12 de fevereiro de 2026
Vila Nova Futebol Clube

Sem ajuda da CBF, Série B pode entrar em “colapso” e ter jogos por WO, diz Hugo Bravo

Hugo Jorge Bravo - Vila Nova (Foto - Leo Iran)
Hugo Jorge Bravo - Vila Nova (Foto - Leo Iran)

O vice-presidente do Vila Nova, Hugo Jorge Bravo, manifestou forte preocupação com o futuro financeiro dos clubes na sequência da temporada, especialmente em relação à disputa do Campeonato Brasileiro Série B. Em entrevista coletiva, o dirigente alertou para o risco de “colapso” da competição caso a Confederação Brasileira de Futebol não confirme o apoio aos clubes no custeio de despesas essenciais.

Segundo Hugo Bravo, ainda não há definição oficial se a CBF seguirá arcando com gastos que, historicamente, sempre fizeram parte do orçamento da entidade, como taxas de arbitragem, exames antidoping e custos logísticos – que incluem passagens aéreas, alimentação e hospedagem das delegações.

O tema será debatido no conselho técnico da Série B, mas a indefinição já gera apreensão entre os dirigentes. “Se esse apoio não acontecer, o cenário é terrível. Estamos falando de uma competição que pode entrar em colapso. Uma viagem para um jogo da Série B de Brasileiro hoje não sai por menos de 200 a 250 mil reais. Quem vai bancar isso?”, questionou Hugo Jorge Bravo.

O dirigente foi ainda mais enfático ao apontar possíveis consequências esportivas e administrativas caso os clubes tenham que absorver esses custos de forma repentina. “Se atribuírem aos clubes despesas como logística e arbitragem do dia para a noite, isso pode gerar um efeito em cadeia. Vai ter clube mandando jogador embora, clubes com dificuldades sérias de caixa e, infelizmente, pode até acontecer WO por incapacidade financeira de viajar”, alertou.

Atualmente, a maior parte dos clubes da Série B possui contrato de direitos de transmissão com a ESPN, que exibiu a competição em 2025 e mantém acordo válido até 2027. No entanto, o modelo ganhou um novo capítulo recentemente. Náutico e São Bernardo, promovidos à Série B em 2026, não integram a Liga Forte Futebol – responsável pela gestão comercial da maioria dos clubes da divisão – e optaram por negociar seus direitos de transmissão de forma independente.

Esses dois clubes fecharam acordo com a Globo, garantindo valores superiores, neste primeiro momento, aos recebidos pelos clubes vinculados ao contrato com a ESPN. Além disso, Náutico e São Bernardo terão despesas operacionais cobertas pela própria CBF – que intermediou a negociação, o que amplia a diferença de cenário financeiro entre os participantes da competição.

“Temos hoje clubes com contratos diferentes, realidades diferentes, e isso precisa ser equilibrado. Cabe à CBF, como casa-mãe do futebol brasileiro, buscar uma conciliação entre clubes, liga e emissoras para que a Série B do Campeonato Brasileiro aconteça de forma sólida e justa”, afirmou o dirigente.

Por fim, Hugo Jorge Bravo reforçou que, até o momento, não existe uma proposta oficial apresentada pela CBF e que grande parte do debate ainda se baseia em especulações. A expectativa é de que, após o conselho técnico, seja possível ter um panorama mais claro sobre o apoio financeiro e o formato definitivo da competição. “A gente confia nessa nova gestão da CBF, pela seriedade e profissionalismo. Mas se essas definições não acontecerem, o impacto será muito grande para todos. A Série B precisa de segurança para existir”, concluiu.


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