Trinta anos após um dos episódios mais dramáticos do sistema prisional brasileiro, a memória da maior rebelião já registrada em Goiás volta ao centro do debate público com o lançamento do livro “A Rebelião”, do promotor de Justiça Haroldo Caetano. A obra será apresentada no próximo dia 15 de abril, às 19h, no auditório 1 do Palácio Maguito Vilela, sede da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás.
O livro reconstrói, com riqueza de detalhes e tensão narrativa, a rebelião iniciada em 28 de março de 1996 no então Centro Penitenciário de Atividades Industriais do Estado de Goiás (Cepaigo), hoje Penitenciária Odenir Guimarães. O motim expôs o colapso do sistema carcerário goiano e ganhou repercussão nacional ao envolver a tomada de 32 reféns, entre juízes, promotores, agentes penitenciários e profissionais da imprensa.
Uma crise anunciada
À época, o Cepaigo operava muito além de sua capacidade: projetado para 320 detentos, abrigava 782. O ambiente era marcado por denúncias de maus-tratos, precariedade estrutural e tensão constante. O estopim da crise foi uma visita de autoridades ao presídio, realizada sem planejamento adequado, o que contribuiu diretamente para a eclosão da rebelião.
O movimento foi liderado pelo detento Leonardo Pareja, figura que se tornaria conhecida nacionalmente. Entre os reféns estava o próprio autor da obra, então um jovem promotor de Justiça, mantido sob domínio dos presos por mais de uma semana.
Relato de quem viveu o cárcere
Três décadas depois, Haroldo Caetano revisita os acontecimentos com base em sua experiência direta, aliada a um amplo levantamento de reportagens, arquivos televisivos e documentos oficiais. O resultado é uma narrativa em formato de romance de suspense, que combina memória pessoal, jornalismo e análise crítica.
A obra não se limita à reconstituição dos fatos. Ela aponta falhas estratégicas e operacionais que contribuíram para o agravamento da crise e propõe uma reflexão sobre o sistema prisional brasileiro, ainda marcado por superlotação e desafios estruturais.
Memória, imagem e reconstrução histórica
Publicado pela Editora Jandaíra, o livro conta também com ilustrações do fotógrafo Carlos Costa, que acompanhou de perto a rebelião em 1996 como repórter fotográfico do jornal O Popular. As imagens ajudam a reconstruir visualmente o clima de tensão e incerteza vivido durante o motim.
O lançamento na Alego reforça o caráter institucional e histórico da obra, ao trazer novamente à tona um episódio que marcou profundamente a história recente de Goiás. Ao dar voz a um protagonista direto dos acontecimentos, “A Rebelião” se consolida como um registro potente de memória e um convite à reflexão sobre o sistema carcerário e suas fragilidades.
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