O ex-governador de Goiás, pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) publicou um post em suas redes sociais dizendo ser “inaceitável” o tratamento à senadora Damares Alves (Republicanos) que se tornou alvo de críticas e até ameaças à sua filha por aliados dela na direita.
Esta semana, mais uma vez, a parlamentar, que é uma das principais aliadas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro denunciou ataques misóginos na sequência do racha entre Michelle e o senador Flávio Bolsonaro, junto a seus irmãos, todos do PL. O senador é adversário de Caiado na disputa pelo Planalto.
“É inaceitável que a senadora Damares Alves seja alvo de ataques e violência de gênero por expressar suas opiniões. Não é assim que se faz política. A direita é maior que isso”, publicou Caiado.
Fase de críticas a Flávio

Nos últimos dias, faltando três meses para o primeiro turno, Ronaldo Caiado subiu o tom de críticas contra Flávio. Em uma publicação feita no X na semana passada, o goiano escreveu que “o barco está afundando e os aliados já começaram a pular fora” ao comentar uma matéria jornalística que dizia que o União Brasil e o Progressistas não devem apoiar o candidato do PL na corrida presidencial.
Também em entrevista à CNT, ainda na semana passada, Caiado disse que Lula cuida de Flávio como se fosse “um peru de Natal”.
Na sequência, publicou postagens em que condenou a postura de Flávio nos Estados Unidos, quando pediu apenas a suspensão temporária do tarifaço, e não a revogação para não prejudicar a economia brasileira. Por fim, no final de semana, ao comentar a carta de Jair Bolsonaro lida por Flávio nas redes no sábado (11), Caiado disse que o adversário não saberia liderar o país sozinho se fosse eleito.
Ataques a Damares
No início de julho, durante reunião da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, presidida pela própria parlamentar, a senadora Damares revelou ter sido alvo de uma onda de ataques nas redes sociais. As declarações foram feitas um dia depois de Michelle anunciar que deixaria a presidência do PL Mulher em meio à crise com Flávio — em vídeo, a mulher de Jair Bolsonaro (PL) afirmou que o senador a maltratou e desrespeitou.
Damares afirma que os ataques ultrapassaram as críticas políticas e passaram a atingir sua vida pessoal e sua família.
“Essa semana eu tenho sido vítima dos mais terríveis ataques (…) Disseram que vão matar minha filha. Inclusive eles fazem imagens de como vão matar a minha filha. A minha filha é uma menina indígena. Eu sou mãe de uma menina indígena. E eles simulam imagens que estão empalando a minha filha, que estão decapitando ela. É uma violência política que a gente não consegue imaginar”, denunciou ela.
Os ataques foram condenados por mulheres de direita e de esquerda. Até a primeira-dama Janja Silva (PT), criticou as ameaças tanto a Michelle quanto a Damares.
Esta semana, o jornalista Reinaldo Azevedo comentou a situação de Damares afirmando que o movimento de seus aliados “expõe de forma crua e dramática a misoginia no campo bolsonarista, que atinge até mesmo a teórica do ‘azul para meninos e rosa para meninas'”. Foi uma referência à classificação feita pela senadora no passado e que foi bastante criticada pelo mesmo segmento que hoje sai em defesa dela.
Damares lembra que Flávio não é único candidato da direita
A situação agravou nos últimos dias depois que o portal Metrópoles divulgou no domingo (12), que Damares disse que não daria novas contribuições para o plano de governo de Flávio e que só o auxiliaria após uma eventual vitória do senador. Ela então passou a ser chamada de traidora.
Em resposta, na segunda-feira (13), Damares declarou no Senado que a decisão de deixar a equipe do plano de governo isso não significava rompimento com Flávio e que o senador do PL continua seu pré-candidato a presidente. Ela alfinetou ainda, de forma indireta, os apoiadores de Flávio que atuam nas mídias digitais e disse que não dá satisfação a “aloprados de internet”.
Por outro lado, sutilmente, na mesma oportunidade, a senadora não citou nomes, como o de Ronaldo Caiado, por exemplo, mas lembrou no discurso que a direita não tem somente Flávio Bolsonaro na disputa para presidente em 2026.
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