Funcionários que atuam na rede de atenção básica de Anápolis, com cerca de 50 unidades, e na UPA Pediátrica tiveram uma surpresa desagradável. Na segunda-feira (9), eles receberam os salários – já atrasados – de janeiro de forma parcelada.
As unidades estão sob administração da Organização Social (OS) Fundação Universitária Evangélica (Funev), que também é responsável, na rede municipal, pelo Hospital Municipal Alfredo Abrahão. O parcelamento dos vencimentos não teve autorização de convenção coletiva com os sindicatos que representam as diversas categorias que atuam nestes locais.
O Sindicato dos Médicos de Anápolis (Simea), por exemplo, confirmou ao DG as denúncias dos profissionais e lamentou o que classificou como prática recorrente. “É ilegal porque não teve negociação coletiva e autorização do sindicato”, explicou o advogado da entidade, André Chavante.
Esta não é a primeira vez que profissionais que prestam serviço para a OS reclamam de salários atrasados. O representante do Simea diz que o sindicato tem notificado os responsáveis.
“O sindicato enviou ofícios tanto para a Funev quanto para a Secretaria Municipal de Saúde solicitando a regularização dos repasses e se reuniu com médicos para deliberar sobre o tema”, disse. Ele, no entanto, aponta que os profissionais temem represálias. “Muitos dos médicos evitam ajuizar ação para evitar retaliação e demissão”, conta.
Chavante relata que, noutras rodadas de negociação, já ouviu, da própria Secretaria de Saúde, que os descumprimentos salariais se davam por atrasos de repasses à Funev. A OS, desde o ano passado, reduziu atendimentos no Hospital Alfredo Abrahão, com o veto aos pacientes de urgência, para segurar custos, uma vez que a prefeitura não pagou complemento para tal serviço.
Profissionais que procuraram a reportagem disseram ainda que a OS programou o restante do pagamento para a próxima segunda-feira (16). Não há previsão, contudo, para o acerto de fevereiro.
Silêncio
Procuradas pelo DG, a Funev e a Secretaria Municipal de Saúde optaram pelo silêncio. A reportagem questionou o motivo do parcelamento, o porquê dos atrasos e se a prefeitura tem deixado de realizar adequadamente os repasses à OS. Não houve resposta para nenhuma das perguntas.
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