A Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) está no centro de uma ampla investigação envolvendo supostas fraudes trabalhistas, já denunciadas ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT), à Polícia Civil, ao Ministério Público e à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Segundo o prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, o esquema já identificado causou um prejuízo estimado em R$ 24 milhões aos cofres públicos e não se limita a um único caso.
“Existe uma fraude que hoje é um montante de R$ 24 milhões, com 75 ações. Era um advogado que fazia ações falsas, com procuração do funcionário, que nunca tinha dado procuração para ele”, afirmou Mabel. De acordo com o prefeito, o profissional ingressava com reclamações trabalhistas utilizando documentação falsa, o que permitia o avanço dos processos na Justiça do Trabalho.
Mabel destacou que havia um ambiente interno que favorecia o esquema. “Como a Comurg tinha esse conluio, essas ações iam para frente e a Comurg acabava perdendo”, disse. Ele ressaltou que o caso já foi totalmente apurado e que medidas de bloqueio e responsabilização estão em andamento.
“Esse não é um caso isolado. Existem outros problemas que estão sendo investigados. Esse terminou a investigação, já levantamos o montante, mas existem vários outros”, declarou o prefeito. Segundo ele, práticas como “dobradinhas” e “rachadinhas” também estão sendo apuradas. “Tudo isso nós estamos levantando e encaminhando ao Ministério Público, à Polícia Civil e a outros órgãos”, completou.
O prefeito classificou o momento como um processo profundo de reestruturação da companhia. “A Comurg está passando por um saneamento muito forte. Na parte jurídica, é impressionante a quantidade de ações que foram ganhas, principalmente pelos advogados. Os trabalhadores ficavam com pouco e os advogados com a maior parte”, afirmou, ao diferenciar a atuação da maioria dos profissionais. “A maioria dos advogados é séria, mas existiam maus advogados que encontraram um campo fértil. Isso acabou.”
Mabel também citou pagamentos considerados irregulares realizados pela empresa. “Só no ano passado foram pagos R$ 12 milhões em sucumbência, num processo que a Comurg já estava ganhando na terceira instância e desistiu. Esse tipo de coisa não pode acontecer”, criticou.
O presidente da Comurg, coronel Cleber Aparecido Santos, explicou que a identificação dos processos suspeitos ocorreu após mudanças internas iniciadas no segundo semestre de 2025. “Desde o primeiro dia da nova gestão, em setembro de 2025, começamos processos profundos de mudança. A área jurídica foi uma das que mais trouxe retorno”, afirmou.
Segundo ele, auditorias e análises realizadas ao longo de 2025 permitiram identificar 76 processos com indícios de fraude, concentrados na atuação de um advogado específico. “Foram feitos laudos, investigações e análises durante todo o ano. Nesse caso específico, foi comprovado, por laudo grafotécnico, que a assinatura de funcionários foi fraudada”, disse.
Cleber confirmou que toda a documentação já foi formalmente encaminhada aos órgãos competentes. “Esses documentos já estão na Justiça, na Polícia Civil, no Ministério Público e também na OAB”, afirmou.
Sobre o futuro da empresa, o presidente descartou qualquer possibilidade de encerramento das atividades. “Não se fala mais em liquidação. O futuro da Comurg é crescer, vender mais serviços para outros clientes e abrir o capital da empresa, com a entrada de sócio privado”, concluiu.
As investigações seguem em andamento, e novas denúncias envolvendo outros suspeitos não estão descartadas pela atual gestão.
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