19 de junho de 2024
Balanço da gestão • atualizado em 22/04/2022 às 10:56

Reformulação do transporte coletivo é “revolucionária”, avalia presidente da CMTC ao completar um ano no cargo

Tarcísio Abreu faz balanço de gestão em entrevista exclusiva ao Diário de Goiás
Tarcísio Abreu prestes a fazer um ano frente a gestão da CMTC (Foto: Prefeitura de Goiânia)
Tarcísio Abreu prestes a fazer um ano frente a gestão da CMTC (Foto: Prefeitura de Goiânia)

Quando o prefeito Rogério Cruz (Republicanos) assumiu definitivamente a Prefeitura de Goiânia, no dia 15 de janeiro de 2021, o transporte coletivo estava esfacelado. Pouco menos de um mês antes, as empresas forçaram os motoristas a cruzarem seus braços em um final de semana inédito na Região Metropolitana onde nenhum ônibus saiu às ruas para atender a população. O recado estava dado: o serviço havia entrado em colapso e se uma solução não fosse encontrada, aquela cena se repetiria outras vezes. Ainda assim, o republicano disse que cumpriria a promessa de reestruturar o transporte coletivo como prometido pelo antecessor Maguito Vilela (MDB).

Com um “abacaxi na mão para descascar”, o prefeito Rogério Cruz iniciou sua saga para dar uma nova roupagem ao serviço, e, então, sentou com técnicos do Governo do Estado, empresários e já que o serviço é metropolitano, também com outros chefes municipais para encontrar uma solução. Coube a Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC) conduzir parte dos trabalhos em busca de entregar uma reformulação atrativa para todos os entes e principalmente à população.

Ainda assim, houveram obstáculos em meio ao caminho e nos cinco primeiros meses da gestão, a CMTC viu passar pelo seu comando pelo menos três presidentes. Coube ao administrador de empresas, Tarcisio Abreu a missão de conduzir os trabalhos frente ao órgão. Se havia dúvidas sobre seu trabalho, elas logo foram sendo minimizadas. Quase um ano se passou e o especialista em gestão pública segue firme à frente do cargo, entregando inclusive, um pacote de novos serviços que fazem parte da reestruturação do sistema, aprovada no fim do ano passado pela Assembleia Legislativa.

“O transporte público coletivo é um desafio, que eu acho que muitos entes ainda não tinham colocado a mão da forma como nós estamos colocando, de forma definitiva, porque nós estamos vindo desde uma legislação nova, ou seja, estou construindo toda uma reestruturação, desde a parte institucional, até o nosso usuário”, crava em entrevista exclusiva ao Diário de Goiás que marca o balanço de um ano frente à gestão.

Pacote de entregas

Que o transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia sempre passou por olhares suspeitos quanto a qualidade (e ainda continua a viver suas dúvidas) não é nenhuma novidade, mas a reestruturação em curso pelo serviço dá novos contornos e esperança à população de um futuro um pouco melhor. Tarcísio destaca que a partir de agora, há uma série de entregas a serem feitas, que vão desde novidades da bilhetagem à entrega da renovação da frota dos ônibus que operação o serviço.

O próprio Bilhete Único, já lançado, é um marco na visão de Abreu. “Porque ele resolve muitas coisas, muitas coisas que os clientes reclamam. O cliente reclama de tempo de viagem, o bilhete único dá a resposta pra isso. Porque você reduz o tempo de viagem. O cliente reclama do custo. Ele resolve o problema pra isso. Entendeu? Porque eu reduzo o custo”, explica.

Com os imbróglios envolvendo a Prefeitura de Senador Canedo e Aparecida de Goiânia ficando no passado, Abreu pondera que todos os entes estão engajados num mesmo objetivo: melhorar a qualidade do sistema na Região Metropolitana de Goiânia.

Tarcisio Abreu em entrevista ao jornalista Domingos Ketelbey, do Diário de Goiás (Foto: CMTC)

Abreu pondera sobre o futuro do transporte coletivo e o que ainda há de ser feito no sentido da reestruturação. Quais serão os passos além das futuras demandas. A entrevista foi na sede da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC) e está disponível na íntegra abaixo. Confira:

ENTREVISTA COM TARCÍSIO ABREU, PRESIDENTE DA COMPANHIA METROPOLITANA DE TRANSPORTES COLETIVOS.

