17 de maio de 2022
Política

Reunião vira “chororô” de deputados. Jardel e Valin mandam e desmandam

Ultimo episódio de um grande jogo de cena, a tão esperada reunião dos deputados da base do governo nesta manhã na Assembleia Legislativa não passou de mero faz de conta. Sem ao menos conseguir agrupar os cerca de trinta parlamentares que fazem parte da base, o que se viu na sala da presidência foi muito chororô pelo tratamento dispensado pelo governo e o estabelecimento de um frágil “compromisso” para manter quórum suficiente para as votações.

A fragilidade desse acordo se deve justamente à postura das duas figuras mais importantes da Casa e que, não por acaso, são os responsáveis por todo o jogo de cena visto nos últimos meses na Assembleia. Se atualmente 75 projetos estão trancando a pauta há cerca de um mês e só houve quórum para votações em 13 das 40 sessões do segundo semestre do ano, como mostraram matérias do jornal O Popular, é a articulação desses dois líderes a maior responsável pela atual situação.

Ligados a um grupo profundamente insatisfeito com a maior influência dos outros grupos nas decisões do governo do Estado e temerosos com a fatídica reforma no secretariado, os tucanos Helder Valin e Jardel Sebba travaram completamente a Assembleia. E como quem bate e esconde a mão, iniciaram um jogo de cena com apoio de colegas deputados da própria base, e até mesmo da oposição, para culpar os deputados “ausentes” e se eximirem da responsabilidade de uma ação orquestrada e direcionada para que nenhum projeto de lei do governo fosse aprovado.

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O que não é dito publicamente, mas sabe-se bem nos corredores da Assembleia, é que não foram poucas as vezes em que a assessoria de Valin ou de Jardel entrou em contato com os colegas deputados para “dispensá-los” da obrigação de registrar presença no plenário nas últimas semanas. E quem conhece bem o funcionamento da Casa sabe que, quando quer, a liderança do governo ou a presidência não tem nenhuma dificuldade em conseguir e manter o quórum necessário para o andamento normal no legislativo.

Agora, com o fim dos rumores de troca dos seus indicados, principalmente do presidente da Agecom, José Luiz Bittencourt, e com o jogo de cena cumprindo a sua missão de ocultar os verdadeiros responsáveis, espera-se que a Assembleia Legislativa volte a legislar. Mas esta decisão cabe a apenas dois dos 41 deputados e aos seus interesses. Aos outros cabe apenas continuar como massa de manobra.


Foto: Y. Maeda

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