A filiação do deputado estadual Júlio Pina que saiu do Solidariedade e migrou ao PV na janela partidária abriu uma disputa direta dentro da Federação Brasil da Esperança em Goiás. De um lado, o PT ameaça barrar o ingresso do parlamentar que pertence a base do governador Ronaldo Caiado (PSD). Do outro, o PV reage, acusa tentativa de controle político e diz que não aceitará interferência.
A reação mais dura partiu do deputado estadual Mauro Rubem (PT), que contestou a movimentação e levantou a possibilidade de veto. “Tenho a opinião que essa filiação não deve ser confirmada, pois aqui está claramente uma tentativa de usar a chapa da federação. Sou contrário”, afirmou ao jornalista Domingos Ketelbey.
O petista sustenta que a decisão não pode ser tomada de forma isolada pelo PV e cita regras da federação para justificar a posição. “A legislação diz que, em caso de federação, os partidos que compõem devem ser ouvidos e têm direito a veto em casos de filiação de pessoas públicas como o caso em questão.”
Do outro lado, o presidente estadual do PV, Cristiano Cunha, subiu o tom e rebateu diretamente o PT. Para ele, a tentativa de barrar a filiação não encontra respaldo no estatuto. “O PT não aceita perder vaga pra ninguém e quer ocupar todos os espaços.”
Cunha também classificou a reação como pressão política sem base normativa. “Querem ameaçar no grito, dizendo que cortarão ele. Isso não se aplica pelo estatuto nacional.”
De acordo com o dirigente, a federação não retira a autonomia das siglas para definir seus próprios quadros. “Há independência dos partidos no Estatuto da Federação. O PT não tem o poder de interferir na autonomia dos partidos.”
A disputa se intensifica pelo perfil político de Júlio Pina. O deputado mantém alinhamento com a base do governador Ronaldo Caiado, o que amplia o desconforto dentro de uma federação que, nacionalmente, orbita diretamente o campo governista ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Apesar do embate, Pina tratou de reduzir o ruído público e delimitar sua posição para 2026. “Já tô no PV”, salientou. “Vou apoiar o Daniel Vilela. Mas não quero polemizar. Está tudo alinhado com a direção estadual e nacional. O PV tem autonomia para definir sua participação na chapa”, salientou.
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