A Sociedade Beneficente São José se manifestou oficialmente após a decisão da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia que determinou sua saída imediata da gestão do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara. Em nota divulgada na noite da última quarta-feira (1º), a entidade lamentou a medida e destacou que, durante todo o período à frente da unidade, manteve regularidade na prestação de contas, sem apontamentos formais da pasta quanto à condução administrativa. (Veja nota na íntegra ao final)
No posicionamento, a SBSJ enfatiza que sempre atuou com “responsabilidade e celeridade” diante de situações pontuais, garantindo a continuidade da assistência à população. A organização reconhece que houve, em caráter excepcional, a substituição de uma empresa prestadora de serviços médicos, fator central no atual cenário de crise —, o que resultou, por um curto período, na restrição de novas admissões. Ainda assim, segundo a entidade, não houve interrupção no atendimento aos pacientes já internados.
A instituição também ressaltou que todo o processo de reorganização das equipes médicas foi acompanhado pela Secretaria Municipal de Saúde, com envio de documentação comprobatória sobre a nova composição dos profissionais e das escalas assistenciais. A SBSJ informou, ainda, que deve formalizar nos próximos dias a assinatura de um termo de rescisão amigável, indicando que as tratativas para o encerramento do contrato já estão em andamento.
Por fim, a entidade reafirmou seu compromisso com princípios de ética, transparência e qualidade na gestão de serviços públicos de saúde, reforçando que sua atuação sempre teve como foco a manutenção do atendimento à população usuária do SUS.
Intervenção da Prefeitura e cenário crítico
A decisão da SMS ocorre em meio a um cenário descrito pela própria pasta como de “extrema gravidade assistencial”. Relatório técnico elaborado após vistoria realizada na terça-feira (31) apontou ausência de médicos na unidade, o que exigiu a montagem emergencial de escalas para garantir os atendimentos.
O documento também descreve insuficiência crítica de recursos humanos, escassez de insumos, especialmente na área neonatal, falhas operacionais e comprometimento de serviços terceirizados essenciais. Segundo a secretaria, esses fatores impactaram diretamente a continuidade e a qualidade da assistência prestada.
Além disso, um despacho administrativo concluiu pela incapacidade técnica, operacional e gerencial da SBSJ para cumprir o contrato, citando descumprimento de metas assistenciais, baixa taxa de ocupação hospitalar e fragilidade na organização dos fluxos de atendimento.
Diante desse quadro, a SMS justificou a substituição imediata da organização social como medida necessária para “salvaguarda do interesse público e preservação da assistência à saúde”.
Transição emergencial e investigação
Com a saída da SBSJ, a gestão do hospital passou a ser assumida de forma emergencial pelo Instituto Patris, que já atua em outra unidade da capital. A atuação será temporária até a formalização de um novo termo de colaboração com o município.
A crise na unidade ganhou força após a troca de empresas responsáveis pelos serviços médicos, ponto que, segundo a Secretaria de Saúde, ainda será alvo de apuração. O médico e assessor técnico da pasta, Frank Cardoso Barbosa Viana, afirmou que o município já monitorava a situação desde dezembro, intensificando a fiscalização diante do agravamento recente.
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