Domingos Ketelbey: O senhor está fazendo um ano à frente da gestão da CMTC agora em maio. Nesse tempo, passou por diversas situações que culminaram na reformulação do transporte aprovada pela Alego no fim do ano passado. Qual o balanço que faz deste período e dessa nova legislação que está sendo implementada?

Tarcísio Abreu: Eu vejo de forma muito positiva. Acho que desde que cheguei aqui, em maio, eu acho que essa missão foi uma missão árdua, realmente. O transporte público coletivo é um desafio, que eu acho que muitos entes ainda não tinham colocado a mão da forma como nós estamos colocando, de forma definitiva, porque nós estamos vindo desde uma legislação nova, ou seja, estou construindo toda uma reestruturação, desde a parte institucional, até o nosso usuário. Então, é uma reestruturação completa, que eu falo o seguinte, é uma nova lei, se criou uma nova lei, a Lei 169, a Lei complementar 169, a Lei complementar 171, que são as duas leis que hoje estabelecem  um novo modelo. Então, isso permite, com a criação da lei, a lei aprovada na assembleia, e foi um trabalho de articulação, de envolvimento do Estado, da Prefeitura de Goiânia, para que isso acontecesse. Então, com a nova lei, permitiu que a partir desse ano a gente começasse a implementar os novos produtos. Permitiu que a gente estabelecesse a nova CDTC, que é Câmara Deliberativa do Transporte Coletivo. Dia 25 de fevereiro foi instalada a nova Câmara, com novos componentes, com a nova estrutura, estrutura técnica, que dá realmente a diretriz do transporte publico. Então, tudo isso partiu da lei, partiu dessa articulação estado e prefeitura de goiânia. Então, a lei permitiu isso. Então, temos agora, aí fazendo um balanço, um resumo de tudo isso, nós temos uma lei nova,  nós temos uma nova câmara deliberativa estabelecida, nos temos dentro da câmara, nós temos uma deliberação 1, 2 e 3, que criou, na realidade, esse novo modelo, a nova RMTC, mobilidade como serviço e que agora segue um cronograma de entregas, primeiro cronograma, primeiro produto, que foi o bilhete único. Isso estava na proposta tanto do Maguito quanto do Rogério Cruz, então, acho que o prefeito entrega, faz aí a entrega realmente do produto que estava no plano de governo dele. O bilhete único dá pro nosso usuário uma liberdade, mas, ao mesmo tempo, a mudança de cultura,a mudança de visão, de como se locomover dentro da cidade. Então, essa foi a primeira entrega, nós temos a próxima entrega que está  programada aí para o final do mês de abril, que vai ser o passe livre do trabalhador. Então, isso vai ser um produto revolucionário, não quero nem me estender nisso, é só pra deixar esse despertar do produto. Mas nós temos bilhete de um dia, bilhete de uma semana, nós temos todo um cronograma.

DK: Explica um pouco mais sobre esses bilhetes que vão surgir…

TA: Nós temos o bilhete de uma semana, o passe livre do trabalhador, nós temos bilhete de um dia, bilhete de uma semana, pós-pago, o cartão família e nós temos o meia-tarifa. São 7  novos produtos que irão, eu gosto de usar essa palavra, acho que vão revolucionar, vão transformar a forma como o nosso usuário de transporte coletivo vai se movimentar dentro da cidade. Então, é um conjunto de produtos que vão ser criados e trabalhados para serem entregues para a nossa população, tudo este ano, todos no ano de 2022. Além disso, nós temos uma renovação de frota, frota nova que vai ser comprada nos anos de 2022, 2023 e 2024. Isso faz parte do projeto, isso faz parte do plano. Além disso, nós estamos falando também dos abrigos, hoje em Goiânia existe aí, em média, na região metropolitana 6800 PEDs, pontos de embarques e desembarques, da qual desses, 3000 ainda não tem abrigos. Então nós precisamos trabalhar isso, precisamos botar uma condição favorável. E o projeto tem um capítulo especial lá, novos serviços, fala sobre abrigos. Além dos novos abrigos, fala também do Citybus 3.0. Nós estamos trabalhando para poder retomar isso, então é um projeto muito amplo e a gente sabe que o projeto, ele não muda da noite pro dia, isso é uma construção. Então, isso é muito positivo, vejo com muita assertividade o que está sendo feito. Vejo que esse alinhamento entre os entes federativos, principalmente o Estado e Prefeitura de Goiânia, fortalece demais. Porque se não tivesse esse alinhamento,eu acho que a gente não conseguiria fazer esse movimento, que é um movimento, realmente, de transformação. Então, vejo positivo, acho que nós estamos só começando e eu acho que tem muita coisa pra vir, acho que nosso usuário vai ficar muito feliz com a proposta que está se montando para que ele possa, realmente, usar o transporte e estar satisfeito com o serviço que vai ser feito. 

