21 de julho de 2026
EMBATE • atualizado em 18/05/2026 às 18:05

Sandro Mabel chama greve da Educação em Goiânia de “política” e diz que prefeitura não tem dinheiro

Prefeito afirma que movimento tem motivação eleitoral, reconhece atraso na data-base e cita déficit de R$ 500 milhões herdado da gestão anterior
Mabel disse que não tem como atender reivindicações e que a greve é política - Foto Alex Malheiros
Mabel disse que não tem como atender reivindicações e que a greve é política - Foto Alex Malheiros

O prefeito Sandro Mabel (UB) classificou a greve de professores e administrativos da rede municipal de um gesto político eleitoral: “É greve política, vai chegando perto de eleição, vai se tendo política, entende?”, disse ele durante evento sobre descentralização de recursos para a Saúde, realizado no Paço Municipal, nesta segunda-feira (18).

Mabel foi duro com o movimento grevista afirmando que “não tem nada para reclamar da educação”. Ele disse ainda que não tem como atender as reivindicações da categoria.

“Eu tenho que ter responsabilidade, eu recebi a prefeitura aqui com quase 52% de comprometimento da Folha, então não tem espaço fiscal para a gente mexer com isso. Nós temos que ir organizando, é o que nós vamos fazer, melhorar a arrecadação para abrir espaço fiscal e fazer [atender]”, disse o prefeito.

Em nota divulgada nesta segunda-feira (18), o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego) rebateu as declarações da prefeitura e afirmou que a paralisação ocorre diante da ausência de avanços nas negociações com a gestão municipal. Segundo a entidade, a greve chegou ao sétimo dia de mobilização mantendo reivindicações consideradas prioritárias pela categoria.

O sindicato reconheceu o envio do reajuste do piso do magistério à Câmara Municipal, mas criticou o atraso de cinco meses e a ausência de pagamento retroativo. De acordo com o Sintego, a medida não contempla o conjunto das pautas reivindicadas pelos trabalhadores da educação.

Entre os principais pontos cobrados pela categoria estão a reformulação do plano de carreira dos administrativos da Educação, concessão de progressões, aplicação da Lei do Descongela, cumprimento da Lei do Enquadramento, convocação de concursados aprovados, além da redução da sobrecarga de trabalho causada pela superlotação das salas de aula e excesso de plataformas pedagógicas.

Ainda na nota, o Sintego afirmou que a greve “é resultado da ausência de avanços efetivos nas negociações” e disse que o sindicato permanece aberto ao diálogo desde que a prefeitura apresente propostas concretas para análise da categoria em assembleia. Confira a nota na íntegra ao final.

Atraso na data-base

Mabel reconheceu que vai pagar a data-base em atraso esse ano, mas acusou quem adere à greve de servir de “massa de manobra” para intenções eleitorais.

“Nós já estamos com o repasse do dinheiro da educação, esse ano ainda nós estamos repassando atrasado, como a data-base [que] também nós vamos ainda repassar. Agora, nós vamos repassar em agosto o que deveria ser em maio, nós vamos repassar em agosto. A educação era em janeiro, nós repassamos agora em maio. E no ano que vem, se Deus quiser, o professor, a data-base de janeiro vai receber em janeiro e a data-base de maio vai receber em maio”, explicou. 

Segundo ele, o foco é organizar o fluxo da prefeitura citando a herança da gestão anterior em 2025. “No último ano teve um déficit de quase 500 milhões de reais. E largaram essas contas todas para nós pagarmos”.

Na semana passada, o reajuste de 5,4% nos salários de professores foi aprovado pela Câmara Municipal de Goiânia com efeito retroativo a 1º de maio. O projeto foi enviado um dia antes da greve anunciada pelo Sintego ter início, mas sua aprovação não encerra a pauta do movimento.

A greve reivindica também:

  • Plano de carreira dos administrativos
  • Pagamento das progressões de carreira
  • Pagamento da data-base dos administrativos
  • Aplicação do descongela (Lei nº 226/26) e do enquadramento (Lei nº 15.326/26)

Nota à imprensa – Greve da Rede Municipal de Educação de Goiânia



“A greve dos/as trabalhadores/as da Educação da rede municipal de Goiânia chega
nesta segunda-feira (18), no sétimo dia mantendo a mobilização da categoria em busca
de valorização e resolução das pautas.


Embora a Prefeitura tenha anunciado o envio do reajuste do piso do magistério, à
Câmara Municipal, com cinco meses de atraso sem o retroativo, a medida não contempla
o conjunto das reivindicações apresentadas pelos/as trabalhadores/as da Educação. O
SINTEGO reforça que a pauta da greve permanece em aberto, uma vez que diversos
pontos seguem sem resposta concreta por parte da administração municipal.


Entre as principais demandas estão a reformulação do plano de carreira dos/as
Administrativos/as da Educação; a concessão das progressões de carreira; a aplicação do
Descongela (Lei nº 226/26); o cumprimento da Lei do Enquadramento (Lei nº 15.326/26);
a convocação dos/as concursados/as aprovados/as; a desburocratização do sistema
educativo e da atuação pedagógica; o enfrentamento à sobrecarga de trabalho com a
superlotação das salas de aula e plataformas intermináveis; o respeito aos/às servidores/as
readaptados/as; o pagamento da data-base de 2026 para os/as Administrativos/as;
melhoria no Imas além da posição contrária à terceirização da merenda escolar dentre
outros.


O SINTEGO destaca que a greve é resultado da ausência de avanços efetivos nas
negociações, insistentemente buscadas pelo sindicato em um ano e cinco meses da atual
gestão. O sindicato reforça que está disposto a construir soluções, desde que propostas
concretas sejam apresentadas e possam ser debatidas e aprovadas pela
categoria em Assembleia.


O movimento segue dentro da legalidade, com atividades e mobilizações nos
próximos dias. Hoje foi realizado um Ato no Imas, cobrando melhorias para os/as
usuários/as. Amanhã, haverá uma nova Assembleia para avaliar o movimento e definir os
próximos passos da luta.


O SINTEGO reforça que, na condição de representante legal dos/as
trabalhadores/as da Educação, permanece aberto ao diálogo e segue em busca de
propostas concretas que atendam às pautas apresentadas pela categoria. A definição sobre
os encaminhamentos da greve, dependerá da prefeitura de Goiânia por meio de
apresentação de propostas para que a categoria possa analisar e deliberar. A possibilidade
de finalizar a greve está nas mãos da administração.”


Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás


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