12 de fevereiro de 2026
ECONOMIA

Rastreamento ampliado: como funciona o novo sistema do Pix

Atualização do Pix permite acompanhar o caminho do dinheiro após golpes, ampliar bloqueios e acelerar a devolução de valores.
Novo sistema do Pix amplia o rastreamento de valores em casos de fraude. Foto: Reprodução
Novo sistema do Pix amplia o rastreamento de valores em casos de fraude. Foto: Reprodução

Entrou em vigor nesta semana uma nova etapa das regras de segurança do Pix, com mudanças que ampliam o rastreamento de valores em casos de fraude. A iniciativa foi implementada pelo Banco Central do Brasil e busca aumentar a recuperação do dinheiro desviado, além de tornar mais difícil a atuação de criminosos que exploram a rapidez das transferências instantâneas.

As alterações fazem parte da atualização do Mecanismo Especial de Devolução (MED), agora em sua versão 2.0, e representam uma resposta direta ao crescimento dos golpes envolvendo o Pix nos últimos anos.

O que muda com o novo rastreamento do Pix

A principal novidade é que o sistema passa a acompanhar o trajeto do dinheiro mesmo após ele sair da primeira conta que recebeu os valores. Antes, o rastreamento era mais limitado, o que permitia que golpistas transferissem rapidamente o dinheiro para outras contas, dificultando o bloqueio.

Com a mudança, instituições financeiras conseguem identificar contas intermediárias usadas para pulverizar os valores e agir de forma mais ampla para interromper a circulação do dinheiro obtido ilegalmente.

Compartilhamento de informações entre bancos

O novo modelo também fortalece o compartilhamento de dados entre as instituições participantes do Pix. Informações sobre transações suspeitas passam a circular com mais agilidade, permitindo respostas coordenadas e mais rápidas.

Na prática, isso amplia o alcance das ações preventivas e aumenta as chances de bloqueio dos recursos antes que eles sejam totalmente sacados ou convertidos em outros ativos.

Bloqueio preventivo de contas suspeitas

Outra mudança relevante é a possibilidade de bloqueio preventivo de contas que recebam denúncias de envolvimento em fraudes. Mesmo antes da conclusão da análise, essas contas podem ter movimentações interrompidas para evitar novos prejuízos.

Além disso, o usuário vítima de golpe passa a ter a opção de registrar o alerta diretamente no aplicativo do banco, sem depender exclusivamente de atendimento telefônico ou presencial.

Novo prazo para devolução de valores

O prazo para devolução do dinheiro também foi ajustado. A partir da contestação formal, os valores poderão ser restituídos em até 11 dias, a depender da análise do caso e da existência de saldo nas contas rastreadas.

A proposta é tornar o processo mais eficiente, equilibrando agilidade com critérios de segurança para evitar devoluções indevidas.

Por que o Banco Central mudou as regras

Dados oficiais mostram que o modelo anterior tinha eficácia limitada. Em 2025, o mecanismo antigo conseguiu recuperar menos de 10% do valor total contestado pelas vítimas, principalmente porque o dinheiro era rapidamente transferido para fora do alcance do sistema.

Com o rastreamento ampliado, o objetivo é elevar essa taxa e aumentar o custo operacional para os criminosos, que passam a depender de mais contas e intermediários para ocultar os recursos.

Quem precisa seguir as novas regras

Todas as instituições participantes do Pix são obrigadas a adotar as novas diretrizes. Isso inclui bancos tradicionais, fintechs e demais provedores de serviços financeiros, conforme informado pela Federação Brasileira de Bancos.

A medida cria um padrão único de atuação e evita brechas entre diferentes tipos de instituições.

Segurança também depende do comportamento do usuário

Especialistas em segurança digital avaliam que as novas regras representam um avanço importante, mas alertam que a prevenção ainda começa com o usuário. Golpes continuam explorando engenharia social, urgência falsa e mensagens enganosas.

Entre as principais recomendações estão:

  • desconfiar de pedidos urgentes de transferência;
  • evitar clicar em links suspeitos;
  • não compartilhar senhas ou códigos de verificação;
  • confirmar informações antes de qualquer envio de dinheiro.

O que fazer ao cair em um golpe do Pix

Quem for vítima de fraude deve:

  1. comunicar imediatamente o banco pelos canais oficiais;
  2. registrar a contestação o mais rápido possível;
  3. avaliar a necessidade de registrar boletim de ocorrência.

Quanto menor o intervalo entre o golpe e o alerta, maiores são as chances de bloqueio e devolução dos valores.


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