23 de junho de 2024
Aparecida de Goiânia

Prefeitura e especialistas debatem estratégias de Aparecida no combate à Covid-19

Webinar reuniu gestores e especialistas nesta terça (Foto: Reprodução/Facebook)
Webinar reuniu gestores e especialistas nesta terça (Foto: Reprodução/Facebook)

Um webinar promovido nesta terça-feira (16) pela prefeitura de Aparecida de Goiânia debateu as estratégias adotadas pelo município no combate à Covid-19. Mediada pelo prefeito Gustavo Mendanha, a discussão teve o secretário municipal de Saúde, Alessandro Magalhães, os professores da UFG, responsáveis pelo modelo seguido pelo governo estadual, Cristiana Toscano e Thiago Rangel, e representantes do Hospital Sírio-Libanês, Rafael Saad e Paulo ChapChap.

O secretário inicialmente expôs os dados epidemiológicos de Aparecida, como número de casos, mortes e taxas de hospitalização, seja em leitos clínicos ou de UTI. Em sua conclusão após análise da curva, Magalhães afirmou que o crescimento da doença está estabilizado. “O número de óbitos está baixo, bem aquém do que estávamos esperando, talvez por causa da nossa estratégia”, disse. “Não houve nenhum óbito que não fosse de grupo de risco”, pontuou.

A secretário ponderou, porém, que a taxa de isolamento está abaixo dos 50% pretendido pela prefeitura. Ele citou que medidas como o escalonamento regional de abertura de estabelecimentos comerciais foram tomadas para elevar o índice, atualmente em 35,92%.

O consultor do Hospital Sírio-Libanês, Rafael Saad, afirmou que em municípios que não seguiram métodos de controle, a Covid-19 cresceu exponencialmente muito rápido, segundo dados de um painel do hospital. “O que a gente percebe é que a não implementação de estratégias de controle de maior rigor tem levado a resultados bastante ruins para algumas cidades. Em lugares onde houve abertura não planejada, o pico dos casos está sendo empurrado, diariamente, para frente e para cima”, expôs.

Os professores Thiago Rangel e Cristiana Toscano explicaram o modelo produzido pela UFG, que projeta um pico de internações para Aparecida de Goiânia no fim de julho, sobrecarregando o sistema de saúde. Eles reiteraram que o isolamento social é a principal medida para baixar a taxa de reprodução (Re) do coronavírus Sars-CoV-2, hoje estimada em 1,2 no município. Segundo eles, a cidade pode precisar de 350 leitos de UTI diários no dia 31 e julho. Hoje, são 63 disponíveis exclusivamente para Covid-19 na rede municipal.

Magalhães afirmou que, caso haja um crescimento descontrolado, o prefeito Gustavo Mendanha voltará a restringir as atividades econômicas em Aparecida de Goiânia e relatou que, em comparação com Goiânia, cidade tida como parâmetro de dados no modelo da UFG, os números aparecidenses são melhores.

“Goiânia está com uma taxa de internação de 20%, nós ficamos por volta de 7% (dos casos confirmados). Na projeção do modelo, hoje usaríamos em torno de 50 leitos de UTI, mas estamos com 14 ocupados”, pontua. “Talvez por estarmos testando muito e detectando os casos precocemente, faria diferença na necessidade de leitos de UTI”, justifica. Magalhães ainda relatou que a média de tempo de permanência de um paciente com Covid-19 na UTI em Aparecida é de oito dias e cinco dias em leitos de enfermaria.

Após a exposição, o secretário concluiu que a flexibilização de atividades econômicas foi feita corretamente na cidade.

“Temos quase 60 dias de flexibilização. Nossas taxas de internação permanecem estáveis. Os casos e óbitos aumentaram, mas dentro do projetado. Minha análise é que acertamos no momento da flexibilização. Pode ser que mais para frente tenhamos que ampliar o distanciamento. Caso progridamos no risco, vamos reduzir a flexibilização”, disse.


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