24 de maio de 2022
Brasil • atualizado em 12/02/2020 às 23:46

Radioatividade pode chegar a políticos, diz PF

Movimentação de agentes da Polícia Federal em frente ao prédio da Eletronuclear, no centro do Rio de Janeiro, nesta terça-feira (28). (Foto: Estadão Conteúdo)
Movimentação de agentes da Polícia Federal em frente ao prédio da Eletronuclear, no centro do Rio de Janeiro, nesta terça-feira (28). (Foto: Estadão Conteúdo)

São Paulo – A Operação Radioatividade, que nesta terça-feira, 28, prendeu o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, presidente licenciado da Eletronuclear, e o executivo Flávio David Barra, presidente global da Andrade Gutierrez Energia, pode chegar a políticos, segundo a Polícia Federal. O delegado da PF Igor Romário de Paula, no entanto, ressalta que o foco central da investigação, agora, são outros contratos da estatal relativos a obras da Usina Nuclear de Angra 3, no Rio.

“É possível que no avanço das investigações a gente chegue a isso (políticos), mas nesse momento estamos focados somente nas empresas e na administração da Eletronuclear”, declarou o delegado Igor, que integra a força-tarefa da Operação Lava Jato.

A suspeita de envolvimento de políticos com o esquema em Angra 3 surgiu na delação premiada do executivo Dalton dos Santos Avancini, ex-presidente da Camargo Corrêa, empreiteira que teria feito parte do cartel que se apossou de contratos bilionários da Petrobras – alvo das quinze etapas da Lava Jato que antecederam a Radioatividade.

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Avancini afirmou que, durante reunião na sede da UTC Engenharia, em São Paulo, ocorrida em agosto de 2014, “foi comentado que havia certos compromissos do pagamento de propinas para o PMDB no montante de 1% e a dirigentes da Eletronuclear”.

As obras de Angra 3 foram reiniciadas em 2009 pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na época, o empreendimento estava orçado em R$ 7 bilhões. A previsão atual é que o custo total vai bater em R$ 15 bilhões. Deverá entrar em operação em 2018.

Em suas fases anteriores, a Lava Jato apontou pelo menos 52 políticos, entre deputados, senadores, governadores e ex-parlamentares que teriam sido beneficiários de valores ilícitos em contratos da Petrobras.

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O delegado Igor Romário de Paula explicou, em entrevista à Rede Globo, que, por enquanto, as atenções da força-tarefa da Radioatividade estão voltadas para os processos de concorrência da Eletronuclear. “Essa fase (da Lava Jato) tem foco em duas licitações específicas na construção de Angra 3”, ressaltou. Segundo Igor Romário de Paula, o presidente licenciado na Eletronuclear “teve participação ativa” em todo o procedimento que levou à contratação do Consórcio Angramon (Obras Montagem de Angra 3).

A PF sustenta que o almirante teve envolvimento direto inclusive na fixação de parâmetros que permitiram direcionar os contratos às empresas do mesmo cartel que se instalou na Petrobras entre 2004 e 2014.

As buscas desta terça-feira, 28, não atingiram duas empreiteiras do esquema em Angra3 porque seus executivos principais fizeram delação premiada – Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia, e Dalton Avancini e Eduardo Leite, da Camargo Corrêa.

A PF destaca que Flávio Barra, da Andrade Gutierrez Energia, também teve “participação ativa na orquestração de todo o cartel, de quem ficaria com cada uma das obras”.

“Era ele quem controlava, não só fazia o contato com os agentes da estatal, como era o responsável pelo pagamento das propinas”, declarou o delegado federal.

Igor Romário de Paula disse,ainda que a investigação também pode avançar em contratos da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. “É possível, principalmente porque as empresas estão se repetindo e a forma de contratar é sempre a mesma. Naturalmente, a investigação em seu tempo vai chegar até lá.”

(Estadão Conteúdo)

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