28 de junho de 2022
Diário de Goiás

Secretaria impõe restrição maior de uso da água para irrigação

Em entrevista concedida na manhã desta quinta-feira, 12, a Secretária do Meio Ambiente, Andrea Vulcanis, falou sobre a problemática da vazão do Rio Meia Ponte frente a crise hídrica. De acordo com ela, caso a vazão tenha mais decréscimo, não será possível a captação e a distribuição de água para a cidade. 

Afim de amenizar o problema, todos os produtores estão sendo contatados para que possam disponibilizar a abertura das comportas que estão em seus domínios. Foram mapeados todos os barramentos com espelho d’água acima de 2 hectares, que segundo Andrea, já estão georreferenciados. 

“Nós estamos verificando as comportas que têm mais facilidade nesse primeiro momento, que são as que têm a vazão de fundo. Facilitaria bastante, pois a água cairia diretamente no rio, e a ideia é o revezamento desses 70 barramentos. Quando for liberado os 30%, liberamos o de todos os 70 barramentos, e o ciclo volta até que a chuva chegue. Acreditamos que conseguimos manter uma vazão no rio adequada para que haja uma captação da Saneago no limite que ela já estava captando”, afirmou. 

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A secretária reiterou a importância da conscientização da sociedade frente ao problema, destacando a importância do consumo de água sem desperdícios. De acordo com ela, a água que está chegando no ponto de captação é pouca, sendo importante economizar.  “Nós estamos agora no limite máximo de restrição. A água disponível é mínima. Então, não tem água disponível para nenhum tipo de desperdício. Se diminuir ainda mais a vazão, não é possível captar e levar água para a cidade”. 

O mínimo que a Saneago capta é mil litros por segundo. Na manhã desta quinta-feira, o volume era de 1.480 litros por segundo.
 “Ainda está sobrando uma vazão remanescente, nós acabamos de sobrevoar o local, mas estamos muito próximos e, por conta do calor e da baixa umidade, os estoques e disponibilidades subterrâneas estão reduzindo rapidamente. Agora, o trabalho será feito no dia a dia mesmo, para verificar o agravamento, ou não, da situação. Tudo depende do consumo” disse. 

No que diz respeito ao tempo de vazão da represa até o leito do rio, a secretária afirma que “está muito próxima”, mas que a medição, para saber em números exatos, ainda será feita. “A equipe da secretaria está na captação, para fazer a medição e verificar quanto tempo ela demora para chegar. A partir daí a gente consegue tirar o tempo de demora para o restante dos outros 70 barramentos” pontuou. 

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As ações de fiscalização também foram intensificadas. Segundo a secretária, mais de 100 homens estão a campo fazendo rondas por toda a bacia. Ela afirma que, há um baixo descumprimento da irrigação diurna. “Pouca gente está irrigando no período diurno, porém, nós vamos fazer agora uma restrição de horário maior também no período noturno” inteirou. 

Andrea explicou sobre a questão da outorga, que tem como função permitir a captação de água durante todo o dia. No entanto, com a redução feita apenas para o período noturno, entende-se que, 50% dessa captação terá que ser cortada. 

“Vamos ter que fazer um corte maior e uma fiscalização noturna que é bem mais complexa, bem mais difícil de fazer. A maioria não tem os equipamentos de medição de vazão, essa é uma realidade ainda na bacia, que precisa ser avançada. A ideia é que o controle seja feito pelo horário. Ao reduzirmos o horário de captação, a gente consegue fazer um controle melhor do volume captado” afirmou.