06 de dezembro de 2023
História viva • atualizado em 25/07/2023 às 20:01

Conheça seis curiosidades sobre a Cidade de Goiás, que completa 296 anos nesta terça (25)

Cidade fundada no ciclo do ouro em Goiás, antiga Vila Boa foi berço de memórias e das tradições goianas
Ruas de pedra do Centro Histórico da cidade de Goiás. (Foto: Iphan)
Ruas de pedra do Centro Histórico da cidade de Goiás. (Foto: Iphan)

A cidade de Goiás, antiga Vila Boa e capital do Estado, completa nesta terça-feira (25), 296 anos. A queridinha dos goianos, cujo conjunto arquitetônico, paisagístico e urbanístico foi tombado pelo Iphan como Patrimônio Histórico Artístico Nacional em 1978, também foi reconhecida como Patrimônio Cultural Mundial pela Unesco em 16 de dezembro de 2001. Goiás Velho já foi cenário de muitos acontecimentos, memórias e berço de tradições. Conheça seis principais curiosidades sobre a cidade:

Patrimônio da Humanidade

Além da arquitetura histórica, originada do ciclo do ouro, desbravada por bandeirantes, a cidade mineradora possui dezenas de construções tombadas como Patrimônio Histórico e Cultural. Em 1950, o Iphan tombou como monumentos históricos suas principais igrejas e o quartel. Em 1951, foi a vez da antiga Casa da Câmara, do Palácio Conde dos Arcos e da rua vizinha à Fundição, bem como o Chafariz. Com a formação de novos bairros, a partir de 1970, com as construções baixas, o Instituto tombou o Centro Histórico, em 1978.

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Palácio Conde dos Arcos, cidade de Goiás. Foto: Iphan Goiás
Palácio Conde dos Arcos, tombado pelo Iphan. Foto: Iphan Goiás

Igreja amaldiçoada e inacabada

A Igreja de Sant’Anna, Catedral da Cidade de Goiás, considerada a maior igreja do centro histórico nunca foi acabada devido a uma maldição. De acordo com a lenda, contada até mesmo pela Arquidiocese de Goiânia, a igreja, que começou a ser construída em 1743 por Manuel Antunes da Fonseca, que era o Ouvidor-Geral de Goiás, foi erguida no local onde, anteriormente, era uma pequena capela. Conforme a história, um antigo padre que morou na cidade rogou praga de que a nova igreja, construída no lugar da antiga capela, jamais seria concluída, pois, sempre que tentassem terminá-la, o teto desabaria. Curiosamente, o teto da igreja desabou por duas vezes, a primeira em 1759 e a segunda em 1872. Depois disso, a edificação nunca foi terminada.

Procissão centenária

A Procissão do Fogaréu é uma tradição antiga, que acontece na cidade desde 1745. A representação da perseguição de Jesus Cristo pelos soldados romanos que percorre as ruas de pedra de Vila Boa foi trazida pelo padre espanhol João Perestello de Vasconcelos Spíndola. Na procissão, que acontece todos os anos na noite de quarta-feira da Semana Santa, 40 farricocos saem descalços pelas ruas da cidade usando vestes longas e chapeús, segurando tochas. A encenação, que percorre as ruas e becos de Goiás Velho finaliza na Igreja do Rosário, que representa o local da última ceia. A tradição centenária atrai, anualmente, centenas de turistas e moradores de Goiás.

Procissão do Fogaréu na cidade de Goiás (Foto Secom)
Procissão do Fogaréu na cidade de Goiás. Foto: Secom

Cora Coralina e o primeiro jornal feminino de Goiás

Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, conhecida popularmente como Cora Coralina, foi uma poetisa nascida e criada na velha casa da ponte, na beira do Rio Vermelho que corta a cidade de Goiás. A Aninha da velha casa da ponte ficou internacionalmente conhecida por seus poemas e seus doces, que produzia e vendia por lá mesmo, na cidade. Cora foi uma mulher à frente de seu tempo, com comportamentos modernos, começando a publicar seus contos e poemas em períodicos da cidade por volta dos 14 anos de idade. Foi uma das fundadoras do Jornal A Rosa, o primeiro jornal feminista de Goiás, que tinha as páginas cor de rosa. Cora também ocupou a cadeira 5 da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás.

Goiandira do Couto e sua tela pintada com areias coloridas da Serra Dourada. Foto: Governo de Goiás

Goiandira e suas artes com areia colorida

Goiandira do Couto, a artista plástica, prima e amiga de Cora Coralina, pintava quadros e telas utilizando diversas tonalidade de areias encontradas naturalmente na Serra Dourada. Sua técnica, única, ficou conhecida internacionalmente. Ao todo, Goiandira tinha amostras de 511 tons diferentes de areia, expostos em sua casa, em seu ateliê, que usava para compor sua arte. Quadros seus enfeitam as paredes de museus pelo mundo à fora, e até mesmo na sede da ONU, em New York, Estados Unidos.

Não chame de Goiás Velho

Pode ser que algumas pessoas achem confuso a cidade ter o mesmo nome do estado, mas não é difícil entender já que, no Brasil, temos as tão conhecidas e populosas cidades e estados de São Paulo e Rio de Janeiro. O pior, porém, é quem ainda insiste no erro de chamar o local de “Goiás Velho”, apesar de parecer inofensivo, este apelido vem caindo em desuso a cada ano, por que os habitantes do município, principalmente os mais tradicionais, não gostam. Estes habitantes que, por sua vez, são chamados vilaboenses por causa da herança de quando a cidade se chamava Vila Boa de Goyaz.


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Luana Cardoso

Luana

Estagiária de Jornalismo do convênio entre a UFG e o Diário de Goiás.