DK: O senhor é secretário-geral da CDTC que também foi e está sendo reformulada. Como vê essas alterações feitas no colegiado que até pouco tempo atrás se reunia apenas uma vez no ano para aumentar a tarifa?

TA: Eu acho que a principal mudança da CDTC é essa: é uma CDTC técnica que agora delibera. Realmente, define políticas públicas voltadas para o transporte coletivo. Então, isso fortalece demais a CDTC e, além disso, dá pra CDTC a condição real dela estar podendo se reunir várias vezes. Porque tem muitos assuntos, nós estamos falando de um projeto muito amplo. Então, para cada decisão dessa, vai precisar de reuniões. A última foi dos ônibus elétricos, ou seja, tipologia de frota, o contrato foi de 2008, então, esse contrato precisa que algumas coisas sejam renovadas, precisa ser modificado. Então, a gente está trabalhando exatamente para isso. Nós nunca tivemos a possibilidade de ter um bilhete de um dia, bilhete de uma semana. O cartão família, imagina só, você com uma única tarifa movimentar a família inteira, 5 pessoas. Então, isso tudo, só é permitido por  conta da CDTC instalada, uma CDTC técnica.

Presidente da CMTC destaca mudanças no transporte coletivo

DK: Já tem uma nova data com relação à futura reuniões na CDTC? 

TA: Ainda não temos. Uma observação sobre isso: ‘quem serão os componentes?’ Nós temos quase todos secretários de estado, Prefeitura de Goiânia, Prefeitura de Aparecida e Prefeitura de Senador Canedo. São os secretários, pessoas diretamente envolvidas com as questões. Nós estamos falando de desenvolvimento social, nós estamos falando de secretaria de governos, nós estamos falando de secretaria de infraestrutura, nós estamos falando de controladoria, ou seja, são pessoas que têm total interesse e conhecimento para poder trabalhar com isso. Então, eu acho que fortalece a posição da CDTC. Nós estamos realmente em um cronograma de mais reuniões, já estamos programando aí a terceira e a quarta reunião da CDTC para deliberar. Não tem data, mas já está programando isso para a gente deliberar outros assuntos. Nós estamos ainda encaminhando todo esse processo de reestruturação, falta fechar a reestruturação da CMTC, então precisa ser deliberado pela Câmara Deliberativa. Porque agora o Estado faz parte da CMTC também, como faz parte da CDTC. A CDTC vai fazer parte da CMTC, então, precisa mudar estatuto, eu preciso criar todo uma condição para que a CMTC receba o Estado.

DK: O que mudaria nessa nova configuração ?

TA: Na realidade, agora nós estamos dando para todos os entes que fazem parte da CDTC uma posição dentro da CMTC também. Então, isso dá mais credibilidade, dá mais força institucional. Isso, eu acho que, assim, institucionalmente, eu nunca tive. Eu, que lido com transporte há alguns anos, acho que eu nunca vi uma condição institucional tão forte. O Estado assumindo seu papel. O Estado com 41% de responsabilidade, de participação, de interesse dentro disso. A Prefeitura de Goiânia também, com seus 41,2%, de acordo com a lei. A Prefeitura de Aparecida e Senador Canedo, com seus percentuais também. Então, eu acho que isso dá força, força institucional a gente precisa disso. O sistema, acho que desde de 2013, ele estava órfão, órfão de uma participação maior do Estado, de um envolvimento com o transporte. Então, agora nós temos, nós temos essa instituição, nós temos um plano de trabalho, nós temos as ações pré-estabelecidas. Foi tudo aprovado na primeira deliberação , lá fala todos os itens que serão trabalhados nos subprojetos. Então, acho que a CDTC dá isso, dá esse caráter institucional, forte, de realmente, de gente que vai deliberar para o transporte.

