A bovinocultura goiana deve movimentar R$ 23,7 bilhões em 2026, consolidando Goiás como um dos principais polos da pecuária nacional. A projeção divulgada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) aponta crescimento de 7,5% em relação ao ano anterior e reforça a força do setor na economia estadual.
O valor representa 20,3% do Valor Bruto da Produção (VBP) de Goiás e cerca de 10% de toda a produção bovina brasileira. O desempenho é sustentado pelo avanço da produção, valorização dos preços e crescimento das exportações de carne bovina.
Crescimento na produção
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que Goiás encerrou 2025 com resultados positivos. Somente no quarto trimestre do ano passado, foram abatidas 1 milhão de cabeças de gado, alta de 16,5% em comparação ao mesmo período de 2024. Com isso, o estado manteve a terceira posição no ranking nacional de abates.
No acumulado de 2025, Goiás registrou 4,2 milhões de cabeças abatidas, respondendo por 9,7% do total nacional.
O secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa), Ademar Leal, destacou que os números confirmam a relevância histórica da pecuária para o estado.
“Goiás tem vocação histórica para a pecuária de corte, e os resultados de 2025 confirmam que estamos no caminho certo, com crescimento consistente em toda a cadeia produtiva e produtores empenhados na qualidade e no manejo”, afirmou.
Valorização dos preços
Os preços da cadeia pecuária seguem em alta ao longo de 2026. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), o Indicador do Boi Gordo fechou março com média de R$ 350,18 por arroba, avanço de 2,3% em relação ao mês anterior.
O boi magro também registrou valorização em Goiás. O valor médio por cabeça passou de R$ 4.051,32 em setembro de 2025 para R$ 4.305,28 em março deste ano, crescimento de 6,3%.
Já o preço do bezerro atingiu média de R$ 3.264,50 por cabeça em março, alta de 3,3% em comparação com fevereiro, impulsionado pela baixa oferta de animais para reposição.
Exportações em alta
O mercado internacional também contribui para o desempenho da bovinocultura goiana. Dados do AgroStat, sistema do Mapa, apontam que as exportações de carne bovina do estado somaram US$ 511,6 milhões entre janeiro e março de 2026, crescimento de 32% frente ao mesmo período do ano passado.
Ao todo, foram exportadas 92,2 mil toneladas de carne bovina, alta de 14,2%. O valor médio por tonelada alcançou US$ 5.545,96, com valorização de 15,6%, acima da média nacional.
As carnes congeladas lideraram os embarques, representando 81,1% do total exportado. Em seguida aparecem as carnes frescas ou refrigeradas, com 16%, e as miudezas bovinas, com 2,9%.
Estados Unidos e China foram os principais destinos da carne bovina goiana no período, respondendo por 33,7% e 20,6% das exportações, respectivamente. México e Chile também aparecem entre os maiores compradores.
Reconhecimento sanitário fortalece setor
Segundo Ademar Leal, o avanço das exportações é resultado da combinação entre eficiência produtiva e reconhecimento sanitário internacional.
“Goiás conquistou o status de zona livre de febre aftosa sem vacinação, o que eleva o nível de confiança dos mercados compradores na nossa carne. Além disso, o estado busca novas certificações para abrir portas em outros países e levar a carne goiana, com toda a sua qualidade, a destinos cada vez mais exigentes”, destacou o secretário.
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