12 de agosto de 2026
ELEIÇÕES 2026

Saída de Ana Paula Rezende do MDB gera reações negativas apesar de reforço político ao PL, aponta estudo da Métis

A percepção negativa de 50% em comentários no Instagram é um forte alerta para os dois lados da disputa e alimenta as ações dos dois lados.

Ana Paula Rezende desfiliou-se  do MDB e oficializou entrada no Partido Liberal para compor como pré-candidata a vice na chapa de Wilder Morais ao Governo de Goiás em 2026. O movimento, que reposiciona a disputa estadual, provocou reação negativa relevante, especialmente em segmentos ligados ao irismo e à base governista.

A conclusão faz parte de estudo qualitativo feito pela Métis Consultoria, dirigida pelo professor Luiz Carlos Fernandes, com metodologia desenvolvida por ele no pós-doutorado para análise de reações de eleitores nas redes sociais. A análise permite entender a repercussão de fatos, como lançamentos de candidaturas, pelas reações divulgadas pelos eleitores na web.

O levantamento da Consultoria Métis, com dados coletados entre 15 e 22 de fevereiro de 2026, monitorou 15 veículos de imprensa e redes sociais, processando cerca de 180 unidades de informação. O diagnóstico aponta um ambiente de “equilíbrio tenso” entre o capital simbólico do sobrenome Rezende e a resistência política à ruptura de Ana Paula com o MDB. Fernandes ressaltou que não se trata de pesquisa de intenção de voto.

A conclusão da análise estratégica do relatório é clara: a chapa Wilder e Ana Paula possui alto capital simbólico, mas enfrenta forte resistência narrativa no eixo “mercantilismo/traição”. A percepção negativa de 50% em comentários no Instagram é um forte alerta para os dois lados da disputa e alimenta as ações dos dois lados.

Em síntese, a saída de Ana Paula Rezende do MDB não foi um simples ato de filiação partidária. Foi um movimento que tensionou o legado de Iris Rezende, dividiu o irismo, incomodou a base governista e reorganizou a engenharia do voto casado para 2026.

Clima Geral: 33% de reação negativa

No consolidado geral, a repercussão ficou assim:

  • Positiva: 22%
  • Neutra: 45%
  • Negativa: 33%

O dado central é que a situação negativa supera a positiva em 11 pontos percentuais, revelando que a reação crítica à saída do MDB tem peso político concreto .

Na imprensa, incluindo a notícia e os comentários de leitores dos perfis dos veículos nas redes sociais, o cenário foi ainda mais adverso:

  • Positiva: 18%
  • Neutra: 42%
  • Negativa: 40%

Ou seja, quatro em cada dez abordagens factuais ou analíticas tiveram enquadramento crítico ou desfavorável .

Redes Sociais: polarização acentuada

Nas redes sociais, considerando perfis gerais, a polarização foi mais evidente.

No X (camada de jornalistas):

  • 15% positiva
  • 65% neutra
  • 20% negativa

Já na militância política no X:

  • 35% positiva
  • 15% neutra
  • 50% negativa

No Instagram, na amostra de comentários analisados:

  • 30% positiva
  • 20% neutra
  • 50% negativa

Metade das manifestações opinativas no Instagram foi negativa . É o dado que sustenta a leitura de que a saída do MDB não foi absorvida pacificamente, segundo os dados coletados nas datas referidas pela pesquisa.

Opiniões de segmentos

O relatório segmenta as reações por grupos ideológicos e políticos.

Entre eleitores e influenciadores de direita, a narrativa predominante foi de fortalecimento ideológico. A presença da filha de Iris Rezende ampliaria o capital simbólico do campo conservador e consolidaria o PL no Estado.

No grupo identificado como “iristas/MDB”, a divisão é explícita. Parte considera a decisão uma “traição ao legado” de Iris Rezende; outra parcela interpreta como tentativa de preservar o capital político do sobrenome em um novo arranjo partidário .

Entre pragmáticos e analistas institucionais, ganhou força a narrativa de “acordo empresarial/mercantilista”, expressão atribuída em trechos da cobertura ao governador Ronaldo Caiado. Esse enquadramento desloca o debate do campo emocional para o campo da conveniência política .

Pressão interna no MDB

A pesquisa identifica gatilhos de risco associados à saída de Ana Paula que, segundo Daniel Vilela, implica numa renúncia tácita à presidência do partido a partir da posse dele como governador:

  1. Narrativa de “traição” e “ruptura simbólica” com o MDB.
  2. Leitura de “pressão” e “desconforto interno” no partido.
  3. Percepção de desalinhamento com o grupo de Caiado.

Expressões como “queda de braço”, “desconforto interno” e a declaração de que teria sido “completamente ignorada” no processo político reforçaram a percepção de crise interna .

O MDB, ao perder o trunfo simbólico da herdeira de Iris, passa a enfrentar maior dificuldade em capturar o voto emocional do irismo, segundo o relatório e os dados coletados até agora. Mas, tudo depende de como a campanha será desenvolvida.

Metodologia

O professor Luiz Carlos Fernandes detalha, sobre a metodologia da análise, que “temos um “termômetro digital de alta precisão” que varre tudo o que é dito sobre um candidato na internet. Nós não apenas “lemos” as notícias; nós medimos o peso de cada palavra. Nossa tecnologia identifica se uma notícia na imprensa está ajudando ou atrapalhando a imagem do político e, ao mesmo tempo, escuta o que o “eleitor de carne e osso” está comentando nas redes sociais”


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