24 de maio de 2022
Brasil

Redução de quarentena para covid contribui para acelerar transmissão, diz médico

Mulher usa máscara para se proteger, em São Paulo (Foto: Guilherme Gandolfi/Via Fotos Públicas)
Mulher usa máscara para se proteger, em São Paulo (Foto: Guilherme Gandolfi/Via Fotos Públicas)

O governo federal anunciou nesta segunda-feira (10) a redução do período de quarentena de pessoas com quadros leves e moderados de covid-19. O isolamento, antes de dez dias, passa a ser de sete. Se houver teste negativo para assintomáticos, esse período é reduzido para cinco dias.

De acordo com o Ministério da Saúde, se no quinto dia o paciente estiver sem sintomas respiratórios ou febre e não ter feito o uso de medicamentos há 24 horas, ele poderá realizar a testagem. O isolamento termina se o resultado for negativo. Se o teste der positivo, a quarentena deve ser de dez dias.

A decisão foi tomada em experiências anteriores em países como Reino Unido e Estados Unidos, que também adotaram a mesma métrica para o isolamento.

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Apesar disso, muitos especialistas criticam a medida. Um deles é o médico infectologista Marcelo Daher. De acordo com ele, o momento que vivemos, de aceleração de casos, não é propício para o corte no tempo de isolamento.

“É um cenário de elevação de número de casos de maneira importante. A velocidade com que a doença está se transmitindo é alta. É um cenário com unidades de saúde superlotadas para atendimento básico, para realização de testes, e falta deles. Encurtar o isolamento num momento de elevação da transmissão vai contribuir para que ela se acelere mais ainda”, disse.

Para Daher, “a redução do tempo de isolamento é mais uma medida para atender a parte econômica que a técnica”, uma vez que muitas empresas têm sofrido baixa nas equipes. “A gente entende que as coisas estão parando por conta da doença. As pessoas estão ficando doentes e têm que se isolar para não ter transmissão”, lembrou.

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O infectologista também reforça que há dificuldade de acesso aos testes para diagnóstico de covid. “Não se consegue fazer testes com facilidade de forma gratuita. Tem falta de teste no mercado, pois a demanda aumentou de maneira repentina, o que levou a falta do produto no mercado, com elevação de preço. Você reduzir o tempo de isolamento para cinco ou sete dias, com teste no quinto, é muito complicado”, destacou. “Um teste no laboratório, hoje, pede 48 horas para o resultado. Na farmácia são rápidos, mas você tem que pagar. As empresas poderiam fazer isso. O problema é achar o teste no mercado. Há dificuldade de achar o teste de antígeno”, completou.