21 de julho de 2026
BURACO NA SAÚDE

Sem autorização, OS parcela salários de profissionais de saúde em Anápolis

Sindicato diz que prática é ilegal. OS e prefeitura optam pelo silêncio e evitam rebater acusações
Unidade Básica de Saúde em Anápolis: atraso preocupa profissionais. (Foto: Prefeitura de Anápolis)
Unidade Básica de Saúde em Anápolis: atraso preocupa profissionais. (Foto: Prefeitura de Anápolis)

Funcionários que atuam na rede de atenção básica de Anápolis, com cerca de 50 unidades, e na UPA Pediátrica tiveram uma surpresa desagradável. Na segunda-feira (9), eles receberam os salários – já atrasados – de janeiro de forma parcelada.

As unidades estão sob administração da Organização Social (OS) Fundação Universitária Evangélica (Funev), que também é responsável, na rede municipal, pelo Hospital Municipal Alfredo Abrahão. O parcelamento dos vencimentos não teve autorização de convenção coletiva com os sindicatos que representam as diversas categorias que atuam nestes locais.

O Sindicato dos Médicos de Anápolis (Simea), por exemplo, confirmou ao DG as denúncias dos profissionais e lamentou o que classificou como prática recorrente. “É ilegal porque não teve negociação coletiva e autorização do sindicato”, explicou o advogado da entidade, André Chavante.

Esta não é a primeira vez que profissionais que prestam serviço para a OS reclamam de salários atrasados. O representante do Simea diz que o sindicato tem notificado os responsáveis.

“O sindicato enviou ofícios tanto para a Funev quanto para a Secretaria Municipal de Saúde solicitando a regularização dos repasses e se reuniu com médicos para deliberar sobre o tema”, disse. Ele, no entanto, aponta que os profissionais temem represálias. “Muitos dos médicos evitam ajuizar ação para evitar retaliação e demissão”, conta.

Chavante relata que, noutras rodadas de negociação, já ouviu, da própria Secretaria de Saúde, que os descumprimentos salariais se davam por atrasos de repasses à Funev. A OS, desde o ano passado, reduziu atendimentos no Hospital Alfredo Abrahão, com o veto aos pacientes de urgência, para segurar custos, uma vez que a prefeitura não pagou complemento para tal serviço.

Profissionais que procuraram a reportagem disseram ainda que a OS programou o restante do pagamento para a próxima segunda-feira (16). Não há previsão, contudo, para o acerto de fevereiro.

Silêncio

Procuradas pelo DG, a Funev e a Secretaria Municipal de Saúde optaram pelo silêncio. A reportagem questionou o motivo do parcelamento, o porquê dos atrasos e se a prefeitura tem deixado de realizar adequadamente os repasses à OS. Não houve resposta para nenhuma das perguntas.


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