DK: Como está a questão da Metrobus vir a compor a CMTC? O que mudaria nesse sentido?

TA: Na realidade, a lei autoriza a Metrobus ser incorporada à CMTC, a lei autoriza. Nós não demos nenhum encaminhamento sobre esse tema, esse tema ainda não teve nenhuma movimentação por isso. Na realidade nós estamos trabalhando na reestruturação da CMTC com os papéis, ou seja, que todos os entes participem da CMTC, como estatuto, ou seja.

Todas as cidades que participam do projeto hoje. Estou falando do Estado, Goiânia, Senador Canedo e Aparecida. Hoje, Aparecida já está aqui, já tem um acento indicado já. Agora nós vamos ter Senador Canedo e o Estado também. Então, nós vamos ter o colegiado, a diretoria colegiada, que tem o presidente que faz rodízio entre a Prefeitura de Goiânia e o Estado e nós temos quatro assentos, um para o Estado, um para Goiânia, um para Aparecida e um para Senador Canedo.

DK: O que mais vai mudar nessas mudanças que estão ocorrendo tanto na CDTC como na CMTC?


TA: Então, é uma nova diretoria colegiada, onde essa composição representa o que é a CDTC hoje. Então, nós estamos exatamente dando esse mesmo caráter, CDTC e CMTC com o mesmo caráter institucional com a participação. Por que que isso é importante? Por que que a gente valoriza tanto isso? Valoriza porque isso dá uma identidade, dá um poder institucional forte, onde tem esses entes, que decidem lá dentro da CDTC  e da CMTC também. Então, acho que isso é o grande ganho pro sistema, institucionalmente. Eu tenho agora uma diretriz, o  que foi aprovada agora, na primeira deliberação da CDTC é uma diretriz pra CMTC. A CMTC é o braço que opera, é o braço que bota a mão na massa para poder entregar. Agora a gente sabe o que fazer, a gente tem um plano de trabalho para poder executar.

DK: Falando sobre o transporte coletivo hoje [a entrevista foi gravada no dia 20 de abril], como o sistema está operando?

TA: Nós estamos em um crescimento de demanda. A gente tem que olhar o transporte como uma nova época, uma nova época pós-pandemia. Nós ainda estamos nesse período de pandemia, mas, é uma retomada, vamos falar do período de retomada. Então, nós estamos vendo a retomada como crescimento, uma volta do passageiro. Então, o passageiro, hoje, o passageiro de abril de 2022, em relação a abril de 2021, é o dobro, é o dobro do número de passageiros. Nós estamos falando de mais de 400 mil passageiros, por dia. Nós tinhamos 200 mil passageiros na época, em 2021. Então, os números mostram, não é a CMTC que chega a essa conclusão, os números mostram que nós estamos em um processo de retomada, num processo de crescimento. Então, eu vejo que as coisas estão voltando e para isso a CMTC tem uma obrigação e aí, um compromisso de gerenciar essa rede de forma a adaptar essa nova realidade. Hoje, a CMTC, de setembro de 2021 até hoje, já incluiu mais de 1.300 viagens nos horários de pico, mais de 1300 viagens, exatamente por conta da demanda. Nós temos recebido muitos prefeitos da região metropolitana. Ontem mesmo, nós estavamos aqui com Bonfinópolis, o prefeito Kelton com 6 vereadores, se não me engano, 6 ou 7 vereadores, fazendo pedido de incremento de viagens. Fomos até surpreendidos ontem, porque chegaram com uma lista de pedidos e o pedido vai ser implementado dia 25 e já estava no nosso planejamento. Porque a gente já tinha se antecipado a isso, porque a gente já tinha visto a necessidade. Foi até engraçada a situação, porque o vereador não queria entregar o ofício. Ele falou assim: “Nossa, vim pedir uma coisa e voces estão entregando mais do que eu pedi…”. Então, acho que é isso, nós estamos em evolução, estamos trabalhando para isso, tem coisas para melhorar, nós sabemos disso, nós temos que melhorar nessa questão dos ônibus, nós temos que reduzir o volume de quebras, reduzir os problemas com os ônibus, nós temos que trabalhar essa questão dos abrigos. Mas, nós estamos acompanhando  isso de forma diária com as equipes em rua.

