Dos principais campos políticos do estado, o único que ainda não definiu nome para disputa ao governo de Goiás é o PT. Embora o discurso petista seja uníssono em apontar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá em território goiano um palanque, a legenda não está nem perto de escolher quem o capitaneará.
O processo de apresentação de nomes começou no fim do ano passado e chegou-se a ter até seis. Naquela época, o PT ainda esperava que a lista pudesse crescer a partir da chegada de outros partidos do campo progressista. Não aconteceu e a almejada aliança restou frustrada.
Dentro do próprio partido houve quem já tenha indicado que não quer participar da corrida ao Palácio das Esmeraldas, caso por exemplo do vereador Edward Madureira, em pré-campanha por uma vaga na Câmara Federal.
Hoje três nomes ainda são tratados como pré-candidatos: o jornalista Cláudio Curado, o ex-deputado estadual Luís César Bueno e o advogado Valério Luiz. No entanto, desde o início de fevereiro, quando houve a reunião de apresentação dos projetos, nenhum passo mais foi dado.
Curado percebe uma frustração da militância e cobra a definição de um calendário de ações para definir quem será o nome do PT para o governo de Goiás. Para ele, a postergação deste processo pode ter como pena um desempenho ruim nas urnas.
“Com uma campanha de três meses, sem a pré-campanha, sem poder andar no interior e conversar, vai ser muito difícil ficar acima dos 10%. A gente percebe uma angústia generalizada. Recebo muitas ligações de companheiros de outras cidades do estado e não temos o que falar”, relata.
Para o jornalista, a liberação de uma espécie de pré-campanha para os pré-candidatos aplacaria, em alguma medida, a desmobilização da militância em relação à corrida estadual. “Minha disposição é a mesma. Estou conversando sem fazer reuniões. Ficamos paralisados, com mãos atadas e vendo os companheiros angustiados”, frisou.
O ex-deputado estadual Luís César Bueno trata a condução da direção estadual como cautelosa e sábia e avalia que o partido “aguarda o desenrolar da conjuntura”, mas admite que “as articulações estão lentas”.
O advogado Valério Luiz Filho diz que ele e os colegas pré-candidatos mantêm uma agenda limitada de pré-campanha, baseada sobretudo em apresentar posicionamentos, mas destaca que a direção do partido está ausente do processo.
“O partido não está mobilizado coletivamente para viabilizar ninguém. Os maiores nomes estão comprometidos com candidaturas proporcionais”, ressalta. Para ele, há um efeito colateral desta ausência que é a estagnação de todos os pré-candidatos, uma vez que nenhum recebeu o ‘impulso’ necessário.
“É uma ingenuidade achar que uma pessoa, sozinha, vai crescer em pesquisas sem movimentação do partido para isso. O partido tem que começar a pensar nisso. Mesmo se considerar que o pleito é difícil” argumenta.
O deputado Rubens Otoni, um dos nomes mais experientes da legenda no estado, trata a demora como ‘estratégica’. “É uma questão de estratégia eleitoral. Há vários cargos em disputa e tem-se que priorizar onde julga que avança mais na política do estado. Temos nomes. Estamos definindo a melhor estratégia”, disse.
Decisão ‘de cima’
Os quadros do partido que conversaram com o DG apontam que a decisão tende a partir da executiva nacional. Alguns até apontam que quem tem acesso a Lula pode se privilegiar disto para defender suas posições e influenciar uma escolha.
Curado confirma que tem ouvido, nos bastidores, que a decisão será de Brasília e reforça a cobrança. “Vamos definir numa prévia ou vai aguardar uma decisão do Lula? Isso que está atrasando muito. Vai ter reflexo na votação”, sublinha.
Bueno, que também se colocou à disposição para uma disputa ao Senado, crava: “quem vai bater o martelo é a direção nacional”. E ressalta ainda que esfriou a possibilidade de o PT compor com outros partidos, muito embora o partido ainda esteja aberto.
A reportagem tentou contato com a presidente estadual do PT, Adriana Accorsi, mas não obteve retorno.
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