O primeiro debate entre os candidatos a governador de Goiás, neste domingo (9), pela TV Sucesso/Band, foi rico em ataques de Marconi Perillo (PSDB) ao governador Daniel Vilela (MDB), que faltou ao evento, e pobre em propostas dos candidatos que participaram. Luis Cesar Bueno (PT) e Wilder Morais (PL), ainda muito crus – quiçá pela precocidade da campanha – aproveitaram pouco o espaço para mostrar ao eleitor projetos de Estado que defendem.
Como já se ouvia nos bastidores, Daniel não compareceu ao auditório da FacUnicamps. O púlpito vazio ficou exposto no palco e, claro, os adversários cobraram o preço da ausência. O tucano – que tenta ser o antagonista do governo – disse que o emedebista “deu uma banana para o eleitor”. Na primeira resposta, destinou quase dois minutos – do prazo de três – para criticá-lo.
Marconi, numa estratégia já antecipada por aliados, também disse que Daniel nunca trabalhou e o chamou de “playboy”. Depois, afirmou que “a grande obra dele foi a taxa do agro”, um dos temas mais explorados pelo candidato tucano.
Na segurança pública, Marconi prometeu concurso para contratar 5 mil policiais e defendeu a valorização dos profissionais das forças de segurança, que alegou estarem abandonados pelo governo.
Luis Cesar Bueno deixou claro apenas que é candidato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Goiás. Fez diversas menções a realizações federais no estado, mas pouco tratou da realidade local. Todavia, teve dificuldades para tornar estas obras um trunfo eleitoral para si próprio. A plataforma petista, embora muito conhecida na política, ainda carece de mais estudo do palanque lulista em Goiás.
A nível local, por exemplo, Bueno não conseguiu indicar posições sólidas sobre terras raras, adaptação às mudanças climáticas e até mesmo educação. O discurso foi genérico e não capturou.

Wilder governista
Na linha definida pelo marqueteiro Marcelo Vitorino, ex de Marconi, Wilder Morais poupou ataques ao governo. E fez até elogios abertos, sobretudo à segurança pública, principal sustentáculo do governo de Caiado e Daniel. Segundo ele, numa eventual gestão sua, o combate ao crime “não vai retroceder um milímetro do que é hoje”.
O senador cometeu pequenas gafes. Numa delas, disse que vai implantar Goiás vai ter o ‘SUS Paulista’, numa referência à tabela implantada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Wilder também focou na sua trajetória empreendedora, com citações frequentes às profissões dos pais e a ascensão econômica, e buscou credibilidade ao colocar-se como um ‘engenheiro que é bom de cálculo e de obra’. Por outro lado, argumentou ser “ruim com as palavras” e, já de cara, numa espécie de ‘vacina‘ contra eventuais gafes ou um discurso tergiverso, também disse estar nervoso por ser seu primeiro debate. Ambos apareceram.
Sem embates
Não houve nenhum embate entre os três candidatos presentes, embora cada um deles defenda plataformas muito diferentes. E oportunidades não faltaram: houve segurança pública, educação, saúde, tecnologia, meio ambiente. E mesmo Luis Cesar Bueno e Wilder Morais pareciam concordar.
A letargia era tanta que o senador sequer se dispôs a responder um ataque de Bueno ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), principal líder do seu campo político. Ignorou solenemente e seguiu para um discurso insosso e mal construído sobre educação.
Marconi Perillo ressaltou os tempos de seu governo, mas sem novidades para o eleitor. Tentou rivalizar com uma presença que não estava e teve um contraponto limitado. Embora tenha reforçado seu caráter de antagonista, ou anti-Daniel, achou poucas brechas para críticas que pegam no calo governista. A que engatou foi a da taxa de agro.
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