DK: Quando o passageiro vê essas discussões e debates acerca de um transporte coletivo melhor, ele fica na expectativa de ver isso logo na prática e o senhor tem falado de diversos pacotes de entregas. Presidente, qual vai ser o serviço lançado que mais vai impactar a vida do passageiro?

TA: Eu entendo que são alguns pontos. Não tem um exclusivo, mas tem alguns pontos. Eu vou te enumerar. Nós acabamos de fazer uma pesquisa com o bilhete único e é unânime, não tem ninguém que reclame do bilhete único. Por que que eu falo do bilhete único, vou começar por ele e é o carro chefe desse processo?  Porque ele resolve muitas coisas, muitas coisas que os clientes reclamam. O cliente reclama de tempo de viagem, o bilhete único dá a resposta pra isso. Porque você reduz o tempo de viagem. O cliente reclama do custo. Ele resolve o problema pra isso. Entendeu? Porque eu reduzo o custo. Nós temos um depoimento de uma senhora que ia pro trabalho e ela tinha que pegar dois ônibus, para poder ir mais rápido ela pagava dois ônibus. Ela não precisa mais pagar dois ônibus. Temos o depoimento de uma mãe em uma entrevista que deixava a filha na escola e pegava outro ônibus e pagava de novo, e ela nao precisa mais pagar. Então, ela reduz o custo, reduz o tempo de viagem e reduz o custo, e, o mais importante, nós vivemos ainda o pós-pandemia, eu elimino essa aglomeração, eu tiro a aglomeração, que hoje, para a gente, virou uma coisa primordial. A questão da aglomeração, a gente está muito aglomerado, muito proximo. Então, o bilhete único é o carro chefe. Mas ele sozinho resolve? Não! Sabe o que mais que pode resolver, que vai vir junto?! A frota nova. Isso é visual. Então, para o usuário, se ele ver, 100 ônibus rodando, ele percebe que está mudando. Até mesmo com o bilhete único que já está tendo 70 mil validações de integração, estamos falando aí de quase 30% do sistema que já está fazendo duas validações. Então, nós estamos falando que o bilhete único  é o carro chefe, a frota é um outro carro chefe, e vou dar mais um produto, duas coisas que serão carros chefes para a gente, a meia tarifa, a meia tarifa é uma atratividade gigante, porque eu falo o seguinte: você pode andar 5 km que você vai pagar meia tarifa, R$2,15 até 5 km. Então, eu concorro com o aplicativo, eu dou agilidade ao sistema, então, mais uma vez, é o que o usuário pede, e é rapidez, a curta viagem dá essa magnitude para ele. Quando a meia tarifa implementar, até 5 km, esquece o aplicativo, você vai andar de ônibus, e mais, você vai poder fazer essa meia viagem pagando os R$2,15 e talvez voltar com a outra meia tarifa, ou seja, você não vai gastar uma meia tarifa para fazer sua viagem. Então, isso é um outro produto. E, o quarto que eu colocaria aí, que é o incentivo do final de semana, que é o cartão família. O cartão família está falando que com uma tarifa eu movimento 5 pessoas e eu dou movimento para um período de baixa demanda, que é o final de semana. É você ir para o zoológico, é você ir para o shopping, é você ir para um parque, é fazer uma trilha, usar a disponibilidade que a cidade tem hoje. Por isso que eu te falo, não adianta definir um produto como carro chefe, para a população, acho que ter ônibus andando, para eles é o carro, é o ônibus. Mas eu entendo que só o ônibus não resolve, porque se nao tiver rapidez nesse ônibus, se não tiver uma rede boa, se não tiver a tarifa boa, se eu não tiver tudo isso agregado, se eu não tiver o Citybus 3.0 que vai vir forte também fazendo as pequenas viagens para dar mais agilidade também para o aplicativo, um carro menor  nas vias. Então, acho que foi um projeto muito bem pensado e integrado, porque tudo isso gera mudança, tudo isso gera ganho para o nosso usuário.

Eu começo pelo bilhete, porque o bilhete não tem um que não fale bem disso.

DK: Supondo que tudo o que o senhor está falando seja feito com excelência, haverá aumento consequente da demanda. Goiânia terá frota suficiente para atender tanta gente?

