26 de maio de 2022
Destaque • atualizado em 26/01/2022 às 18:25

“Sem vacina, estaríamos dizimados”, destaca Ismael Alexandrino sobre atual momento da pandemia

Em entrevista ao Diário de Goiás, Ismael Alexandrino fala sobre atual momento da pandemia em Goiás (Foto: Reprodução/DG)
Em entrevista ao Diário de Goiás, Ismael Alexandrino fala sobre atual momento da pandemia em Goiás (Foto: Reprodução/DG)

A pandemia do coronavírus avança em mais uma fase desde que foi instaurada há quase dois anos. Com duas ondas agressivas e violentas, o mundo vive uma terceira etapa de alto contágio, mas com menos agravamento e sem avançar para um número vertiginoso de mortes. Apesar do cenário vislumbrar dias melhores, o secretário de Saúde do Estado de Goiás, Ismael Alexandrino faz alertas. “Jamais poderemos banalizar a pandemia e achar que é uma doença simples e comum. Nenhuma doença simples e comum paralisa e muda nossa perspectiva de vida por dois anos”.

Alexandrino também destaca a importância da imunização no arrefecimento da pandemia e crava: “Se não tivéssemos a vacina, a ômicron que hoje tem uma taxa de letalidade baixa e o nível de agravamento baixo, estaríamos dizimados”. O titular da Saúde de Goiás, que segue firme no cargo desde o começo da gestão caiado, “sobrevivente” no posto mesmo durante e a tormenta dos picos pandêmicos, concedeu entrevista para o Diário de Goiás, nesta quarta-feira (26/01). A conversa, por videoconferência, com o editor-geral, Altair Tavares, será exibida na íntegra nas redes sociais do jornal.

Na primeira parte da entrevista, Ismael Alexandrino fala sobre a pandemia e os alertas. Contextualizar os momentos são bons para diferenciar os problemas e as dificuldades enfrentadas por técnicos da Secretaria de Saúde do Estado de Goiás e pelo que os profissionais que atuaram na linha de frente, vivenciaram ao longo da primeira e segunda onda. “Sempre é importante a gente contextualizar o momento e qual o foco mais importante. De alertas que valem desde o início e continuam valendo que nós, cidadãos e sobretudo gestores da saúde, jamais poderemos banalizar a pandemia e achar que ela é uma doença simples ou comum. Nenhuma doença simples ou comum paralisa e muda nossas perspectivas de vida por dois anos”, pontua.

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Vacina tem caráter definitivo, destaca Ismael Alexandrino

Com a doença ativa, o vírus circulante e a ômicron, com rápida transmissão em meio às cidades, as medidas preventivas continuam prevalecendo. “A higienização, o uso de máscara, e sobretudo a principal arma e ferramenta de enfrentamento que é a vacina.”, pontua. 

Aqui, Ismael Alexandrino faz uma importante explicação em torno dos imunizantes. “A vacina foi testada em todos os níveis, não é em caráter experimental ela tem caráter definitivo. Tem nos trazido bons resultados e uma grande segurança, quando a gente olha pros gráficos e avalia a medida que a vacinação vai aumentando, o nível de complexibilidade dos casos e de óbito vão diminuindo”, explica. Por isso, o uso de máscara aliada à vacinação são imprescindíveis neste momento.

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Primeira e segunda onda: desconhecimento, temeridade e cepas agressivas

Em março de 2020, quando a pandemia foi instaurada e o primeiro decreto restritivo publicado, o cenário era de desconhecimento, temeridade e uma rede pública de saúde despreparada para enfrentar as consequências do contágio. Para completar, não havia sequer o vislumbre de um imunizante efetivo para auxiliar naquilo que foi considerado uma verdadeira guerra sanitária. “Precisamos caracterizar muito bem as três ondas da pandemia e as dificuldades e realidades de cada uma delas. A primeira, nós estávamos diante de um cenário absolutamente desconhecido, temeroso e com a rede de saúde muito encurtada que não tinha capilaridade necessária e não tínhamos vacina. Foi aquele primeiro momento”, relembra Ismael Alexandrino.

Na segunda onda, o cenário já havia mudado: os estados e municípios haviam se preparado e reforçado seus leitos para enfrentar a doença, mas duas cepas muito violentas surgiram – com a gamma e delta em descontrole, a superlotação nas salas de enfermaria e covid foram às alturas. As intermináveis filas refletiam também os óbitos e a média móvel de mortes chegou a 4 mil em abril, um dos meses mais tenebrosos em toda a pandemia. Apesar da campanha de imunização já ter começado quatro meses atrás, em janeiro, ela engatinhava e a cobertura estava longe de ser a ideal. “No segundo momento, já tínhamos expandido a rede, tinha começado a vacina, mas pegamos duas cepas muito graves no sentido de complicações, agravamento e óbito, sobretudo a p2 que foi predominante em nosso estado”, rememora Ismael Alexandrino.

O que faz com que esse terceiro momento da pandemia seja diferente de todos os outros? “A rede está expandida, tanto que conseguimos do dia para noite mobilizar leitos não covid para covid e vice-versa, de acordo com a demanda. E nós temos a grande arma que é a vacina. Às vezes as pessoas falam ‘a vacina não faz efeito, as pessoas estão contaminando’. Não contaminar é um dos objetivos da vacina, mas o principal objetivo é não agravar e não ter óbito. Se não tivéssemos a vacina, a ômicron que hoje tem uma taxa de letalidade baixa e o nível de agravamento baixo, estaríamos dizimados se não tivéssemos a vacina”, complementa Ismael Alexandrino.

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