17 de abril de 2024
Desacordo • atualizado em 05/01/2024 às 15:12

Presidente da Coopanest-GO afirma que novo modelo de contratação proposto pela SMS é defasado

A coopanest afirmou que todos os atendimentos feitos pelos profissionais da cooperativa estão suspensos, até mesmo os de caráter emergencial.
A cooperativa se opõe ao novo modelo e afirma que o atual secretário de Saúde do município, Wilson Pollara, optou por uma tratativa distanciada dos profissionais.(Foto: Divulgação).
A cooperativa se opõe ao novo modelo e afirma que o atual secretário de Saúde do município, Wilson Pollara, optou por uma tratativa distanciada dos profissionais.(Foto: Divulgação).

“Testado, reprovado e superado”, assim define o presidente da COOPANEST-GO, Dr. Haroldo Maciel Carneiro sobre o novo sistema de contratação de médicos anestesiologistas para a prestação de serviços a rede pública de saúde. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) afirmou ontem (4), que a contratação agora será por meio de negociações realizadas diretamente com cada instituição.

A cooperativa se opõe ao novo modelo e afirma que o atual secretário de Saúde do município, Wilson Pollara, optou por uma tratativa distanciada dos profissionais, não demonstrando um interesse em uma resolutiva. Conforme Haroldo, foi estipulado um prazo de 30 dias para a suspensão do serviço, e nesse meio tempo receberam apenas um contato da SMS, desmarcando uma reunião. Até o momento a ordem é de que a paralisação dos anestesistas siga, inclusive, por falta de contrato.

Em conversa com o Diário de Goiás, Haroldo afirma que Pollara está tentando causar “um dos maiores calotes já vistos na saúde pública de Goiânia”. Isso porque a Coopanest afirma que o município deve a cooperativa mais de R$ 27 milhões, valor este que não é reconhecido pelo atual secretário. “Ele quer passar essa negociação para pessoas que não estão envolvidas com essa dívida. Como vamos ter garantia de que esse secretário vai garantir os pagamentos em um futuro próximo?”, questiona Carneiro.

Um outro ponto destacado na conversa é que diferente do que foi confirmado pela SMS, a Coopanest não recebeu nenhum valor referente a dívida. Em dezembro, a secretaria afirmou que reconhecia um saldo de R$ 2,733 milhões referentes ao contrato anterior, e uma dívida de R$ 880 mil, totalizando R$ 3,613 milhões que seriam depositados ainda naquele mês. “Desde o início da gestão do atual secretário, nenhum pagamento foi realizado”, afirmou o presidente da cooperativa.

Dívida anterior

O que nós soubemos, pela fala do secretário é de que ele não reconhece essa dívida porque não faz parte do tempo que ele estava aqui na Secretaria Municipal de Saúde. E agora vem com essa “grande novidade”, que é delegar para as instituições fazerem a contratualização. Essas instituições não nos devem nada

Presidente da COOPANEST-GO, Dr. Haroldo Maciel Carneiro

Haroldo explica que então começaria um contrato do zero, mas que no fundo, a Secretaria Municipal estaria repassando os recursos para as instituições para posteriormente as instituições realizarem o pagamento. ” Ou seja, a origem do recurso é a mesma. O mesmo secretário que está se negando a pagar uma dívida que está propondo passar o dinheiro para as instituições, para que elas nos pagarem daqui para frente”.

SMS e o modelo de contratação

Em nota, a SMS afirma que o novo modelo de contratação visa dar maior autonomia às instituições para que, além de aprimorar as tratativas com os profissionais, possam melhorar a assistência à população e às práticas médicas.

A decisão foi tomada em uma reunião realizada na tarde desta última quinta-feira (4), feita com a Secretaria e representantes dos hospitais filantrópicos discutiram nova forma de contratação dos serviços de médicos anestesiologistas.