TA: Vai ter, nós estamos trabalhando para isso, esse é o objetivo. O objetivo do projeto é transformar o sistema para dar uma melhor qualidade de serviço, que é importante. Tive a oportunidade de visitar o serviço de BRT de Sorocaba. O serviço de Sorocaba hoje tem 90% de aprovação da população, avaliado pela população. Então, o que a gente precisa é isso, criar um sistema que seja bem avaliado, que dê realmente a qualidade do serviço que o usuário espera. Investir em ônibus novos que atendam a essa demanda e, o projeto todo está concebido em cima disso, de ter ônibus realmente, que atenda a essa demanda. Até porque, todo mundo quer essa demanda. É importante para o trânsito, é importante para a mobilidade, é importante para os entes federativos, é importante para as empresas, é importante para o usuário ter ônibus. Então, o investimento passa por isso, por uma frota nova, mas uma frota também  que atenda em termos de número de frota. Não adianta também eu pegar, tirar tudo que tem aqui e botar um novo mas não ter um quantidade correta, uma nova rede para adaptar essa nova realidade de não estar no terminal, mas estar na rua, que eu possa orientar meu passageiro da forma adequada, então, o sistema, o aplicativo precisa ser adaptado para isso também. Então, são passos que são construídos, hoje você pega o aplicativo e está lá “planeje sua viagem” , antes não, antes eu tinha só as opções que estavam lá, eu precisava planejar minha viagem. Acho que a gente tem que retomar a credibilidade do sistema. Goiânia sempre foi referência nacional. Nós temos alguns atributos ainda, a tecnologia embarcada nos ônibus, quando fala de tecnologia de validadores, é a mais moderna do país, não tem nenhuma hoje mais moderna do que a que nós temos daqui. Nós temos um CCO  de controle de operação, fantástico também, que faz interferência à mudança, se tem um batida, se tem um acidente, interferência na rua, eu mudo a rota com a linha rodando. Então, existe um processo de gestão de controle muito grande, só que precisa ser perceptível para o usuário, é essa a percepção que a gente precisa mudar.

DK: Qual é a dificuldade das empresas, e aí talvez seja um desafio para a CMTC, em criar linhas durante a madrugada, por exemplo, para que a gente tenha o transporte coletivo funcionando sempre, mesmo em horários de baixa demanda, como da meia noite às 5 horas da manhã?

TA: Eu acho que toda linha nova, todo serviço novo a gente precisa avaliar os dois lados. Eu preciso avaliar o lado do usuário, porque ele tem um interesse, ele tem necessidades de se locomover dentro da cidade, e tenho que avaliar a sustentabilidade desse sistema. O sistema, ele é feito assim: algumas linhas mais produtivas pagam linhas não produtivas. Então, a gente precisa buscar esse equilíbrio, o sistema tem que ser sustentável. Em conversas com os próprios entes, até com o Ministério Público, eles questionam sobre a questão do equilíbrio dos contratos. Então, eu, como gestor do sistema, eu não posso ser o responsável por gerar o desequilíbrio. Então a gente precisa equilibrar isso, acho que é importante. Se tem demanda a gente tem que ter serviço, e aí a gente precisa fazer isso, fazer pesquisa, fazer levantamento, entender essa necessidade. Qual que é essa demanda? Qual que é o interesse de locomoção da população na madrugada? Ele quer ir de onde para onde? Ele quer se locomover como? Para que a gente possa fazer um estudo e avaliar isso. Não sou contra nem nada, pelo contrário, eu acho que a nossa missão é ofertar viagem, é atender a demanda, só que a gente precisa fazer um trabalho pra isso. Eu não posso decidir isso por contra própria, eu não posso estabelecer isso sem uma avaliação. A própria lei, a lei que foi criada, a 169 e a 171, se você olhar a lei lá, fala sobre isso. Nós temos uma Região Metropolitana do Transporte Coletivo restrita a um conjunto de Goiânia mais 18. “Ah, mas eu quero incluir Inhumas, quero incluir outras cidades”. Ótimo, agora precisamos fazer um estudo, como manda a lei. Eu preciso fazer um estudo de viabilidade de inclusão desse novo município. Então, tudo precisa passar por isso, a madrugada da mesma forma. 

