12 de julho de 2026
Polícia • atualizado em 27/02/2026 às 18:46

Secretário de Itumbiara matou filhos enquanto dormiam e premeditou crime, conclui polícia

Investigação da Polícia Civil aponta que Thales Machado planejou o duplo homicídio, ameaçou a ex-mulher e usou arma registrada em seu nome
Delegado Felipe Soares Sala detalhou que o crime foi premeditado e descartou a participação de terceiros; meninos foram atingidos na cabeça enquanto dormiam. Foto: Reprodução/Instagram de Thales Machado.
Delegado Felipe Soares Sala detalhou que o crime foi premeditado e descartou a participação de terceiros; meninos foram atingidos na cabeça enquanto dormiam. Foto: Reprodução/Instagram de Thales Machado.

A Polícia Civil de Goiás concluiu como duplo homicídio seguido de suicídio o caso que chocou Itumbiara, no sul do Estado. O secretário de Governo da Prefeitura, Thales Naves Alves Machado, de 40 anos, matou os dois filhos enquanto dormiam e, em seguida, tirou a própria vida. Os detalhes foram apresentados em coletiva nesta sexta-feira (27) pelo delegado Felipe Soares Sala, do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH).

Miguel Araújo Machado, de 12 anos, e Benício Araújo Machado, de 8, foram atingidos com tiros na cabeça na madrugada de 12 de fevereiro. O avô das crianças, Dione Araújo (União Brasil), prefeito do município e pai de Sarah Tinoco Araújo, mãe dos meninos, foi o primeiro a chegar à residência, por volta da meia-noite, após conseguir entrar com a senha da casa.

Crime premeditado

De acordo com o delegado, a investigação ouviu 24 testemunhas e reuniu elementos que apontam premeditação. No jantar com os pais, por volta das 18h do dia do crime, Thales já teria apresentado um “tom de despedida” e comportamento atípico, percebido pela família apenas após os fatos.

Após deixar a casa dos pais, ele comprou quatro galões de gasolina em um posto e despejou o combustível na residência. Um isqueiro foi encontrado ao lado da cama, indicando intenção de provocar um incêndio, o que não ocorreu. “Não temos como afirmar por que ele não ateou fogo”, afirmou Sala.

Segundo a Polícia Científica, os disparos ocorreram entre 23h39 e meia-noite. Os meninos estavam deitados, com o rosto voltado para o lado esquerdo do travesseiro, quando foram atingidos na têmpora direita. Em seguida, o secretário atirou na própria boca.

A arma utilizada foi uma pistola Glock G25 calibre .380, registrada em nome de Thales. “Nem mesmo a arma ele buscou com terceiro”, ressaltou o delegado, descartando qualquer participação de outras pessoas.

Escalada de tensão

As investigações apontam que o crime foi motivado pela não aceitação do fim do relacionamento com a ex-mulher, Sarah Araújo, que estava em São Paulo no momento dos fatos. Thales havia contratado um detetive particular para seguir a esposa.

O profissional informou ao secretário que viu Sarah com outra pessoa, mas só enviou imagens às 22h50. Antes mesmo de receber o conteúdo, Thales iniciou uma sequência de ligações e ameaças. Segundo a polícia, ele afirmou que a vida dela viraria “um inferno” e enviou fotos dos filhos dormindo, indício considerado fundamental para caracterizar a premeditação.

Atendimento e mortes

Thales morreu na hora. As crianças chegaram a ser socorridas com vida. Miguel morreu no mesmo dia. Benício passou por cirurgia e foi internado na UTI, mas não resistiu e morreu no dia seguinte.

A polícia também negou boatos de que Sarah teria sido ameaçada no funeral dos filhos ou precisado deixar a cerimônia antecipadamente. “Não houve qualquer tipo de ameaça”, afirmou o delegado.

Com a morte do autor, o inquérito será arquivado. A investigação concluiu que não há indícios de envolvimento de terceiros.


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