda é a gestão, que passará a ser da PM-GO. “Nossos professores são da rede [estadual de educação], a única disciplina que será ministrada pelos policiais militares e agregada à matriz curricular é a de Cidadania”.

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Outras unidades

As demais unidades ainda não têm data para passar pela transição. Estas sete primeiras tiveram o prazo de 30 dias para a implantação da nova gestão. “Esses colégios, nós tivemos uma aceleração na implantação por uma questão prevista na lei, que deu prazo de 30 dias. Agora, os outros depende de alocação de recursos humanos para que sejam implantados”, afirmou.

Ainda de acordo com o diretor, todos os alunos já matriculados nos novos Colégios Militares vão continuar com o direito de estudar na unidade e com a vaga garantida. Apenas para as próximas vagas que haverá seleção.

Sintego

Segundo a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), Bia de Lima, a categoria é contra a implantação da gestão da Polícia Militar nas escolas. “Uma coisa é fazer uma experiência, ter um colégio militar, outra coisa é essa retaliação, não por necessidade”, afirmou Bia. Para a presidente, a implantação da nova gestão é uma retaliação do governador Marconi Perillo à greve dos servidores da educação.

“Não tem policial militar suficiente nem para garantir a segurança pública, quem dirá para colocar dentro de escolas. Queremos que a gestão seja feita pelos diretores eleitos. Eles tiram os diretores e colocam comandantes no lugar”, disse a presidente.

Diferenças

Bia de Lima ainda explicou ao Diário de Goiás que com os novos Colégios Militares, a categoria não irá aceitar que os policiais militares recebem mais benefícios que os servidores e professores da educação.

“Os coordenadores recebem mais gratificações, as unidades recebem os melhores prédios enquanto tem outras escolas que ainda são de placa. Queremos ter os mesmos direitos”, finalizou.

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