Confira a nota da SMS na íntegra

“NOTA – SMS

Em reunião realizada na tarde desta quinta-feira (4), a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e representantes dos hospitais filantrópicos discutiram nova forma de contratação dos serviços de médicos anestesiologistas.

Ficou definido que, a partir de agora, a contratação desses profissionais se dará por meio de negociações realizadas diretamente com cada instituição, como ocorre com as demais categorias médicas.

A medida visa dar maior autonomia às instituições para que, além de aprimorar as tratativas com os profissionais, possam melhorar a assistência à população e às práticas médicas.

Secretaria Municipal de Saúde (SMS)”

População desassistida

Ao Diário de Goiás, a coopanest afirmou que todos os atendimentos feitos pelos profissionais da cooperativa estão suspensos, até mesmo os de caráter emergencial. De acordo com a COOPANEST-GO, os médicos anestesiologistas realizam, em média, 6 mil atendimentos por mês nos mais diversos procedimentos anestésicos.

Algumas unidades de saúde estão sendo afetadas pela suspensão dos atendimentos dos médicos anestesiologistas, até a contratação de novos profissionais. Confira a lista de hospitais: Clínica da Imagem, Clínica Médica de Endoscopia e Cirurgia, Gatro Salustiano, Hospital Santa Catarina, Hospital Araújo Jorge, Hospital Coração de Jesus, Hospital da Criança, Hospital das Clínicas (UFG-GO), Hospital de Olhos Vila Nova, Hospital Fundação Banco de Olhos, Hospital Goiânia Leste, Hospital Jacob Facuri, Hospital Ortopédico De Goiânia Geraldo Pedra, Hospital Ruy Azeredo (Monte Sinai), Hospital Santa Rosa, Hospital São Domingos, Hospital Vitta (Santa Lucia), INGOH – Instituto Goiano de Hemoterapia, Instituto de Olhos de Goiânia, Pronto Socorro para Queimaduras, Santa Casa de Misericórdia de Goiânia e Urocenter.

Confira a nota da Coopanest-GO na íntegra:

Posição da COOPANEST-GO sobre a nota emitida pela Secretaria Municipal de Saúde:

O sistema proposto pelo do atual secretário, que está há apenas 2 ou 3 meses em Goiânia e parece não ter observado como foi construída a assistência à saúde para a população goianiense, é um modelo que já foi superado há mais de 40 anos, tendo em vista que, nas últimas quatro décadas, a cooperativa sempre foi contratualizada diretamente pela Secretaria Municipal de Saúde, junto a todos os prefeitos e secretários anteriores a atual gestão.

E temos prestado, ao longo de todos esses anos, um serviço de excelência e de grande relevância para a saúde pública do munícipio de Goiânia. O que nos causa estranheza é a precariedade e a indisposição do atual secretário municipal de saúde em assumir a sua responsabilidade e querer transferí-la para as unidade de atendimento à saúde.

As unidades de saúde não são as responsáveis por prover saúde pública para os goianienses e sim a SMS, essa é a grande novidade que o secretário está tentando impor. Outra questão importante que a sociedade de Goiânia precisa refletir é que, na verdade, fica claro que o atual secretário está promovendo o maior calote da história da saúde pública de Goiânia, não querendo reconhecer uma dívida de mais de 3 anos com médicos que nunca deixaram de atender a sua gente, a sua cidade.

E fica a pergunta: qual a garantia que qualquer médico ou empresa de anestesiologista terão ao serem contratados, sabendo que a fonte pagadora será a mesma, ou seja, um secretário que promoveu o maior calote diante de uma dívida que vai para 27 milhões de reais? Mais de 320 médicos anestesiologistas estão sem receber por 90 mil procedimentos que já foram realizados nos últimos três anos. Como acreditar em um gestor público que já provou que não cumpre com sua obrigação com centenas de colegas médicos que já prestaram com excelência seus serviços para a sociedade?”.


Leia mais sobre: / / / / / Goiânia

Elysia Cardoso

Jornalista formada pela Uni Araguaia em 2019