17 de fevereiro de 2026
Gestão da saúde

Saúde de Goiânia pagava R$ 3,6 mil por plantão de pediatra com baixo número de atendimentos

Sandro Mabel afirma que modelo tinha distorções, com baixo atendimento, e defende uso racional do dinheiro público
Prefeito Sandro Mabel diz que reorganização dos plantões médicos busca equilíbrio financeiro e melhoria do atendimento à população. Foto: Reprodução.
Prefeito Sandro Mabel diz que reorganização dos plantões médicos busca equilíbrio financeiro e melhoria do atendimento à população. Foto: Reprodução.

A Prefeitura de Goiânia iniciou uma ampla revisão dos contratos e da organização dos plantões médicos na rede municipal de saúde após identificar distorções nos valores pagos, como plantões de pediatria no valor de R$ 3,6 mil, em que, segundo o prefeito Sandro Mabel, havia situações de atendimento a apenas dois pacientes durante toda a noite.

Em entrevista, Mabel afirmou que as mudanças fazem parte de um processo de reorganização e racionalização da rede, com foco no uso correto dos recursos públicos e na melhoria do atendimento à população. “Nós tínhamos um plantão de pediatria que pagava R$ 3.600. Às vezes, o médico atendia duas crianças em uma noite”, relatou. Segundo ele, embora o pediatra possa ser demandado para outras intercorrências, o modelo adotado estava fora da realidade do mercado e comprometia o equilíbrio financeiro do sistema.

O prefeito destacou que a gestão mantém diálogo com os sindicatos e que não adota postura intransigente. “Estamos conversando. Toda gente conversa. Eu entendo que um médico especialista tem um valor diferenciado. Agora, não quero pagar menos para médico nenhum e também não quero pagar a mais. Temos que pagar o que é justo”, afirmou.

Mabel explicou que parte do problema teve origem no fim da gestão anterior, quando, diante do risco de colapso na saúde municipal, os valores dos plantões foram elevados para tentar manter profissionais na rede, mas sem a devida capacidade de pagamento. “Subiram o plantão, mas nunca pagaram. Essa conta ficou para trás e fomos nós que pagamos”, disse.

Com a reorganização atual, a prefeitura passou a ter maior controle da rede e do número de plantões necessários em cada unidade. O prefeito ressaltou que Goiânia hoje conta com pediatria 24 horas em todas as 14 unidades de emergência, algo que não existia anteriormente. “Isso custa dinheiro, custa médico. Mas agora conseguimos estabelecer quantos plantões são necessários para não faltar profissional”, pontuou.

Uma das medidas adotadas é o pagamento por hora, permitindo maior flexibilidade na alocação dos médicos conforme a demanda. “Às vezes, um médico está parado em uma unidade enquanto outra está sobrecarregada. Com esse modelo, podemos remanejar e atender melhor a população”, explicou.

Sobre as críticas de entidades médicas e pedidos de suspensão de editais, Mabel afirmou que os sindicatos cumprem seu papel, mas reforçou a responsabilidade da gestão com o dinheiro público. “Eles defendem os médicos. Nós defendemos o contribuinte. Recebemos dinheiro do contribuinte e precisamos fazer o benefício chegar a ele”, declarou.

O prefeito também citou gastos que considera questionáveis em gestões passadas, mencionando emendas parlamentares. “Teve emenda de R$ 2,5 milhões na saúde para dar comida para cavalos. É só abrir e ver quantos animais se alimentam com a ração paga”, criticou.

Segundo Mabel, os ajustes são necessários, ainda que causem resistência. “Os ajustes são doídos, mas vão ficar bons para os profissionais e, principalmente, para a população, que é quem mais se beneficia”, concluiu.


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