19 de julho de 2026
Memória e Segurança Pública

Relato da crise no Cepaigo, “A Rebelião” será lançado na Alego no dia 15

Obra de Haroldo Caetano resgata crise no Cepaigo, quando autoridades foram feitas reféns por mais de uma semana

Trinta anos após um dos episódios mais dramáticos do sistema prisional brasileiro, a memória da maior rebelião já registrada em Goiás volta ao centro do debate público com o lançamento do livro “A Rebelião”, do promotor de Justiça Haroldo Caetano. A obra será apresentada no próximo dia 15 de abril, às 19h, no auditório 1 do Palácio Maguito Vilela, sede da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás.

O livro reconstrói, com riqueza de detalhes e tensão narrativa, a rebelião iniciada em 28 de março de 1996 no então Centro Penitenciário de Atividades Industriais do Estado de Goiás (Cepaigo), hoje Penitenciária Odenir Guimarães. O motim expôs o colapso do sistema carcerário goiano e ganhou repercussão nacional ao envolver a tomada de 32 reféns, entre juízes, promotores, agentes penitenciários e profissionais da imprensa.

Uma crise anunciada

À época, o Cepaigo operava muito além de sua capacidade: projetado para 320 detentos, abrigava 782. O ambiente era marcado por denúncias de maus-tratos, precariedade estrutural e tensão constante. O estopim da crise foi uma visita de autoridades ao presídio, realizada sem planejamento adequado, o que contribuiu diretamente para a eclosão da rebelião.

O movimento foi liderado pelo detento Leonardo Pareja, figura que se tornaria conhecida nacionalmente. Entre os reféns estava o próprio autor da obra, então um jovem promotor de Justiça, mantido sob domínio dos presos por mais de uma semana.

Relato de quem viveu o cárcere

Três décadas depois, Haroldo Caetano revisita os acontecimentos com base em sua experiência direta, aliada a um amplo levantamento de reportagens, arquivos televisivos e documentos oficiais. O resultado é uma narrativa em formato de romance de suspense, que combina memória pessoal, jornalismo e análise crítica.

A obra não se limita à reconstituição dos fatos. Ela aponta falhas estratégicas e operacionais que contribuíram para o agravamento da crise e propõe uma reflexão sobre o sistema prisional brasileiro, ainda marcado por superlotação e desafios estruturais.

Memória, imagem e reconstrução histórica

Publicado pela Editora Jandaíra, o livro conta também com ilustrações do fotógrafo Carlos Costa, que acompanhou de perto a rebelião em 1996 como repórter fotográfico do jornal O Popular. As imagens ajudam a reconstruir visualmente o clima de tensão e incerteza vivido durante o motim.

O lançamento na Alego reforça o caráter institucional e histórico da obra, ao trazer novamente à tona um episódio que marcou profundamente a história recente de Goiás. Ao dar voz a um protagonista direto dos acontecimentos, “A Rebelião” se consolida como um registro potente de memória e um convite à reflexão sobre o sistema carcerário e suas fragilidades.


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