28 de maio de 2024
Inédito

Primeira captação de órgão em maternidade de Goiânia beneficia paciente de SP

Hospital e Maternidade Municipal Célia Câmara mantém equipe preparada para atuar junto à Central Estadual de Transplantes, em caso de constatação de morte encefálica
A captação de órgãos requer capacidade técnica de toda a equipe e o cumprimento de uma série de protocolos. (Foto: Fundahc).
A captação de órgãos requer capacidade técnica de toda a equipe e o cumprimento de uma série de protocolos. (Foto: Fundahc).

Pela primeira vez desde a sua inauguração, o Hospital e Maternidade Municipal Célia Câmara (HMMCC), em Goiânia, realizou a captação de um fígado para transplante. Profissionais do HMMCC, da Central Estadual de Transplantes da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) e da equipe transplantadora de São Paulo adentraram o centro cirúrgico por volta das 4h30 da manhã do último sábado (16) para realizar o procedimento.

Para o diretor-geral do HMMCC, Marcelo Cupertino, a captação de órgão é um marco para todos da unidade. “Nós já vínhamos nos preparando para realizar esse procedimento desde a inauguração da maternidade, mas esta foi a primeira vez que todas as etapas para doação foram atendidas. Graças à agilidade dos agentes envolvidos, o procedimento foi um sucesso e, após três horas, o fígado seguiu para o doador que estava aguardando o órgão em São Paulo”, disse.

A supervisora da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do HMMCC, Alessandra Ribeiro explica que a doadora, uma mulher de 43 anos, deu entrada na unidade no dia 10 de março em estado grave de saúde e, mesmo diante de todos os esforços empreendidos pela equipe do HMMCC, dois dias depois a paciente teve protocolo de morte encefálica aberto.

Foram realizados todos os testes e exames nos dias 12 e 13 e, após a confirmação de morte encefálica, com acompanhamento da Central de Transplantes da SES, que esteve com a família, foi recebida a autorização para doação de órgãos.

Alessandra Ribeiro

Wilson Pollara, secretário de Saúde do Município, se pronunciou sobre a importância e impacto do procedimento. “Sabemos que esse é um momento de muita dor para a família, mesmo assim eles tiveram a compreensão da importância em ajudar a salvar outra vida. Após autorização, o fígado foi captado e direcionado a um hospital de São Paulo, onde um paciente que aguardava na fila nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) pode ter uma nova chance de viver”.

Já o prefeito de Goiânia, Rogério Cruz (Republicanos), destacou: “Nos solidarizamos com a família que encontrou, nesse momento de tristeza, forças para dar esperança para uma outra família que lhes era desconhecida. O sucesso do procedimento é um grande feito e mostra a grandiosidade das nossas maternidades municipais e a capacidade técnica dos nossos profissionais. Toda a equipe está de parabéns”.

Realização da captação de órgão

Para a doação, a informação e o diálogo sobre o assunto são essenciais, isso porque, pela legislação brasileira, a única forma de se tornar um doador de órgãos é avisando a família dessa vontade, para que, em um caso de óbito, os familiares façam a autorização da doação.

Além da autorização, para que a doação de órgãos seja realizada, as equipes das unidades de saúde do Estado são treinadas para seguir todo um processo. “Primeiro, a Central de Transplantes da SES é comunicada da abertura de protocolo de morte encefálica, que é de notificação compulsória. Após a confirmação da morte cerebral, o paciente passa a ser um potencial doador e a família é notificada do óbito, e, se estiver conforme a doação, ele passa a ser considerado um doador de órgãos”, explica Katiuscia Freitas, gerente da Central Estadual de Transplantes.

Após a confirmação, são feitos vários exames para avaliar a boa função dos órgãos e se a doação é possível. “Com resultados positivos, é marcada a retirada de órgãos pelas equipes transplantadoras e o receptor que estava na fila de transplantes é informado do surgimento do órgão e preparado para o pré-operatório. Toda a medicação para evitar rejeição é fornecida pelo SUS e aplicada no receptor, para que então seja iniciado o transplante do órgão que foi doado”, esclarece Katiúscia.


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Elysia Cardoso

Jornalista formada pela Uni Araguaia em 2019