O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, afirmou que não pretende negociar mudanças no Chamamento Público nº 03 com os médicos credenciados que estão em greve na rede municipal de saúde. Questionado pelo Diário de Goiás, o prefeito minimizou o impacto do movimento paredista e destacou que apenas 14 médicos aderiram à paralisação, diante de um universo amplo de profissionais interessados no credenciamento.
“A Prefeitura de Goiânia estava pagando 35% a mais do que o mercado paga, e nós não temos esse dinheiro para gastar”, afirmou Mabel. Segundo ele, a atual gestão optou por adequar os valores dos plantões à realidade praticada em Goiânia, evitando distorções que comprometam o orçamento da saúde.
“Não muda o Chamamento 03”, afirma Mabel
Questionado sobre a possibilidade de negociação com os profissionais paralisados, o prefeito foi direto ao afirmar que o modelo não será alterado. “Não muda o Chamamento 03. Existe uma mão de obra qualificada e disponibilizada para fazer o trabalho”, disse.
Mabel ressaltou que o novo credenciamento atraiu grande interesse da categoria médica. “Nós temos 3 mil médicos credenciados inscritos. Fizemos um chamamento para 300 profissionais e 280 apareceram para assinar o contrato”, destacou, reforçando que há disponibilidade de profissionais para suprir a demanda da rede municipal.
Prefeitura diz ter médicos suficientes para suprir a rede
De acordo com o prefeito, a política adotada busca equilíbrio financeiro e sustentabilidade do sistema público de saúde. “Nós não podemos ficar fora do mercado com preço aviltado, porque senão não conseguimos fazer a saúde que pretendemos fazer”, afirmou.
O chefe do Executivo municipal também ponderou que o modelo permite que médicos mais qualificados busquem outras oportunidades. “O médico que tem condições de ganhar mais pode trabalhar em outros lugares. A Prefeitura não pode pagar menos, mas também não pode pagar mais. Ela tem que estar com o preço de mercado”, declarou.
Greve mantém atendimentos eletivos suspensos
A greve dos médicos credenciados começou na terça-feira (13) e segue nesta quarta-feira (14), com a suspensão de atendimentos eletivos na rede pública de Goiânia. O movimento é liderado pelo Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego), que aponta desvalorização salarial e más condições de trabalho como principais motivos.
Ao Diário de Goiás, a presidente do Simego, Franscine Leão, afirmou que a categoria está em “mobilização permanente pela penalização da redução salarial” e que a entidade já oficiou a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) em duas ocasiões. Segundo ela, “não há qualquer sinal de negociação” por parte da gestão.
Sindicatos apontam desvalorização e atrasos salariais
O Sindicato dos Trabalhadores do Sistema de Saúde de Goiás (SindSaúde) informou que a paralisação também envolve outros profissionais de saúde credenciados, que protestam contra salários em atraso desde novembro, além de más condições de trabalho.
Em nota, o SindSaúde afirmou que a greve está mantida e que diversas unidades da rede municipal apresentam limitações nos serviços, embora não tenha detalhado quantas ou quais foram afetadas.
A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia informou que, no novo credenciamento, os valores dos plantões médicos foram definidos com base em estudo de impacto orçamentário e financeiro, estando adequados à realidade de mercado da capital.
Para Mabel, a manutenção do chamamento é essencial para garantir a continuidade dos atendimentos. “Existe mão de obra disponível, existe interesse e existe contrato. A Prefeitura precisa agir com responsabilidade”, afirmou.
O prefeito concluiu destacando que a gestão seguirá priorizando o equilíbrio fiscal e a ampliação do acesso da população aos serviços de saúde. “Nossa obrigação é fazer uma saúde que funcione para quem mais precisa, dentro da realidade financeira do município”, finalizou.
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