14 de julho de 2026
"EFEITO MASTER" • atualizado em 27/05/2026 às 09:52

Repercussão de foto com Trump é desfavorável para Flávio Bolsonaro nas redes, aponta analista

Levantamento com 348 mil citações indica repercussão negativa após encontro de Flávio Bolsonaro com Donald Trump nos EUA
Flávio Bolsonaro se encontrou com Trump mas "efeito Master" nas redes continuou - Foto Reprodução
Flávio Bolsonaro se encontrou com Trump mas "efeito Master" nas redes continuou - Foto Reprodução

Por ao menos por 12h, a fotografia do senador Flávio Bolsonaro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conseguiu, desviar nas redes sociais o debate sobre o envolvimento dele no caso Master, que tem causado grande desgaste para o presidenciável do PL. Mas a repercussão ainda é contaminada pela divulgação do áudio com Daniel Vorcaro, que impacta diretamente a percepção dos usuários: 30% dos comentários dizem que Flávio teria conseguido só uma foto rápida, revela o analista de redes Pedro Barciela, em entrevista ao portal ICL Notícias.

A constatação foi de que não teve reunião substantiva, foi um encontro sem tapete vermelho, sem aperto de mão, sem vídeo e com Trump sentado, comparando a cena ao retrato de fã, turista, Papai Noel, Disney ou museu de cera. Centenas de montagens com IA foram publicadas nas redes com pessoas que colocaram suas fotos no lugar dando a entender que foi “um encontro qualquer”.

As conclusões de Pedro Barciela foram baseadas em análise que detectou 348 mil citações sobre o tema, até o início da manhã desta quarta-feira (27).

É fato ou fake?

“Uma fatia de 22% ainda questiona a autenticidade da imagem, cita supostas semelhanças com fotos de Trump com Cristiano Ronaldo ou outras pessoas. Repetem que a pose, o sorriso e as mãos de Trump seriam idênticos em diferentes registros e pedem confirmação oficial da Casa Branca”, cita o ICL.

Na mesma linha, críticas inundaram as redes também apontando uma suposta subserviência aos EUA e risco à soberania brasileira (18%). “Aqui, parte dos comentários interpreta a visita como “lambe-botas”, “capacho” ou “entreguismo”, associando o pedido a Trump sobre facções a uma tentativa de envolver os EUA em assuntos internos do Brasil, com menções a intervenção estrangeira, ameaça à soberania e entrega do país”, observa o portal.

Subindo o tom, o analista apontou que 17% dos comentários afirmam que se organizações criminosas forem tratadas como terrorismo, como Flávio pediu a Trump, milícias, PL, aliados do Rio, família Bolsonaro, Banco Master e Vorcaro também deveriam entrar na conta. Por isso, ironizam que Flávio estaria “pedindo para prender a si mesmo” ou seus próprios aliados.

Gafe gerou piadas

Para agravar, a gafe do senador que citou “convite do presidente Lula” e demorou a perceber o erro, é central em 13% dos comentários, com abordagem irônica sobre o senador “não tirar Lula da cabeça” e sobre a força do encontro que o presidente teve com Trump há poucos dias.

Segundo o analista, de maneira geral, a leitura sobre o encontro só foi boa na bolha bolsonarista mais restrita. O reflexo nos demais foi amplamente desfavorável ao senador do PL. Os comentários positivos aparecem em menor volume, concentrados em frases como “Flávio Bolsonaro presidente”, “chora esquerda”, “a esquerda pira” e defesas de que o encontro teria valor político.

A maioria dos comentários, segundo o levantamento, associou o episódio a “humilhação, foto sem relevância, suspeita de IA/montagem, subserviência aos EUA, mentiras sobre a reunião e vínculos com milícia, Banco Master ou Vorcaro”.

A composição dos perfis que mantiveram conversas sobre o clã segundo publicou o ICL, reflete o impacto dos eventos: “36% das interações estão em atores bolsonaristas, 44% em atores de imprensa e apenas 19% em atores antibolsonaristas. Os não-polarizados somam menos de 1%”.


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