DK: Para outras linhas periféricas também, para outras regiões que talvez não tem tantos ônibus passando…

TA: Nós fizemos essas conversas. Caturaí, nós implementamos. Em 23 de outubro do ano passado nós implementamos Caturaí para operar, lá existem 4 linhas. Por que não tem 10? Porque a necessidade lá são as 4 linhas agora, então nós temos as 4 linhas operando lá. E começamos isso junto com a prefeita, a prefeita esteve aqui, os trabalhadores estiveram aqui. Nós fizemos um estudo, avaliação, ajustes. “Nós queremos esses e esses horários”. Botamos para operar, pesquisas, pesquisa de campo para cadastrar, ver como está o movimento. Como o próprio prefeito de Bonfinópolis, estivemos aqui com o prefeito Costa, de Nerópolis. Então, assim, existe todo um processo para isso, eu acho que tudo precisa ser estudado, avaliado. Nosso interesse é prestar o melhor serviço. Agora, como que a viabilidade disso acontece? Então, nós fazemos pesquisas, acompanhamos, de acordo com as demandas que estão surgindo aqui.

DK: Um projeto aprovado na Alego em primeira votação discute isso, exigindo que as empresas mantivessem os ônibus nesses horários. Você avalia então que isso precisa ser estudado, algo nesse sentido é necessário antes de qualquer coisa?

TA: Sim. Não vejo dificuldade em fazer, mas só que, para a gente fazer isso, para implementar isso, a gente precisa de estudo, precisa de avaliação. Ver o volume de passageiros. Quantos passageiros são? Vou implementar um corujão em qual sentido? Para qual rota? 

DK: Aqueles imbróglios envolvendo a Prefeitura de Senador Canedo e Aparecida que contestavam o projeto ficaram no passado? Tá todo mundo engajado no mesmo projeto agora?

TA: Sim, Aparecida Senador Canedo também. Estive com o prefeito, com o Vilmar [Mariano, de Aparecida] visitei eles semana passada, conversamos, apresentamos o projeto, está interessado, quer participar. O Fernando [Pellozo, de Senador Canedo] também, não tem nenhuma dificuldade. Acho que hoje, dos prefeitos, além do Rogério, é um dos prefeitos mais atuantes, a gente sempre está, está sempre participando, ele grava vídeos, participa, ele fala, divulga, ele se envolve com o transporte também. Então acho que isso, essa é a perspectiva, uma integração, um envolvimento, um crescimento, para que a gente possa ter uma qualidade e uma percepção melhor do transporte.

DK: Como é que você vê o transporte coletivo na região metropolitana de Goiânia em 2023?

TA: Olha, vejo um transporte coletivo mais estruturado, com todos os produtos implementados. Então, você vai dar para o nosso usuário, mais uma vez, qualidade do serviço. Acho que a luta nossa é essa, é a qualidade do serviço, com mais produtos, ônibus novos, trabalhando os abrigos, ter  Citybus 3.0 integrado ao sistema, tendo a meia tarifa, onde você pode fazer viagens curtas pagando um meia tarifa. Então, eu vejo uma perspectiva melhor para o nosso usuário e uma percepção. É isso que a gente espera, a gente trabalha por isso, por uma percepção melhor do serviço que é prestado hoje. A gente sabe dos desafios, não são poucos, mas eu vejo um sistema mais estruturado, com mais comando, com mais diretrizes e deliberações orientando como funcionar esse transporte, porque eu vejo um interesse hoje dos entes, eu vejo um Estado totalmente envolvido, eu vejo uma Prefeitura de Goiânia envolvida com o trabalho. Não é à toa que o prefeito, nós estivemos na quinta-feira o dia inteiro, saímos daqui 5:30 da manhã, chegamos em casa 2 horas da manhã  do mesmo dia, ou seja, fiquei praticamente 24 horas acordado. Nós fomos visitar, fomos conhecer, fomos andar de ônibus, vendo o sistema. Eu acho que é isso que fortalece, esse envolvimento, um prefeito que se envolve, um governador que também se envolve, os secretários envolvidos. 


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Domingos Ketelbey

Jornalista e editor do Diário de Goiás. Escreve sobre tudo e também sobre mobilidade urbana, cultura e política. Apaixonado por jornalismo literário, cafés e conversas de botequim.